Três jornalistas libaneses foram mortos neste sábado (28) após um ataque israelense atingir o veículo em que viajavam no sul do Líbano, segundo informações confirmadas por agências internacionais e pelo governo libanês.
O carro, que estava identificado como pertencente à imprensa, foi atingido em Jezzine enquanto os profissionais cobriam os confrontos na região, que tem sido palco de intensa atividade militar nas últimas semanas.
Os mortos são Ali Shaib, repórter da emissora Al‑Manar TV, Fatima Ftouni, jornalista da rede Al‑Mayadeen, e Mohammed Ftouni, operador de câmera da Al‑Mayadeen e irmão de Fatima.
Segundo o ministro ministro da Informação do Líbano, Paul Morkos, os três estavam em missão jornalística no momento em que o veículo, com identificação visível sinalizando ser um carro de reportagem, foi atingido.
De acordo com a agência Reuters, o exército de Israel disse em um comunicado à imprensa que havia “eliminado” Shaib, que descreveu como “terrorista” integrante de uma unidade de inteligência do Hezbollah e autor de reportagens sobre a localização de soldados israelenses no sul do Líbano que colocaram os militares em risco.
O comunicado não mencionou as demais vítimas do ataque.
Presidente do Líbano condena ataque a jornalistas
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou o ataque que deixou jornalistas libaneses mortos. Em uma postagem no X, ele disse:
“Mais uma vez, a agressão israelense viola as regras mais básicas do direito internacional, do direito humanitário internacional e das leis da guerra, ao atingir jornalistas, que são, em última análise, civis que desempenham um dever profissional.
Este é um crime flagrante que viola todas as normas e tratados sob os quais os jornalistas gozam de proteção internacional em guerras, de acordo com as Convenções de Genebra de 1949 e seus protocolos. Especificamente, viola o Artigo 79 do Protocolo Adicional I (1977) e a Resolução 1738 do Conselho de Segurança (2006), que proíbe o direcionamento de jornalistas e profissionais da mídia, desde que não estejam participando diretamente de hostilidades.”
Diversas entidades e partidos libaneses emitiram notas oficiais lamentando a morte dos jornalistas e pedindo investigação sobre o episódio, entre eles o Partido Social Nacionalista Sírio, o Partido Democrático Libanês e a emissora NBN.
A morte dos três profissionais soma-se a outros episódios recentes que afetaram equipes de mídia no sul do Líbano.
Organizações de defesa da liberdade de imprensa têm alertado para o aumento dos riscos enfrentados por jornalistas que trabalham em áreas de confronto, especialmente diante da escalada militar na fronteira.
Na semana passada, um míssil explodiu perto de uma equipe de TV da rede estatal russa RT, que acusou o exército de Israel de ataque deliberado.
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