Londres –  Após dois dias na prisão em Marselha, a jornalista investigativa Ariane Lavrilleux foi libertada na noite desta quinta-feira (21) sem receber acusações formais relacionadas às reportagens que publicou no site Disclose a respeito de ações militares das forças armadas da França no Egito. O prazo máximo de detenção no país para pessoas não indiciadas é de 48 horas.

Na terça-feira, agentes da polícia acompanhados de um juiz passaram 10 horas em sua casa fazendo revistas e interrogatórios, conduzindo-a em seguida para uma unidade policial, como parte de um processo movido pelo Ministério Público investigando “violação de segredo de defesa nacional. 

A jornalista anunciou que havia saído da prisão pelo Twitter/X, com uma foto em que comemora a saída da cadeia e a hashtag #JournalismNotACrime. 

Jornalista agradeceu apoio após sair da prisão na França 

No post, ela diz em inglês, francês e árabe: 

“Estou livre, obrigada pelo seu apoio”

A prisão da jornalista na França provocou reação das principais entidades de defesa da liberdade de imprensa e de expressão do mundo, como Repórteres Sen Fronteiras, Anistia Internacional e Federação Internacional do Jornalista, por colocar em risco um princípio fundamental do jornalismo investigativo: o sigilo das fontes.

Manifestação contra operação que terminou com jornalista investigativa francesa presa em Marselha
Foto: Presse-Papiers via Twitter

Em uma série de reportagens baseadas em documentos confidenciais obtidos pela jornalista publicadas em 2021, o site Disclose denunciou que o governo da França teria colaborado com informações para que o Egito praticasse ataques a bomba contra pessoas acusadas de contrabando na fronteira com a Síria. 

Em nota, a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, disse: 

“É profundamente assustador que, quase dois anos após as revelações de que a França foi alegadamente cúmplice nas execuções extrajudiciais de centenas de pessoas no Egito, é a jornalista que expôs estas atrocidades que está no alvo, e não os responsáveis.”

A Repórteres Sem Fronteiras, que tem sede na França, disse: “Receamos que as ações da DGSI (órgão de inteligência) possam minar o sigilo das fontes”. 

Segundo a rede France24, um ex-militar também detido na terça-feira terá que comparecer perante um magistrado para enfrentar novas acusações.