O Conselho Europeu de Editores fez uma queixa formal nessa segunda-feira (9) contra o Google, acusando a empresa de violar práticas antitruste da União Europeia. As funcionalidades AI Overviews e AI Mode da plataforma são as responsáveis pela violação, segundo os editores.
O primeiro fornece resumos de notícias gerados por IA no topo da página de resultados de busca, antes dos links. O outro atua como um chatbot que responde na forma de conversa, como as demais ferramentas do gênero como o ChatGPT.
De acordo com os editores, o Google usa conteúdo jornalístico sem autorização e sem remuneração aos jornais nos seus resumos de notícias. Devido a isso, o tráfego que iria para os sites se perde, o que diminui a audiência e, consequentemente, as receitas das empresas jornalísticas.
Conselho nega que ato seja ‘resistência’ à IA
O grupo afirma que “nenhuma quantia em dinheiro poderá recuperar o público perdido” com essa nova modalidade. O presidente do conselho, Christian Van Thillo, assinou a nota.
“As funcionalidades do AI Overviews e AI Mode minam fundamentalmente o pacto econômico que sustentou a internet aberta.”
Os editores classificam as ações do Google não só como uma forma de apropriação do conteúdo dos editores sem consentimento, mas também como um enfraquecimento da confiança dos leitores. Os sites independentes, regionais e segmentados serão os primeiros a sofrer as consequências, afirmou Van Thillo.
Eles afirmam que o conteúdo produzido pelos jornais tradicionais é valioso para treinar a inteligência artificial. “Eles são precisos, atuais, bem estruturados e exigem limpeza mínima”, diz nota.
Queixa complementa investigação aberta pela União Europeia
Anteriormente, em dezembro de 2025 o bloco abriu uma investigação formal antitruste contra o Google. O intuito do inquérito, segundo a própria União Europeia, era examinar se a empresa impôs condições injustas a editores e criadores, ao mesmo tempo que se beneficiava do acesso privilegiado aos dados deles.
As autoridades também questionam se o Google impediu criadores de recusarem o uso do recurso sem perder acesso aos serviços. A hipótese de que a gigante da tecnologia “boicote” os comunicadores que se recusem a ceder os dados é grave, já que muitos sites são dependentes do tráfego gerado pelo Google Search.
Google diz que alegações são “imprecisas”
Um porta-voz da empresa afirmou hoje que ação dos editores ocorre para “impedir novos recursos úteis de IA que os europeus desejam”.
Projetamos nossos recursos de inteligência artificial para entregar conteúdo de alta qualidade na web e fornecemos controles fáceis de usar para que os usuários gerenciem o conteúdo.
Histórico de tensões com veículos de imprensa
A tensão entre veículos de notícias e o Google, de fato, não é novidade e esta também não é a primeira vez que o assunto é levado a instâncias de governo.
Autoridade de Competição e Mercados do Reino Unido propôs, em janeiro, um pacote de medidas para chegar a um “meio termo” nas notícias resumidas por IA. O pacote previa que editores escolhessem se querem ou não ser incluídos nos treinamentos da IA do Google.
Também no Reino Unido, em dezembro de 2024 o governo propôs uma lei que autoriza empresas de tecnologia a usar conteúdos de notícias ou artísticos para treinar modelos de lA, sem que seja necessário pagar direitos autorais.
O projeto enfureceu não apenas empresas de mídia, mas também artistas. Paul McCartney e Elton John fizeram críticas públicas sobre o caso.
O que é o Conselho Europeu de Editores
CEOs e presidentes de grupos de mídia da Europa criaram o conselho em 1991. O intuito do grupo é debater questões que podem prejudicar meios de comunicação e outras empresas jornalísticas da União Europeia.
Atualmente, o presidente do grupo é o presidente executivo do conglomerado belga DPG Media. Também estão na formação do Conselho a CEO do The Guardian, Anna Bateson, e o presidente internacional do New York Times, Stephen Dunbar-Johnson.
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