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Repressão na China

China prende jornalistas após denúncia de corrupção envolvendo dirigente do Partido Comunista

Liu Hu, um conhecido jornalista investigativo, é um dos presos após a reportagem publicada no WeChat



Liu Hu, um veterano jornalista chinês, e seu assistente Wu Lingjiao foram presos na China após reportagem investigativa sobre corrupção publicada na rede social WeChat, sob acusação de "falsas acusações" e "operações comerciais ilegais".


País com mais profissionais de imprensa presos no mundo, a China deteve esta semana mais dois: Wu Yingjiao e Liu Hu, dois jornalistas independentes, foram capturados pela polícia sob a acusação de “fazer falsas acusações” e “operações comerciais ilegal”.

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a detenção aconteceu três dias após os dois terem publicado uma reportagem investigativa na rede social chinesa WeChat no dia 29 de janeiro, denunciando atoe corrupção praticados por Pu Fayou, o Secretário do Partido Comunista do Condado de Pujiang, localizado na província de Sichuan.

Liu Hu é um veterano jornalista investigativo chinês, e Wu Yingiao foi seu colaborador na reportagem, excluída do WeChat após a prisão.

Depois que a investigação foi publicada e antes de ser preso, Liu Hu postou no WeChat capturas de tela de mensagens que recebeu de um membro da equipe da Comissão de Inspeção Disciplinar e da Comissão de Supervisão da Cidade de Chengdu, informou a RSF.

Nas mensagens, o funcionário pediu a Liu duas vezes que entrasse em contato com a comissão e disse ao jornalista que as reclamações deveriam ser apresentadas através de canais oficiais, em vez de publicadas na mídia.

Os jornalistas presos por denunciar corrupção na China

Wu Yingjiao é um jornalista investigativo e fotógrafo freelancer que foi selecionado para vários prêmios de jornalismo, de acordo com o site de notícias chinês independente Weiquanwang.

Liu Hu é um ex-repórter investigativo da New Express, que ganhou reputação por revelar grandes casos sobre a corrupção de funcionários públicos da China.

Ele foi detido pela polícia de Pequim em 2013 sob acusações de “criar brigas e provocar problemas” por supostamente “fabricar e espalhar rumores”, uma acusação usada com frequência para criminalizar jornalistas e ativistas.

Ele foi libertado sob fiança depois de passar 364 dias em detenção. Liu também foi selecionado como um dos “100 heróis da informação” pela Repórteres Sem Fronteiras em 2014.

Aleksandra Bielakowska, gerente de defesa da RSF na região Ásia-Pacífico, declarou que a organização ficou “horrorizada”  com a detenção de Liu Hu e Wu Yingjiao, uma evidência do quanto a China se tornou hostil diante de denúncia de jornalistas independentes.

“Sob a liderança de Xi Jinping, o controle sobre a cobertura de notícias atingiu níveis quase totalitários, com jornalistas independentes tratados como uma ameaça ao Estado.

Apelamos à comunidade internacional para intensificar a pressão sobre o regime chinês, em vez de buscar uma normalização das relações que só permita uma maior repressão e permita que as autoridades continuem visando repórteres confiáveis.”

Jornalismo é profissão perigosa na China

A RSF salienta que o jornalismo se tornou “uma profissão muito perigosa” na China, à medida que a repressão aos veículos independentes e confiáveis se intensifica constantemente.

Quase todos os meios de comunicação oficiais são controlados pelo Estado, forçando os jornalistas do país a recorrem a plataformas de mídia social, como o WeChat, para fazer networking, encontrar fontes e publicar seu trabalho – apesar da severa censura e vigilância estatal dessas plataformas.

Eles geralmente cobrem questões sociais e políticas publicando automaticamente em contas públicas, apesar do alto risco de ter seus artigos excluídos e sua conta suspensa. Esses repórteres frequentemente usam pseudônimos e tomam precauções para evitar a detecção, diz a organização de liberdade de imprensa.

Repressão na China lembra a era Mao

A Repórteres Sem Fronteiras compara o cenário desde que o líder Xi Jinping chegou ao poder em 2012, à era de Mao Tse Tung: o jornalismo independente é criminalizado e severamente punido.

“Essa repressão sistemática à imprensa está agora sendo exportada além das fronteiras da China por meio de repressão transnacional, aquisições da mídia e outras táticas insidiosas como parte de uma estratégia deliberada para silenciar as críticas e promover o modelo autoritário de Pequim”, acusa a organização.

De acordo com o acompanhamento da RSF, a China é a maior prisão de jornalistas do mundo, com 123 atualmente detidos, e ocupa o 178o lugar entre 180 países e territórios no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF de 2025.

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