A inteligência artificial terá espaço próprio na agenda da COP31, a Conferência do Clima da ONU que acontece de 9 a 20 de novembro, em Antalya, na Turquia.
Diante do crescimento acelerado do consumo de energia pelos data centers, a presidência turca prepara um compromisso internacional para reduzir o impacto ambiental da tecnologia e cobrar maior transparência das gigantes do setor.
A iniciativa, chamada Antalya Pledge on Artificial Intelligence, foi anunciada em setembro, durante a Semana do Clima de Nova York.
Desenvolvida em parceria com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência da ONU especializada em tecnologias digitais, pretende estabelecer princípios para que a expansão da inteligência artificial esteja alinhada aos objetivos climáticos.
A proposta surge em meio a cobranças crescentes às Big Techs.
No mesmo dia do anúncio, o secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, Simon Stiell, alertou para o aumento das emissões e dos custos da eletricidade provocado pela expansão da IA.
Segundo ele, empresas do setor estão perdendo apoio público, enquanto a construção de novos data centers enfrenta resistência de comunidades.
Consumo de energia pode dobrar até 2030
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers consumiram aproximadamente 485 terawatts-hora (TWh) de eletricidade em 2025. Até 2030, esse consumo poderá praticamente dobrar, chegando a 950 TWh, cerca de 3% da demanda mundial.
Os centros dedicados especificamente à inteligência artificial deverão crescer ainda mais depressa.
A pressão também vem de organizações ambientais. Em setembro, o Greenpeace Internacional divulgou uma investigação segundo a qual as emissões indiretas da Nvidia, uma das principais fornecedoras de chips para IA, cresceram 725% desde 2020.
Outra pesquisa, publicada em fevereiro por organizações como Beyond Fossil Fuels e Friends of the Earth, analisou 154 declarações sobre benefícios climáticos da inteligência artificial. Segundo o levantamento, 74% não apresentavam comprovação em pesquisas acadêmicas publicadas.
IA também pode ajudar a combater a mudança climática
A presidência da COP31 pretende, ao mesmo tempo, explorar o potencial da inteligência artificial para enfrentar a crise climática.
Uma segunda iniciativa, chamada AI for Clean Technologies, buscará identificar projetos que utilizem a tecnologia para melhorar a eficiência energética, modernizar redes elétricas e desenvolver processos industriais de baixo carbono.
O compromisso de Antalya, porém, ainda não tem metas definidas. A presidência turca deverá apresentar uma minuta antes da conferência, mas não está claro se haverá exigências específicas sobre o uso de fontes limpas ou mecanismos para acompanhar os resultados.
O desafio da COP31 será transformar a preocupação com o impacto ambiental da inteligência artificial em compromissos concretos, capazes de acompanhar a velocidade de expansão da tecnologia.
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