O Sony Photography Awards, um dos maiores prêmios da fotografia mundial, anunciou os fotógrafos vencedores nesta sexta-feira (17). Os fotógrafos, fotos e ensaios premiados foram escolhidos entre mais de 430 mil imagens feitas por profissionais e amadores de 200 países e territórios.
A mexicana Clitali Fabian, que tem origens indígenas, foi a grande vencedora do prêmio. Com o projeto “Brilha, histórias das minhas irmãs”, ela combinou fotografias com ilustrações digitais, ganhou o título de melhor fotógrafa geral e ficou em primeiro lugar na categoria Criatividade.

O ensaio da mexicana é uma colaboração com artistas diferentes de comunidades indígenas do sul do país. De acordo com ela, um dos intuitos do projeto é mostrar a dificuldade que as pessoas têm de conhecer sua própria capacidade quando crescem sem modelos em quem se inspirar. Ela planeja transformar o ensaio em um livro infantil no futuro.
As fotografias de mulheres fortes, defensoras dos direitos humanos e líderes de comunidades vêm acompanhadas de ilustrações daquelas que vieram antes delas.
Em uma das imagens, uma advogada indígena de Oaxaca aparece ao lado do desenho da mãe e da avó.

A maestrina Lety Gallardo é rodeada por ancestrais com seus instrumentos.

Mitzy faz parte da rede climática Indigenous Futures. Ela participou de fóruns, incluindo Cop26 e Cop30, e é representada com suas ancestrais e gerações futuras como uma frente unida na defesa de seu território.

Foto: ©Citlali Fabian, United Kingdom, Photographer of the Year, Professional Competition, Creative, 2026 Sony World Photography Awards
O prêmio reconheceu também fotógrafos amadores e estudantes. Registros de paisagens, cenas do cotidiano, arquitetura urbana e retratos fazem parte da lista de imagens premiadas.
Veja os outros fotógrafos premiados no Sony World Photography Awards
Categoria aberta (profissionais e amadores) | retratos: Elle Leontiev – O Vulcanólogo Descalço; Austrália
Nas planícies de cinzas do Monte Yasur, na ilha de Tanna, Vanuatu, Phillip, um vulcanólogo autodidata de renome internacional, está descalço sobre uma bomba de rocha vulcânica.

Vestindo um traje de proteção contra lava que ganhou de pesquisadores visitantes, o vulcão fumega atrás dele. Ele lança uma pluma de gás e enxofre para o céu. Phillip cresceu sob o vulcão ativo, e este retrato o captura em seu habitat natural.
A foto de Leontiev também ganhou na categoria aberta em retrato do ano.
Categoria estudante: Jubair Ahmed Arnob – O lugar onde eu costumava brincar; Bangladesh
Os peixes pertencem ao rio, mas o rio desapareceu. Um homem está na água, enquanto balões em forma de golfinhos flutuam acima, uma paródia da alegria.

A natureza é substituída pelo plástico, a sobrevivência é apresentada como celebração. A urbanização transforma rios em mercados, criaturas em mercadorias e a memória em algo efêmero.
Categoria juventude: Filipe Kangas – Salvando a História das Chamas; Suécia

Quando um incêndio deflagrou na Real Academia de Belas Artes, no centro de Estocolmo, os bombeiros trabalharam arduamente para conter as chamas. Além disso, eles começaram a transportar as obras de arte para um local seguro.
Veja vencedores da categoria profissional
Arquitetura e design: Joy Saha – Casas de Haor; Bangladesh

A série documental “Homes of Haor” mostra a arquitetura vernacular do distrito de Austagram, na região de Haor, em Bangladesh. Ali, as casas são construídas sobre montes naturais que se transformam em ilhas durante as monções.
Nesta categoria o Brasil, que teve seis indicações a prêmios, ganhou seu maior reconhecimento. André Tezza conquistou o segundo lugar, com a sua série “Estruturas do dia a dia”.
Ele documentou pequenos mercados de bairro de Curitiba, administrados por famílias que muitas vezes moram no próprio local.

Projetos de documentário: Santiago Mesa – À sombra da coca; Colômbia

O projeto de longo prazo acompanha agricultores e famílias cujos meios de subsistência dependem do cultivo da coca. A pobreza, ausência do estado e o controle armado da região marcam a economia ilícita.
Meio Ambiente: Isadora Romero – Notas sobre como construir uma floresta; Equador

As florestas são tradicionalmente retratadas como espaços onde existe apenas vegetação. No entanto, a ciência e a história revelam que elas sempre foram territórios culturais, habitados e remodelados por múltiplos grupos humanos e não humanos ao longo do tempo.
Paisagem: Dafna Talmor – Paisagens construídas; Reino Unido

Partindo do arquivo pessoal da fotógrafa, esta série utiliza negativos coloridos impressos a mão e colados, que são reconfigurados em representações abstratas de paisagens.
Perspectivas: Seungho Kim – Sunny Side Up: Um Retrato da Maternidade Mais Comum na Atualidade; Coreia do Sul

Escolher entre um filho e um animal de estimação tornou-se uma realidade irônica na Coreia do Sul. No entanto, o fotógrafo desta série optou por colocar ambos os extremos desse espectro “na frigideira quente da vida”.
Estas fotos são o seu “lado ensolarado”: um registro frágil, vibrante e belamente caótico do mundo da parentalidade coreana que se avizinha.
Retrato: Jean-Marc Caimi e Valentina Piccinni – Os fiéis; Itália

Entre a morte de um papa e a eleição do seguinte, multidões se reuniam na Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano, para um evento que funcionava simultaneamente como ritual sagrado e espetáculo global.
Esporte: Todd Antony – Buzkashi; Nova Zelândia

Buzkashi (que significa literalmente “puxar cabra” em persa) é o esporte feroz e ancestral do Tadjiquistão.
É semelhante ao polo, mas não há equipes nem limites de campo. A bola é a carcaça eviscerada e sem cabeça de uma cabra, e o objetivo é brutalmente simples: agarrá-la, segurá-la e se libertar.
Natureza morta: Vilma Taubo: Conversar sem falar; Noruega

“Conversar Sem Falar” é uma série de fotografias de objetos do cotidiano que se tornaram símbolos de protesto. Cada um dos objetos pode ser associado a um período histórico específico, a uma luta por direitos em particular ou a um país.
Vida selvagem e natureza: Will Burrard-Lucas – Ponto de cruzamento; Reino Unido

Esta série foi produzida utilizando uma armadilha fotográfica remota instalada em uma travessia de rio em área florestal na Reserva Nacional Maasai Mara, no Quênia.
Veja os vencedores da seleção aberta a profissionais e amadores
Arquitetura: Markus Naarttijärvi – Camadas industriais; Suécia

Fotografada em uma noite escura, esta vista da fábrica de papel em Obbola, na Suécia, revela camadas de sombras, concreto, nuvens e céu.
Criativa: Siavosh Ejlali – Esperança perdida; República Islâmica do Irã

Nesta imagem, o fotógrafo descreve como o plástico preto que cobre a maior parte do rosto da mulher é um sinal de “pensamentos sombrios e da imposição de crenças”, enquanto o balão vermelho caindo no chão pode representar “sua esperança perdida”.
Estilo de vida: Vanta Coda III – Charlotte e Dolly; Estados Unidos

Charlotte está deitada com sua vaca Dolly, se refrescando no estábulo entre os eventos da 100ª Feira Estadual da Virgínia Ocidental em Lewisburg. Lá fora, a temperatura ultrapassa os 32°C.
Paisagem: J Fritz Rumpf – Formas e padrões do deserto; Estados Unidos

O brilho da manhã realça as ricas cores pastel das dunas de Sossusvlei, na Namíbia. O contraste entre o verde e o delicado tom quase ofusca os sentidos; os padrões e texturas que emergem das sombras conferem à paisagem um aspecto singular, quase pictórico.
Movimento: Franklin Littlefield – Veleiro; Estados Unidos

Um show punk em Providence, Rhode Island, com a banda Sailboat.
Mundo natural e vida selvagem: Klaus Hellmich – Raposa-do-ártico em nevasca; Alemanha

Uma raposa-do-ártico azul em meio a uma nevasca, fotografada na Península de Varanger, Noruega.
Objeto: Robby Ogilvie – Divisão de cores

Fotografada no bairro de Bo-Kaap, na Cidade do Cabo, África do Sul, esta imagem centra-se em um carro estacionado contra uma fachada colorida e nitidamente dividida. A composição equilibra geometria e saturação de cores; a arquitetura do cotidiano torna-se gráfica e deliberada, refletindo como a cor e o lugar moldam a identidade urbana.
Fotografia de rua: Giulia Pissagroia – Nas entrelinhas; Itália

Nesta foto espontânea, uma família admira a vista de Ørnevegen (Estrada da Águia), na Noruega.
Viagem: Megumi Murakami – Paixão Masculina; Japão

O Festival Abare é uma tradição de 350 anos na região de Noto, no Japão. Esta imagem captura o clímax do festival, com homens saltando para o rio em meio a tochas que queimam intensamente, lançando faíscas por toda parte.
Eles se entregam à fúria, acreditando que quanto mais se enfurecem, mais a divindade se alegra.
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