Ao mesmo tempo em que as plataformas digitais são criticadas por não derrubarem imagens sexualizadas de mulheres e crianças publicadas sem consentimento, o Instagram virou alvo de críticas por ter removido uma postagem da supermodelo britânica Erin O’Connor, em que ela aparece nua durante a gravidez.
A imagem em preto e branco e iluminação artística, destacando a silhueta da barriga de oito meses, foi feita em 2014, quando ela esperava seu filho Albert, e já tinha sido publicada antes em sua conta. O autor é o renomado fotógrafo Nick Knight.
O’Connor republicou duas imagens do ensaio na semana passada, em uma postagem celebrando o Dia das Mães (comemorado em 15 de março no Reino Unido), uma em close e outra mostrando o ambiente do estúdio, de corpo inteiro.

Mas foi surpreendida por uma mensagem da plataforma avisando sobre a remoção.
O caso veio à tona na sexta-feira (27), quando a modelo, uma celebridade que já desfilou para grandes grifes como Dior, Versace, Alexander McQueen e Chanel, e foi a primeira pessoa não integrante da realeza a estampar um selo postal no país, deu um depoimento sobre sua carreira em um evento na National Gallery de Londres.
Instagram avisou sobre remoção da foto
Durante a conversa mediada pelo apresentador da BBC Radio John Wilson para a série mensal Picture This, ela contou que recebeu um aviso da Meta informando que a publicação havia sido derrubada por violar as diretrizes de nudez do Instagram.
A mensagem mencionava a necessidade de preservar um ambiente “respeitoso e seguro”, em linha com a justificativa usada pela empresa para restringir certos tipos de imagem na plataforma.
O’Connor disse considerar “inconcebível” que uma foto de uma mulher grávida e nua pudesse ser tratada como ofensiva, “quando ela está em seu poder total, seu corpo em seu momento mais extraordinário, incorporando sua capacidade inata de crescer, dar à luz e sustentar uma nova vida.”

A modelo também afirmou que o episódio revela um duplo padrão em um ambiente no qual, segundo ela, mulheres são hipersexualizadas diariamente.”
Depois que a notícia saiu no jornal Sunday Times de domingo e outros jornais cobriram a história, a publicação chegou a ser restaurada, caiu novamente e retornou sinalizada como conteúdo sensível.
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Em entrevista ao jornal The Guardian logo após a postagem ter sido restaurada, a modelo disse estar grata pela Meta ter revisado a remoção, e cobrou diretrizes mais claras para que conteúdo significativo – como gravidez, nascimento e imagens positivas para o corpo – não seja removido por engano.
Ela cobrou também processos de revisão humana mais rápidos e atenciosos para que os criadores se sintam ouvidos e respeitados quando as decisões forem objeto de apelação.
Mais tarde, O’Connor disse suspeitar que a segunda decisão tenha sido automatizada, o que reforça uma das críticas recorrentes às grandes plataformas: a dependência de sistemas que detectam sinais visuais, mas nem sempre interpretam intenção, contexto ou relevância cultural da imagem, ao mesmo tempo em que denúncias formais de conteúdo inadequado seguem sem resultar em ação.
Ela se disse feliz pelo assunto ter chegado à imprensa, esperando que a visibilidade para o caso “ajude outras pessoas que desejam se expressar livremente em uma plataforma que deve ser informativa e confiável”.
O que disse a Meta
Ao Guardian, a Meta disse que a remoção seguiu o padrão de não exibir “imagens sexuais” para evitar o compartilhamento de conteúdo não consensual ou para menores de idade.
A política não admite imagens de seios femininos que incluem o mamilo, mas permite outras imagens, incluindo aquelas que retratam atos de protesto, mulheres ativamente envolvidas na amamentação e fotos de cicatrizes pós-mastectomia, segundo um porta-voz da empresa.
O caso da modelo britânica foi mais um problema para a Meta em uma semana difícil, com duas derrotas judiciais nos EUA.
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