Londres – Três dos principais jornais da Ucrânia se uniram para vender 10 mil NFTs (Non-Fungible Tokens), em um esforço para financiar a cobertura da guerra contra a Rússia com a ajuda de leitores de outros países. 

A iniciativa “Chaves para Kiev: Apoie a mídia ucraniana” é dos veículos Ukrainska Pravda, Novoye Vremya e Hromadske, que fizeram uma parceria com a plataforma de venda de ativos digitais Vault.

A invasão russa à Ucrânia chegou ao 13º dia com um jornalista morto e outros cinco feridos por tropas comandadas por Vladimir Putin, o que fez a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pressionar as autoridades de ambos países a protegerem profissionais de imprensa durante o conflito.

Jornais da Ucrânia podem arrecadar até US$ 1 milhão

Quem comprar um dos tokens digitais, que custa US$ 99,99 cada, terá acesso a um “cofre digital” com curadoria da cobertura em inglês das publicações ucranianas.

O conteúdo será selecionado por equipes de jornalistas e fotógrafos das três empresas, incluindo fotos, vídeos, links para matérias e sugestões de leituras.

“Dados mostram que nos primeiros dias da guerra, o Ukrayinska Pravda era o segundo site mais popular na Ucrânia depois do Google. Cerca de 8 milhões de pessoas em todo o mundo nos leem todos os dias. Sentimos nossa responsabilidade de informar o mundo sobre a situação atual na Ucrânia com verdade e agilidade”, diz Sevgil Musayeva, editor-chefe do Ukrainska Pravda.

“Nós nos alegramos quando publicamos histórias que tranquilizam e encorajam as pessoas, lamentamos quando escrevemos sobre perdas”, disse o jornalista. 

As publicações documentam em tempo real os acontecimentos na Ucrânia, informando a partir de locais que correspondentes estrangeiros nem sempre conseguem chegar. 

Se todos os 10 mil NFTs foram vendidos, quase US$ 1 milhão será arrecadado para apoiar as publicações da Ucrânia.

“A liberdade de expressão e a imprensa livre são a base da sociedade democrática. No caso de Ukrainska Pravda, Novoye Vremya e Hromadske, o trabalho que seus jornalistas estão fazendo no momento é inspirador, particularmente quando você considera a pressão e o estresse inacreditáveis sob os quais devem estar”, disse Nigel Eccles, CEO e cofundador da VAULT.

Russos atacam jornalistas para censurar cobertura da guerra

A RSF contabilizou os casos mais graves envolvendo jornalistas atacados por soldados russos durante a cobertura da guerra na Ucrânia.

cinegrafista Evgeny Sakun, da Kiev Live TV, morreu após ser atingido no bombardeio da torre de televisão de Kiev, na semana passada. Outros cinco repórteres foram atacados a bala de forma deliberada desde o início da invasão russa, há menos de duas semanas. 

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Em nota, a ONG reiterou o apelo às autoridades russas e ucranianas para cumprirem suas obrigações internacionais de garantir a segurança dos jornalistas in loco.

“Os repórteres em campo são alvos de soldados russos, apesar de todas as regras que protegem os jornalistas”, disse Jeanne Cavelier, chefe do escritório da RSF na Europa Oriental e Ásia Central.

“Jornalistas são civis que mantêm o mundo informado sobre o andamento dos combates.

Eles devem ser capazes de trabalhar com segurança. Apelamos a todas as partes em conflito para que se comprometam imediatamente a proteger os jornalistas de acordo com o direito internacional.

Também recomendamos que os profissionais tenham o máximo de cautela diante dos muitos ataques de comandos russos enviados à frente como batedores”.

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