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Jimmy Kimmel

‘Blindado’ pela Disney, Kimmel faz mais piadas sobre Trump desafiando revisão de licenças da ABC anunciada por regulador

Anúncio da revisão aconteceu após Trump e Melania acusarem o apresentador de “retórica odiosa e violenta” por um esquete cômico sobre a diferença de idade do casal, apresentando-a como ‘viúva em potencial’.

Jimmy Kimmel, apresentador do talk show Jimmy Kimmel live, em foto de arquivo Imagem: Reprodução/Youtube)

Jimmy Kimmel, apresentador do talk show Jimmy Kimmel live, em foto de arquivo Imagem: Reprodução/Youtube)



A revisão das licenças marca mais um capítulo envolvendo Donald Trump e o comediante, que em 2025 foi suspenso por uma semana após uma polêmica envolvendo um comentário ao vivo sobre a morte de Charlie Kirk.


Mesmo após a FCC (Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos) ter emitido uma ordem formal obrigando o canal ABC a passar por uma revisão imediata das suas licenças após Jimmy Kimmel se recusar a pedir desculpas por uma piada apresentando Melania Trump como ‘viúva em potencial’ devido à diferença de idade em relação ao presidente, o comediante não se dobrou – nem a rede.

O programa de Kimmel foi normalmente ao ar nesta quarta-feira (29), com mais piadas envolvendo o nome do republicano. Na segunda-feira (27), ele pediu formalmente a suspensão do apresentador sob o argumento de que a piada, feita antes do jantar de correspondentes interrompido por um atirador, teria incitado a violência contra ele.

Mais piadas sobre os Trump

No monólogo de 13 minutos que abriu o show, Kimmel foi fortemente aplaudido. Ele chamou o republicano de “John Wick gordo” e “dumbo” ao falar sobre as bravatas postadas pelo presidente na rede social Truth envolvendo a guerra do Irã.

 

Além disso, um esquete de dois minutos se dedicou a falar o quanto Trump era velho e sugeriu que ele se aposentasse. 

Apesar de não fazer menção direta ao pedido de demissão, o comediante mencionou que teve uma “semana difícil” com Melania e Trump e fez uma nova piada sobre os dois.

“Eles parecem mais próximos do que nunca. Eu gosto de pensar que tive um papel nisso.”

Falando de uma foto de IA postada por Trump, ele tambem mencionou o jantar dos correspondentes.

“O que aconteceu no jantar foi muito assustador e ele esperou três dias inteiros até postar uma foto segurando um fuzil.”

Revisão nas licenças da ABC

O anúncio da revisão, embasado por um processo de 2025, surge como mais uma tentativa de censura ao canal, que chegou a suspender o apresentador após comentários sobre Charlie Kirk, mas depois voltou atrás.

De acordo com o protocolo da FCC, a ABC só precisaria se submeter a revisões para renovar sua licença em 2028. No entanto, sob o guarda-chuva do governo Trump, a Comissão decidiu acionar uma cláusula pouco usada da lei para adiantar esse processo.

A cláusula permite a aceleração da revisão se o governo encontrar “preocupações significativas” na condução do canal. Assim, a comissão usou uma investigação aberta em 2025 para justificar legalmente a revisão.

A investigação usada como pretexto analisa se a ABC cometeu discriminação ao promover programas de inclusão e diversidade, considerados “ilegais e imorais” pelo governo.

Agora, como parte do processo, a FCC pode pedir que a Disney, controladora da ABC, submeta em até 30 dias um pedido de renovação das licenças de todas as emissoras. O órgão pode autorizar ou negar o pedido.

Caso ele seja negado, a empresa terá a oportunidade de defender seu caso em uma audiência, que pode ser julgada por comissários da própria FCC ou por um juiz administrativo.

Caso o governo decida revogar a licença, a ABC poderá recorrer a tribunais federais e continuará com a sua programação normal durante a batalha legal. Se, efetivamente, a FCC conseguir revogar a licença, esta será a primeira vez em mais de 40 anos que isso acontece, segundo a agência de notícias Reuters.

Disney seguirá apoiando Kimmel, diz site

Diante da pressão legal, nem a Disney nem a ABC informaram se Kimmel seria punido pelo que foi falado, mas o fato de ele continuar no ar e ter falado novamente do caso sinaliza que tudo segue normal.

Em comunicado à imprensa sob re as licenças, a companhia informou que suas emissoras “têm um longo histórico de operação em total conformidade com as normas da FCC”.

A Disney disse, ainda, que está focada em “servir aos telespectadores nas comunidades locais”.

Nos bastidores, porém, a informação é de que a companhia apoia o apresentador, segundo fontes do Page Six. O canal seguiu com as gravações normalmente e “não planeja suspendê-lo, demiti-lo ou cancelar o programa”.

A comissão que pode julgar um provável recurso da Disney caso a FCC queira revogar a licença tem dois republicanos e uma democrata. Em comunicado divulgado pouco após a ordem de revisão, a única democrata do grupo, Anna M. Gomez, disse que a ordem é uma “manobra política”.

“Isso é inédito, ilegal e não vai dar em nada”, complementou Gomez. Ela disse, ainda, que as empresas precisam contestar a ação de frente.

Atualmente, Kimmel tem um contrato válido até 2027 com a ABC. Esse contrato, inclusive, foi atualizado após a polêmica envolvendo o nome de Charlie Kirk.

Piada de Kimmel desencadeou crise


Dias antes do jantar dos correspondentes na Casa Branca, o apresentador da ABC fez uma piada chamando a primeira-dama de “viúva em potencial”. Logo após a tentativa de ataque contra Trump no evento, a Casa Branca divulgou um comunicado assinado por Trump exigindo a demissão do comediante.

De acordo com o posicionamento de Trump, a fala de Kimmel foi “realmente chocante”. O presidente falou, ainda, que a fala do comediante foi um “chamado desprezível para a violência”.

Na terça-feira (28), o apresentador explicou que a interpretação do presidente distorcia a piada. De acordo com ele, o comentário foi uma referência à diferença de idade dos dois. “Foi uma piada muito leve sobre o fato de ele estar perto dos 80 anos e ela ser mais jovem do que eu”, afirmou.

Melania Trump também pediu a demissão do comediante e disse que ele “se esconde atrás da ABC”. “Já chega. Está na hora da ABC tomar um posicionamento”, afirmou.

Histórico de polêmicas

Está não é a primeira vez que Trump pressiona a ABC por não gostar das falas de a Kimmel. Em 2025, aliados do presidente criticaram o comentário que o apresentador fez sobre as suas reações à morte do extremista Charlie Kirk.

“A gangue MAGA está desesperadamente tentando caracterizar esse garoto que matou Charlie Kirk como qualquer coisa que não seja um dos seus”, afirmou.

Naquela época, Brendan Carr, Presidentente da FCC, ameaçou agir não só contra a ABC, mas também contra a Disney, sua controladora. Ao comentar o assunto, ele chamou a fala de Kimmel de “a conduta mais doentia possível”.

Emissoras afiliadas da ABC se recusaram a seguir transmitindo o show e o canal suspendeu o programa e o apresentador temporariamente. Kimmel voltou ao ar com um esquete encenada por Robert De Niro no papel de Brendan Carr.


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