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Desinformação

Tentativa de ataque a Trump abre espaço para teorias de conspiração na internet

Entrevista de secretária de imprensa e falha em ligação de repórter alimentaram teorias mirabolantes de conspiracionistas

Após ataque frustrado a Donald Trump, teorias da conspiração bombaram nas redes sociais Foto: @nicksortor/X/Reprodução de vídeo

Após ataque frustrado a Donald Trump, teorias da conspiração bombaram nas redes sociais Foto: @nicksortor/X/Reprodução de vídeo




Além de gerar o caos na estreia de Donald Trump no jantar dos correspondentes da Casa Branca, o ataque frustrado contra o presidente abriu espaço para diversas teorias da conspiração envolvendo o nome dele e o episódio.

Seja para validar opiniões pessoais ou para lucrar com a desinformação, as inverdades ganharam espaço nas redes, principalmente no X.

De acordo com a plataforma de análise TweetBinder, o termo “encenado” foi publicado mais de 300.000 vezes no X em um período de pouco mais de 12 horas após o incidente.

Na rede social BlueSky, predominantemente de esquerda, usuários fizeram uma enxurrada de posts contendo somente a palavra “ENCENADO”.

O comportamento é semelhante ao de julho de 2024, quando o então candidato republicano sofreu outra tentativa de ataque em Butler.

Muitos dos posts relembraram o ocorrido da campanha presidencial, chamando o ataque do sábado de “mais uma encenação”.

O que dizem as teorias

Uma das principais teorias de conspiração é de que Trump queria usar o ataque para promover a construção do Salão de Baile da Casa Branca.

Isso foi reforçado pelas falas que o próprio presidente deu após o ocorrido, afirmando que o incidente “nunca teria acontecido” no local em construção, que é alvo de uma batalha judicial.

O projeto deve custar mais de US$ 200 milhões (equivalente a R$ 1 bilhão) e, segundo Trump, seria totalmente bancado pela iniciativa privada. Em abril, porém, um juiz federal ordenou a suspensão das obras por falta de aprovação do Congresso.

Outros afirmaram que o tiroteio foi uma tentativa de aumentar a popularidade do Republicano em um momento difícil.

“Foi uma operação de distração controlada de bandeira falsa para tirar o ciclo de notícias da guerra fracassada de Trump no Irã”, afirmou um usuário, em um post com mais de 33 mil visualizações.

Outras acusações ainda mais sem sentido afirmam que o atirador tinha ligações com Israel e que Trump é vítima de uma chantagem de Benjamin Netanyahu para seguir na guerra.

Fala de secretária de imprensa foi tirada de contexto

Antes do evento, a secretária Karoline Leavitt falou com a Fox News e disse que o discurso do presidente seria um “clássico” de Trump. “Alguns tiros serão disparados hoje”, afirmou Leavitt, em uma menção clara às piadas preparadas para o jantar. E isso deu margem a mais hipóteses dos conspiracionistas.

“O que Karoline Leavitt sabia?”, questiona, em tom tendencioso, uma publicação com 1,4 milhão de visualizações. Tradicionalmente, a participação de presidentes no jantar dos correspondentes tem um discurso em tom de brincadeira, marcado por piadas.

Em outra situação que também envolveu a Fox News, usuários acusaram a Casa Branca de tentar “censurar a mídia” após a ligação de uma correspondente cair no meio de uma transmissão.

Mesmo que a jornalista Aishah Hasnie tenha alertado que o sinal no local não estava bom, um vídeo com mais de duas milhões de visualizações chama a situação de “suspeita”.


Quem lucra com a mentira?

A maioria dos posts com teorias da conspiração seguia disponível mesmo depois de alertas. Nos poucos casos em que os divulgadores das teorias se retrataram, o alcance da correção foi bem menor do que a propagação da mentira.

O caso da jornalista Aiashah Hasnie é um desses exemplos. Enquanto o vídeo da ligação caindo tinha mais de um milhão de visualizações, a conclusão da explicação dela alcançou apenas 125 mil pessoas. Ainda assim, a maioria das respostas a ela diz que ela não fala a verdade.

“Você está mentindo. Vai ter que conviver com a culpa desta enorme mentira”, disse um usuário. “Entendemos que essa é a declaração que você precisa fazer para manter o emprego”, afirmou outro.

Ao jornal The New York Times, a professora Amanda Crawford, da Universidade de Connecticut, disse que as teorias da conspiração servem como uma forma de satisfazer a curiosidade do público, que é mais urgente do que a verificação dos fatos.

“Estabelecer fatos e informações confiáveis leva tempo, mas o público não tem paciência. Portanto, vemos imediatamente narrativas direcionadas para responder o que as pessoas querem saber, muitas vezes, baseadas nos seus próprios vieses.”

Para outros especialistas, isso também acontece porque os “conspiradores” se aproveitam do alcance dos posts para ganhar mais popularidade e, consequentemente, mais dinheiro.

Veículos que repercutiram o caso, como o The Guardian e o The New York Times, procuraram o X para um comentário. Até esta terça-feira (28), eles não receberam respostas.

O que realmente aconteceu no jantar dos correspondentes?

Tiros começaram minutos após Trump se sentar no salão principal do Washington Hilton, que sediava o evento. A situação, que aconteceu fora do salão onde o presidente estava, causou pânico entre os mais de dois mil convidados.

Entre os presentes no local estavam jornalistas dos principais veículos dos Estados Unidos e correspondentes internacionais. Quem estava mais perto da entrada do jantar relatou que ouviu de oito a dez disparos.

Agentes do Serviço Secreto correram para proteger o presidente, a primeira-dama e o vice-presidente, retirando-os rapidamente do local. Jornalistas e convidados, por sua vez, se abrigaram sob as mesas.

Autoridades americanas identificaram o atirador como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia. Ele entrou no perímetro de segurança por ser hóspede do hotel. Após troca de tiros, os agentes o imobilizaram e prenderam.

Trump publicou na Truth Social imagens do suspeito caminhando no prédio. Autoridades disseram que Allen estava armado com uma espingarda, uma pistola e facas.


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