O ataque armado na entrada do salão onde acontecia o jantar dos correspondentes da Casa Branca, na noite de sábado (25), interrompeu de forma dramática a primeira participação de Donald Trump como presidente no tradicional evento.
Ele havia boicotado todas as edições de seu primeiro mandato e também a primeira de seu segundo em meio a tensões cada vez maiores com a imprensa tradicional.
Minutos após Trump se sentar no salão principal do Washington Hilton, disparos foram ouvidos do lado de fora da área principal do evento, provocando pânico entre os mais de dois mil convidados, incluindo jornalistas dos principais veículos dos Estados Unidos e correspondentes internacionais.
O caso lembrou outro episódio de violência ocorrido no mesmo hotel envolvendo um evento com o chefe de governo. Em março de 1981, o então presidente Ronald Reagan sofreu uma tentativa de assassinato quando deixava o Washington Hilton após um discurso a sindicalistas.
O tiro disparado por John Hinckley Jr. atingiu Reagan pela axila esquerda, perfurou um pulmão e provocou hemorragia interna. O republicano passou por uma cirurgia de emergência e ficou internado por quase duas semanas.

A diferença do incidente deste sábado em relação ao ataque contra Reagan é os tiros contra ele foram disparados na rua. Em 2026, o episódio aconteceu dentro da área controlada de um evento com a participação do presidente e das principais autoridades governamentais, colocando em questão a eficácia da segurança.
Como foi o ataque no jantar de correspondentes
Jornalistas que estavam mais perto da entrada do jantar com a presença de Donald Trump relataram nas redes sociais terem ouvido de oito a dez disparos.
Agentes do Serviço Secreto correram para proteger o presidente, a primeira-dama e o vice-presidente, retirando-os rapidamente do local enquanto jornalistas e convidados se abaixavam sob as mesas.
As imagens rapidamente tomaram conta das redes sociais e da mídia internacional, postadas por centenas de jornalistas presentes ao encontro.
President Trump and Vice President JD Vance were rushed off the stage after shots were fired at the White House Correspondents’ Dinner.#news pic.twitter.com/YQuG8gzTMf
— MS NOW (@MSNOWNews) April 26, 2026
O suspeito foi identificado por autoridades americanas como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia. Ele havia conseguido entrar no perímetro de segurança por ser hóspede do hotel e foi detido após troca de tiros com agentes.
Trump publicou na Truth Social imagens do suspeito caminhando no prédio. Autoridades disseram que Allen estava armado com uma espingarda, uma pistola e facas.
JUST IN: President Trump posts video of SHOOTER on TruthSocial. pic.twitter.com/mVFkDaldpv
— Donald J Trump Posts TruthSocial (@TruthTrumpPost) April 26, 2026
Trump comparecia pela primeira vez ao jantar como presidente
A presença de Trump no jantar dos Correspondentes da Casa Branca era um dos pontos centrais da edição de 2026, que este ano tinha como tema a Primeira Emenda, que garante a liberdade de expressão.
Criado há mais de um século, o evento costuma reunir presidentes, jornalistas, autoridades, artistas e representantes de veículos de comunicação.
Desde a década de 1920, praticamente todos os presidentes americanos compareceram ao jantar ao menos uma vez. A ausência prolongada de Trump rompeu uma tradição associada à relação institucional entre a Casa Branca e a imprensa, mesmo em períodos de tensão política.
Fontes internacionais apontam que a decisão de Trump de não participar estava ligada ao conflito aberto com veículos de comunicação, que ele acusava de desonestidade e parcialidade.
A relação do presidente com o evento também tinha um antecedente conhecido.
Em 2011, quando ainda era empresário, Trump foi alvo de piadas de Barack Obama durante o jantar, especialmente sobre o movimento “birther”, que questionava falsamente a nacionalidade do então presidente.
Esse momento é frequentemente citado por analistas como um ponto de inflexão na relação de Trump com o encontro e com a imprensa americana.
Jantar de 2026 já ocorria sob pressão
Quando Trump decidiu comparecer ao jantar em 2026, sua presença provocou debates entre organizações jornalísticas e profissionais da imprensa.
Grupos e centenas de jornalistas pediram que a Associação dos Correspondentes da Casa Branca (WHCA, na sigla em inglês) se posicionasse publicamente contra ataques à liberdade de imprensa.
A programação também foi alterada. Pela primeira vez em décadas, não houve comediante, em uma tentativa de evitar confrontos diretos durante a cerimônia.
A associação havia anunciado o mentalista Oz Pearlman como atração oficial, mantendo uma programação de entretenimento sem o formato tradicional de comédia política.
Associação dos Correspondentes interrompeu o jantar
A WHCA informou aos convidados que Trump, a primeira-dama e as demais autoridades estavam em segurança antes de confirmar que o jantar seria interrompido e remarcado.
Depois do ataque, Trump afirmou em um pronunciamento na Casa Branca que o suspeito havia sido preso, agradeceu às forças de segurança e disse que autoridades do governo estavam em segurança. Também afirmou esperar que o jantar fosse remarcado com segurança reforçada.
Em declaração posterior, Trump chamou o suspeito de uma “pessoa doente” e disse que a Presidência é uma “profissão perigosa”. Questionado se acreditava ter sido o alvo do ataque, respondeu que achava que sim.
WATCH: More footage from the evacuation shows President Trump being rushed out of the White House Correspondents’ Dinner following THE SHOOTING.pic.twitter.com/7rIuitqXob
— Donald J Trump Posts TruthSocial (@TruthTrumpPost) April 26, 2026
Trump também comentou a reação de Melania Trump. Segundo relatos da imprensa americana, ele disse que a primeira-dama percebeu rapidamente que o barulho não era de bandejas caindo, mas algo mais grave.
As declarações de Trump dessa vez não foram incendiárias contra a imprensa, como de costume. Analistas americanos destacaram o tom ameno e de unidade adotado pelo presidente.
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