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Cinema documental

Documentário dirigido por indígena do Xingu é premiado em Toronto e se qualifica para concorrer ao Oscar

Replikka conta a história da reconstrução de uma gruta sagrada do Alto Xingu que foi vandalizada em 2018

Heloisa Passos e Piratá Waurá dividem a direção de Replikka

Heloisa Passos e Piratá Waurá dividem a direção de Replikka (foto: divulgação)




O curta-metragem Replikka, co-dirigido pelo cineasta indígena Piratá Waurá (território do Xingu) e pela premiada diretora Heloisa Passos, foi eleito o Melhor Curta-Metragem Documental Internacional do Hot Docs 2026, o maior festival de documentários da América do Norte e um dos mais importantes do mundo.

O filme retrata a reconstrução de uma gruta sagrada vandalizada em 2018. Com o prêmio em Toronto anunciado neste sábado (2), a produção está qualificada para concorrer ao Oscar de Melhor Documentário Curta-Metragem em 2027.

Piratá Waurá e Heloísa passos (foto: divulgação)

Primeiro curta-metragem brasileiro com co-direção de um cineasta indígena a vencer o prêmio, Replikka é inteiramente falado na língua indígena, aruaki, e realizado com apoio de jovens da aldeia.

Documentário premiado retrata a luta para preservação da cultura indígena

Replikka documenta a luta do povo Wauja, do Alto Xingu, pela preservação e demarcação de seu principal patrimônio cultural: a gruta sagrada do Kamukuwaká, tombada pelo IPHAN e vandalizada em 2018.

Considerada o “livro do conhecimento” para os povos do Alto do Xingu, a gruta original tinha paredes talhadas com inscrições ancestrais que há séculos transmitiam ensinamentos fundamentais para as novas gerações – os rituais, pinturas corporais, cantos e a cosmologia xinguana.

Em resposta a essa violência, o filme acompanha o ritual de inauguração da réplica em tamanho real da gruta, realizada em outubro de 2024. A obra foi criada a partir da digitalização tridimensional das inscrições originais, unindo tecnologia à sabedoria ancestral.

O trabalho foi fruto de uma parceria de quase dez anos para recuperação do patrimônio e da memória coletiva do Xingu entre o povo Wauja, a organização não-governamental People’s Palace Projects, da Queen Mary University of London, a Factum Foundation (Espanha) e lideranças indígenas locais.

 A obra foi criada a partir da digitalização tridimensional das inscrições originais, unindo tecnologia à sabedoria ancestral xinguana.

“O prêmio no Hot Docs reconhece não apenas nossa obra, mas a luta do nosso povo por memória e demarcação”, disse Piratá Waurá.

Heloisa Passos e Piratá Waurá recebem prêmio por documentário no Festival de Toronto
Heloisa Passos e Piratá Waurá (foto: divulgação)

Antes do Hot Docs, Replikka já havia conquistado Melhor Direção e Melhor Edição de Som no Festival de Brasília, o Prêmio Canal Brasil no Panorama Coisa de Cinema e uma Menção Honrosa no Festival de Guadalajara.

Na  COP28 , Piratá Waurá apresentou uma coletânea de fotografias sobre o trabalho de reconstrução.


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