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Cinema

Documentário ‘Melania’ desagrada crítica mas arrecada US$ 7 milhões no fim de semana de estreia nos EUA

Filme é o documentário mais caro da história do cinema; arrecadação pode não compensar investimento na produção

Donald e Melania Trump com banner do documentário Melania ao fundo

Donald e Melania Trump no lançamento do filme (foto: divulgação)



Com bilheteria de US$ 7 milhões no fim de semana de estreia, o documentário Melania bateu recorde entre produções não musicais nos EUA, consolidando a força do nome Trump nas telas.


O documentário Melania, que acompanha os vinte dias que antecederam a posse de Donald Trump em janeiro de 2025 sob a perspectiva da primeira-dama, estreou nos cinemas dos Estados Unidos com números surpreendentes de bilheteria.

O lançamento oficial aconteceu em 29 de janeiro no Kennedy Center, em Washington, em um evento fechado com tapete vermelho, presença de Donald e Melania Trump e convidados do casal.

Segundo dados oficiais divulgados pelo estúdio Amazon MGM Studios, responsável pela produção e distribuição, o filme arrecadou cerca de US$ 7 milhões em seu primeiro fim de semana.

A cifra superou as expectativas iniciais, que estimavam uma abertura entre US$ 3 e 5 milhões.

O desempenho coloca Melania como a estreia mais lucrativa de um documentário não musical em mais de uma década, transformando a obra em um fenômeno comercial inesperado.

Público conservador domina salas de exibição

Segundo a empresa de análise EntTelligence, mais de 70% da audiência no fim de semana de estreia de Melania foi composta por mulheres acima de 55 anos.

A estimativa é de que cerca de 600 mil pessoas assistiram ao filme nos primeiros dias.

O documentário teve desempenho superior à média em cidades de perfil conservador como Dallas, Orlando e West Palm Beach, enquanto registrou resultados fracos em grandes centros urbanos como Nova York e Los Angeles.

Investimento recorde impulsiona visibilidade

Dirigido por Brett Ratner — que retorna ao cinema após anos afastado devido a acusações de má conduta e aparece em fotos junto com o pedófilo Jeffrey Epstein— o projeto conta com a própria Melania Trump listada como produtora.

“Meu novo filme, ‘Melania’, oferece uma janela para um período importante para os Estados Unidos, a 47ª posse presidencial”, disse ela. “Pela primeira vez na história, as pessoas testemunharão os 20 dias que antecedem a posse, pelos olhos de uma futura primeira-dama.”

A Amazon adquiriu os direitos por US$ 40 milhões e investiu outros US$ 35 milhões em marketing.

Com custo total estimado em US$ 75 milhões, Melania tornou-se o documentário mais caro da história.

Apesar do sucesso inicial, o elevado investimento levanta dúvidas sobre a rentabilidade do filme, que dependerá de um desempenho sustentado nas próximas semanas e de uma forte presença em plataformas de streaming.

A participação da Amazon no projeto ocorreu em um momento de reconfiguração das relações entre as grandes empresas de tecnologia e o poder político nos Estados Unidos.

Jeff Bezos, dono da Amazon e do Washington Post, foi um dos executivos do setor que se aproximaram de Donald Trump na reta final da campanha eleitoral de 2025.

Ele integra um grupo de líderes das Big Techs que vêm sendo apontados como beneficiários da menor disposição do novo governo em adotar regulações mais rígidas para plataformas digitais.

Críticas negativas contrastam com apoio do público

A recepção da crítica especializada  a Melania foi amplamente negativa, em contraste com o entusiasmo do público conservador revelado pela bilheteria recorde.

No site Rotten Tomatoes, apenas 7% dos críticos aprovaram o filme, enquanto o público registrou uma aprovação de 99%. No Metacritic, Melania recebeu a nota 4/100, sendo classificado como “desprezo esmagador” (overwhelming dislike).

O site Variety descreveu o filme como “orquestrado e retocado”, criticando a falta de autenticidade da narrativa.

O Hollywood Reporter foi ainda mais direto, chamando a obra de “propaganda descarada” e um “fawn job” — expressão usada para indicar uma abordagem bajuladora em relação à figura retratada.

A Fox News, por sua vez, destacou a divisão entre crítica e público, apontando que enquanto especialistas acusam o documentário de ser uma peça de propaganda política, espectadores elogiaram o retrato íntimo e emocional da ex-primeira-dama.

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