O apresentador americano Jimmy Kimmel usou seu programa exibido pela rede ABC na noite desta segunda-feira (28), para oficializar sua posição sobre a controvérsia com Donald Trump e Melania Trump, reafirmando que uma piada feita sobre a primeira-dama não foi uma incitação à violência e sim uma brincadeira sobre a diferença de idade do casal.
A polêmica ganhou força depois que Melania acusou Kimmel de usar uma retórica “odiosa e violenta” em um comentário satírico feito na semana passada, antes do jantar com correspondentes da Casa Branca ter sido interrompido por um atirador que disse querer assassinar o presidente.
Em nota publicada depois do tiroteio, a primeira-dama acusou o apresentador do Jimmy Kimmel Live!. de alimentar um ambiente político hostil, chamou seu comportamento de “atroz” e afirmou que a ABC não deveria permitir que ele continuasse usando seu espaço no horário nobre da noite.
No programa de segunda-feira, Kimmel ironizou o fato de ter acordado de manhã com um pedido da primeira-dama do país para que ele perdesse o emprego, “uma coisa que acontece com todo mundo um dia”, confirmou que o comentário era uma sátira sobre a diferença de idade – e não pediu desculpas.
Jimmy Kimmel’s opening line tonight: “You know how sometimes you wake up in the morning and the first lady puts out a statement demanding you be fired from your job? We’ve all been there, right?” pic.twitter.com/FiAL5eu0fn
— LateNighter (@latenightercom) April 28, 2026
Jimmy Kimmel e Melania Trump: a piada que virou crise
A nova disputa entre Kimmel e a família Trump começou com um quadro exibido no Jimmy Kimmel Live! em que o apresentador simulava um discurso do presidente no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, que aconteceria dois dias depois.
No trecho, Kimmel disse que Melania Trump tinha “um brilho de viúva em potencial”.
Jimmy Kimmel: “Our First Lady is here. Mrs. Trump… you have a glow like an expectant widow.” pic.twitter.com/LdloPzMyXr
— Breaking911 (@Breaking911) April 26, 2026
Depois do tiroteio, Donald Trump e Melania passaram a apresentar a fala como um exemplo de retórica perigosa contra o presidente.
Em um longo post da rede Truth Social, Trump pediu que a ABC e a Disney, controladora da emissora, demitissem Kimmel. O post foi reproduzido nas redes sociais oficiais da Casa Branca.
President Donald J. Trump Calls on Disney and ABC to Fire Jimmy Kimmel Following His Despicable Call to Violence. pic.twitter.com/W4oxxgBZxv
— The White House (@WhiteHouse) April 27, 2026
Kimmel afirma que piada era sobre diferença de idade
No programa da noite de ontem, 28, Kimmel afirmou que a interpretação feita pelos Trump distorcia o sentido original da piada. Segundo ele, o comentário era uma provocação sobre a idade do presidente, e não uma sugestão de violência.
“Foi uma piada muito leve sobre o fato de ele estar perto dos 80 anos e ela ser mais jovem do que eu”, disse Kimmel, em referência à diferença de idade entre Donald e Melania Trump.
O apresentador completou: “Isso não foi, sob nenhuma definição possível, um chamado ao assassinato”.
Kimmel também expressou solidariedade às pessoas afetadas pelo tiroteio, mas rejeitou a associação entre o quadro humorístico e o ataque.
Sua posição foi construída em torno da ideia de que a frase foi retirada de seu contexto original e reinterpretada depois do episódio de violência.
Ele ironizou ainda um comentário da secretária de imprensa de Trump, Karoline Levitt, antes do evento, dizendo que ‘tiros seriam disparados’, uma gíria para simbolizar farpas ou falas contundentes.
A reação de Melania Trump e a pressão sobre a ABC
Donald Trump reforçou a ofensiva nas redes sociais e defendeu que Kimmel fosse retirado do ar. Para o presidente, a fala do comediante teria ultrapassado os limites da sátira política.
A ABC não havia anunciou nenhuma punição ao apresentador.
A ausência de uma resposta imediata da emissora ocorre em um contexto sensível para a Disney, que já enfrentou pressão política anterior envolvendo o mesmo programa.
Trump já havia mirado Kimmel após comentário sobre Charlie Kirk
Em 2025, o apresentador já havia se tornado alvo de críticas de aliados do presidente após comentários sobre a reação conservadora ao assassinato do ativista Charlie Kirk, fundador da Turning Point USA.
Naquele episódio, a ABC suspendeu temporariamente o Jimmy Kimmel Live! depois de pressão pública de setores conservadores e de autoridades ligadas ao governo Trump.
A decisão provocou reação de artistas, entidades do setor audiovisual e defensores da liberdade de expressão nos Estados Unidos.
O programa voltou ao ar dias depois, mas o caso deixou Kimmel no centro de uma disputa maior sobre humor político, regulação da mídia e pressão governamental sobre emissoras.
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