Em meio à campanha pelo Oscar, o ator brasileiro Wagner Moura foi escolhido pelo jornal The Washington como uma das 50 pessoas mais influentes do mundo em 2026.
Ele também foi um dos cinco eleitos pelo jornal para ilustrar a página especial da lista “Next 50”.
A lista tem foco nos Estados Unidos e não está repleta de nomes famosos mundialmente, como é comum nesse tipo de seleção. O jornal explica que embora alguns não sejam conhecidos do grande público, exercerão influência significativa em suas áreas este ano.
Além de Wagner Moura, alguns dos nomes que se destacam são Kai Trump, neta do presidente, Katseye, a banda de k-pop que vem fazendo sucesso mundial, e Zohran Mandani, o prefeito de Nova York.
Wagner Moura é influente nos EUA
A escolha de Wagner Moura é justificada por seu papel em O Agente Secreto, mas o jornal também conta um pouco de sua biografia, sua relação com o carnaval e seus posicionamentos políticos.
“Ao promover “O Agente Secreto”, Moura — que obteve a cidadania americana durante o governo Biden e se considera “um americano orgulhoso” — provou ser um ator que não apenas apoia causas usando fitas, mas que defende suas crenças políticas de forma franca e pública.
Ele não hesita em chamar a guerra em Gaza de “genocídio” ou denunciar o “racismo” das atividades do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). “Acredito que a imigração faz parte da base deste país. Mas, independentemente da sua posição política… Você não pode tratar seres humanos dessa maneira”, afirma.”
No perfil do ator, o jornal lembra sua história profissional, que começou no jornalismo, e falou de seus planos futuros.
“Ele estudou jornalismo antes de se dedicar ao teatro — experiência que utilizou para interpretar um repórter de guerra experiente em “Guerra Civil”, de Alex Garland. Neste verão, ele estará em turnê por festivais de teatro europeus com uma adaptação interativa de “Um Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen, da qual é coautor.
Seu primeiro longa-metragem como diretor, “Marighella”, sobre uma ativista afro-brasileira dos anos 60, teve sua estreia bloqueada por dois anos por Bolsonaro, segundo ele. Em breve, dirigirá seu segundo longa, “Last Night at the Lobster”, que ele descreve como uma história natalina “anticapitalista” sobre funcionários demitidos de uma rede de fast-food.”
O foco da lista do Washington Post é a influência dos eleitos nos Estados Unidos, e não mundialmente. Assim, o jornal destaca que ele vive nos EUA, que já obteve a cidadania e que se diz um “americano orgulhoso”.
A lista do Washington Post
A lista é publicada no começo do ano porque, segundo o jornal, ela olha para o futuro. “A Next 50 não é sobre quem já chegou lá. É sobre o que está por vir”, explica o Washington Post.
Este é o segundo ano que o jornal escolhe as pessoas “que estão ativamente remodelando a forma como os Estados Unidos pensam, trabalham, se conectam e criam.”
“Isto não é um prêmio. Não há troféus nem rankings — apenas reportagem. Jornalistas do Washington Post, com base em fontes aprofundadas, selecionaram as pessoas que definirão as histórias de 2026. Aquelas que já estão ditando as próximas manchetes, quer você torça por elas ou não.”
Contexto da escolha de Wagner Moura como influente
Wagner Moura foi escolhido enquanto está em plena campanha pelo Oscar. Ele está indicado na categoria de Melhor Ator por seu trabalho em O Agente Secreto.
Para ganhar uma estatueta, não basta ter o melhor desempenho em cena, é preciso promover o filme e a si mesmo de forma ativa. O objetivo é aumentar o máximo possível a visibilidade, o que pode ser feito por meio de participação em eventos e entrevistas, por exemplo.
Imigração nos EUA
Além do Oscar, a escolha de Wagner, um imigrante que vive nos EUA há quase 10 anos, também vem em um momento em que o governo do presidente Donald Trump fecha o cerco sobre a imigração no país.
O ICE, a polícia de imigração, já matou duas pessoas (Renee Good e Alex Pretti) e há meses prende diariamente imigrantes, especialmente latinos e alguns deles com situação regular nos EUA.
Assim, a escolha de Wagner Moura, um homem latino e que se orgulha de sua brasilidade, também é um posicionamento relevante. “Acho que a imigração faz parte da base deste país. Mas, independentemente da sua posição política… Não se pode tratar seres humanos dessa forma”, disse Moura ao Post.
A lista também foi divulgada apenas alguns dias após a apresentação do porto-riquenho Bad Bunny na final do campeonato de futebol americano, o Super Bowl. O show trouxe uma forte mensagem política e suscitou críticas de conservadores e do próprio Trump.
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