Uma exposição em Paris está revisitando a obra de Martin Parr, um dos grandes nomes da fotografia contemporânea mundial, a partir de um recorte ligado à crise climática e aos excessos da vida moderna que ele registrou em sua longa carreira.
Morto em dezembro de 2025, aos 73 anos, o britânico deixou um dos olhares mais reconhecíveis — e irônicos — sobre o consumo, o turismo de massa, a cultura do automóvel e a forma como as sociedades modernas ocupam e transformam o planeta.

Em cartaz no Jeu de Paume, em Paris, Martin Parr: Global Warning reúne cerca de 180 imagens produzidas ao longo de cinco décadas, dos trabalhos em preto e branco do fim dos anos 1970 às séries mais recentes.
A mostra foi concebida com curadoria de Quentin Bajac, em colaboração com o próprio Parr e Clémentine de la Féronnière, antes da morte do fotógrafo.
Martin Parr e a crise climática do cotidiano
Parr nunca se apresentou como fotógrafo ambientalista no sentido convencional. Seu método era outro: observar praias, supermercados, aeroportos, pontos turísticos, feiras, animais, carros, aviões e telas para revelar, com humor típico britânico e um tom de desconforto, os hábitos que sustentam a crise climática.

(© Martin Parr / Magnum Photos)

À primeira vista, suas imagens parecem leves, coloridas e até engraçadas. Mas por trás da aparência cotidiana está uma crítica direta ao mundo que consome, viaja e descarta como se não houvesse consequência.

Veja as fotos da exposição de Martin Parr em Paris
A exposição é organizada em cinco núcleos temáticos, dedicados ao impacto ambiental do lazer, à obsessão consumista, às contradições do turismo global, à relação ambígua entre humanos e animais e às dependências tecnológicas. O calor extremo e o turismo de massa estão entre seus temas preferidos.






Parr era um dos que se incomodava com turistas fotografando tudo ou fazendo selfies em vez de apreciar a viagem ou mesmo uma obra de arte como a Monalisa – uma crítica indireta ao turismo em excesso e ao consumo de recursos ambientais.



Uma Torre Eiffel em Las Vegas e uma praia artificial em um ambiente fechado simulando a natureza no Japão estão entre as cenas que ele documentou com olhar crítico.


A preocupação ambiental de Parr foi além das viagens. Nessa imagem clássica de sua obra, presente em vários livros e retrospectivas, uma família aprecia um espetáculo perigoso para planeta: tratores e caminhões expelindo fumaça negra.

Martin Parr, uma lenda da fotografia mundial
Nascido em Epsom, no Reino Unido, em 1952, Parr vivia em Bristol, onde morreu em 6 de dezembro de 2025.
Integrante da agência Magnum Photos desde os anos 1990, ele publicou mais de 100 livros, presidiu a Magnum entre 2013 e 2017 e recebeu, entre outros reconhecimentos, o prêmio Outstanding Contribution to Photography, do Sony World Photography Awards, em 2017.
Seu legado também passa pela Martin Parr Foundation, criada em Bristol para preservar e promover a fotografia britânica e irlandesa.






