A Assembleia Geral da União Europeia de Radiodifusão (EBU) começa hoje (4) em Genebra, com um tema espinhoso na pauta: um possível veto à participação de Israel no festival de música Eurovision 2026.
A decisão deveria ter sido tomada em novembro, após pressão de vários países devido à guerra em Gaza, mas foi adiada após o anúncio de um cessar-fogo temporário. Na reunião desta quinta-feira a presença do país foi mantida.
A continuidade da crise humanitária fez com que os países que ameaçam boicotar o festival seguissem com a pressão contra Israel, e quatro já anunciaram que não participarão: Holanda, Espanha, Irlanda e Eslovênia.
O Eurovision é organizado pela EBU, formada por emissoras públicas de cada país, financiadas ou controladas pelos Estados membros. Assim, suas decisões refletem, direta ou indiretamente, as posições dos governos que representam.
A próxima edição será Viena, que venceu o Eurovision 2025. A representante de Israel, Yuval Raphael, ficou em segundo lugar com base em uma votação popular massiva.
Israel no Eurovision 2025 e as acusações de manipulação
A polêmica sobre a presença de Israel não foi apenas pela guerra, mas também por uma suspeita de interferência nos resultados do Eurovision 2025.
Yuval Raphael conquistou o segundo lugar com a canção “New Day Will Rise”, recebendo o maior número de votos populares.
Antes, a letra da música teve que ser mudada pois continha conteúdo considerando político, o que não é permitido.
O resultado foi imediatamente contestado por diversas emissoras europeias, que acusaram o governo israelense de ter mobilizado campanhas coordenadas para influenciar o voto por telefone.
Israel nunca comentou as acusações.
As novas regras da EBU para o Eurovision 2026
Em resposta às críticas, a EBU tinha anunciado há duas semanas mudanças significativas nas regras de votação, a partir do próximo festival.
Entre elas estão a possibilidade de realização de auditorias independentes, em caso de suspeita de irregularidades. O peso das notas dos jurados técnicos em relação ao voto popular será aumentado e campanhas governamentais ligadas às canções serão proibidas.
Essas medidas foram apresentadas não só para acalmar os ânimos, mas como forma de preservar a integridade do concurso e evitar que episódios semelhantes ao de 2025 se repitam.
Os países que ameaçam boicote ao Eurovision 2026
As novas medidas não foram suficientes para mudar a posição dos países mais críticos à participação de Israel.
Espanha, Holanda, Eslovênia e Irlanda imediatamente anunciaram a decisão de não disputar o Eurovision 2026.
Bélgica e Finlândia disseram inicialmente que estavam avaliando seguir o mesmo caminho.
O que diz Israel
Embora não faça parte da Europa, Israel participa do Eurovision desde 1973 por ser membro da EBU, assim como a Austrália.
A emissora pública israelense, KAN, sempre insistiu que o país deveria participar do Eurovision, reforçando que o evento é cultural e não político, e acabou ganhando a guerra dentro da EBU.
Autoridades israelenses acusam países europeus de tentarem transformar o festival em instrumento diplomático, enquanto Yuval Raphael, protagonista da polêmica de 2025, declarou recentemente que “a música deve unir, não dividir”.
Israel no Eurovision 2025 e o futuro do concurso
A conclusão da reunião da EBU em Genebra deixaria sequelas, qualquer que fosse o resultado. Com a participação de Israel aprovada, mais países podem realmente sair da disputa, e protestos devem ser esperados, como já aconteceu em 2025, turvando a atmosfera festiva do Eurovision.
Se Israel fosse vetado, no entanto, o caráter cultural e apolítico do Eurovision ficaria definitivamente transformado, reforçando uma postura que não começou com a guerra em Gaza.
A Rússia foi banida em 2022, após a invasão da Ucrânia, e permanece excluída até hoje, tendo até feito um “Eurovision” próprio.
A história do Eurovision ‘apolítico’
O Eurovision Song Contest é um dos maiores festivais de música do mundo, realizado anualmente desde 1956. Cada país participante envia uma canção inédita para competir, escolhida em festivais internos realizados pelas emissoras públicas.
O vencedor geral é escolhido por meio de uma combinação de votos de júris nacionais e do público.
As semifinais e a grande final são megashows transmitidos para todo o mundo, assistidos por milhões de espectadores.
As regras da União Europeia de Radiodifusão (EBU) proíbem expressamente mensagens políticas durante o concurso.
Um exemplo claro ocorreu em 2023, quando o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pediu para enviar uma mensagem em vídeo durante a final. A EBU recusou o pedido, afirmando que o Eurovision não pode ser usado como plataforma política.
Curiosamente, naquele mesmo ano, a Ucrânia venceu com uma canção que trazia alusões à resistência na guerra contra a Rússia, mostrando como o festival, mesmo tentando manter neutralidade, acaba refletindo o contexto político vivido pelos países participantes.
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