O presidente Donald Trump voltou a atacar uma jornalista mulher após uma pergunta que o desagradou.
O alvo da vez foi Kaitlan Collins, repórter conhecida e respeitada, principal correspondente da CNN na Casa Branca e apresentadora do programa “The Source”.
Em uma entrevista coletiva no Salão Oval da Casa Branca nesta quarta-feira (4), a repórter tentava questionar Trump sobre críticas de sobreviventes de abuso sexual ligadas ao caso Jeffrey Epstein. Elas avaliaram que os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça vieram com censuras excessivas e pouca transparência.
Trump, porém, interrompeu a pergunta e desviou do tema com ataques pessoais. Ele evitou responder sobre os arquivos e passou a criticar a repórter e a emissora.
O momento em que Trump ataca a jornalista
“Você é tão ruim. É a pior repórter. A CNN tem baixa audiência por causa de pessoas como você. É uma jovem mulher e nunca a vi sorrir. Conheço-a há 10 anos e nunca vi um sorriso no seu rosto.”
“Estou falando sobre sobreviventes de abuso sexual”, respondeu Collins, tentando seguir com a pergunta.
Mas Trump continuou o mesmo discurso: “Sabe porque não sorri? Porque sabe que não está adizendo a verdade. É uma organização muito desonesta e deviam ter vergonha”.
President Trump argues the country should move on from the Epstein files and lashes out when asked about the survivors’ response to the latest release from the Justice Department. pic.twitter.com/NB2IJntX3h
— Kaitlan Collins (@kaitlancollins) February 4, 2026
CNN reage e defende a repórter
Após o episódio, a CNN se manifestou em defesa de Kaitlan Collins, que desagrada o presidente há muito tempo: Em 2018, ela chegou a ser barrada de um evento na Casa Branca após insistir em questionamentos sobre a investigação da Rússia.
Comentando sobre o episódio desta quarta-feira, a emissora afirmou que a repórter estava apenas exercendo seu papel jornalístico e que a pergunta era legítima e relevante para as sobreviventes de abuso.
O caso reforça a tensão recorrente entre Trump e a imprensa, especialmente a CNN, alvo constante de suas críticas.
Enquanto o presidente insiste em associar jornalistas à queda de audiência e falta de credibilidade, veículos e profissionais defendem o direito de questionar autoridades sobre temas de interesse público.
Ataque a jornalista reforça padrão de confronto com repórteres mulheres
O episódio com Kaitlan Collins não é isolado. Trump tem histórico de ataques a jornalistas mulheres.
Em diferentes ocasiões, já chamou repórteres de “irritantes”, “despreparadas” e “péssimas”, interrompendo perguntas e transformando coletivas em confrontos pessoais.
Em novembro de 2025, a repórter do New York Times Katie Rodgers foi chamada de “feia por dentro e por fora” após uma reportagem sobre sinais de envelhecimento do presidente.
Pouco dias antes Trump insultou Mary Bruce, da ABC News, durante uma coletiva na Casa Branca com a presença do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman por uma pergunta sobre o assassinato do jornalista Jamal Kashoggi.
Outro alvo recente foi Catherine Lucey, da Bloomberg, que ouviu um indelicado “Cala a boca, porquinha” ao fazer pergunta sobre os arquivos Epstein durante uma conversa de jornalistas com o presidente a bordo do Air Force One.
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