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IA no cinema

Netflix compra empresa de IA para o cinema de Ben Affleck e o nomeia conselheiro

Os 16 funcionários da InterPositive serão integrados à gigante do streaming, que promete não substituir criadores pela tecnologia

Ben Affleck, ator e diretor

Ben Affleck. Cr. BETHANY MOLLENK/Netflix © 2026




Uma semana depois de desistir da compra da Warner Bros., a Netflix anunciou a aquisição da InterPositive, empresa fundada por Ben Affleck para desenvolver ferramentas de inteligência artificial (IA) para produção cinematográfica.

Com a operação, toda a equipe da InterPositive passa a integrar a Netflix. Affleck também assume o cargo de conselheiro sênior da companhia.

Segundo a empresa, a aproximação  se baseia em uma visão compartilhada: a de que a inovação deve servir ao processo criativo e fortalecer o trabalho de quem se dedica a contar histórias.

Esse é um tema controvertido em Hollywood. Profissionais da indústria têm reagido ao uso da IA sob o argumento de que afeta a criatividade e retira empregos do setor. 

Ben Affleck e a origem da InterPositive

Mas Affleck não está entre os que veem o risco como algo inevitável.

No comunicado emitido pela Netflix confirmando a aquisição, nesta quinta-feira (5), o ator  e diretor afirma que começou a observar de perto, em 2022, o avanço inicial da inteligência artificial aplicada à produção audiovisual.

Segundo ele, como cineasta, era possível perceber limitações nesses modelos.

Para que artistas pudessem usar esse tipo de ferramenta na construção de histórias, disse Affleck, seria necessário desenvolver sistemas pensados especificamente para representar e proteger os elementos que fazem uma narrativa funcionar, como as nuances da linguagem cinematográfica, os desafios previsíveis e imprevisíveis de um set, a distorção de uma lente e o comportamento da luz em uma cena.

Affleck também afirmou que o aspecto humano da narrativa precisava ser preservado, especialmente o julgamento criativo formado ao longo de décadas de experiência. Foi a partir dessa percepção, segundo ele, que nasceu a InterPositive.

Desenvolvimento das ferramentas: decisões nas mãos dos artistas

De acordo com Affleck, a empresa começou a construir sua base tecnológica com uma pequena equipe de engenheiros, pesquisadores e profissionais criativos. O grupo filmou um conjunto de dados proprietário em um palco controlado, reproduzindo as condições de uma produção completa.

A ideia, segundo ele, era criar um fluxo de trabalho capaz de registrar o que acontece em um set com um vocabulário compatível com a linguagem já usada por diretores e diretores de fotografia, além de oferecer a consistência e os controles esperados por esses profissionais.

Affleck afirma que o trabalho de pesquisa e desenvolvimento levou ao primeiro modelo da empresa, treinado para compreender lógica visual e consistência editorial, preservando regras cinematográficas mesmo diante de desafios reais de produção, como planos ausentes, substituições de fundo ou iluminação incorreta.

Segundo ele, a InterPositive também criou limites internos para proteger a intenção criativa.

A proposta, afirmou, era permitir uma exploração responsável da tecnologia, mantendo as decisões nas mãos dos artistas e garantindo que os benefícios retornassem diretamente à história que está sendo contada.

Netflix diz que IA deve apoiar e não substituir criadores

No comunicado, a diretora de Produto e Tecnologia da Netflix, Elizabeth Stone, afirmou que a abordagem da empresa para inteligência artificial sempre esteve centrada em atender de forma significativa às necessidades da comunidade criativa e dos assinantes.

Segundo Stone, a equipe da InterPositive se junta à Netflix por compartilhar a visão de que a inovação deve fortalecer contadores de histórias, e não substituí-los.

Ela disse ainda que a tecnologia da empresa foi desenvolvida especificamente para cineastas e profissionais trabalharem com ferramentas que apoiem suas visões criativas de forma natural.


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