Londres – Um dos mais importantes prêmios de fotojornalismo e fotografia documental internacionais, o World Press Photo, está com inscrições abertas até 11 de janeiro para a edição 2022, com participação gratuita para fotógrafos de todo o mundo que tenham trabalhos publicados em veículos jornalísticos. 

Os vencedores podem receber prêmios de até € 6 mil (R$ 38,7 mil) e ganham visibilidade internacional para o seu trabalho por meio de livros e exposições em vários países. 

Outro concurso de fotojornalismo, da agência de notícias russa Tass, também está com inscrições abertas, até 24 de dezembro

Prêmio de fotojornalismo vai distribuir mais de € 48 mil a vencedores 

Criado por um grupo de fotógrafos holandeses em 1955, o World Press Photo recebeu em 2021 um total de 74.470 trabalhos de autoria de mais de 4,3 mil fotógrafos de 130 países.

O Brasil foi bem representado. A foto vencedora, uma cena comovente do drama humano da Covid-19, foi feita em São Paulo por um profissional dinamarquês (destaque).

E o brasileiro Lalo de Almeida ganhou na categoria série Meio Ambiente com a reportagem ‘Pantanal em Chamas’, produzida para a Folha de S.Paulo.

Fotografia documental e fotojornalismo em quatro categorias 

A participação no concurso é aberta a fotógrafos empregados em organizações jornalísticas ou freelancers que pertençam a sindicatos ou associações de jornalismo ou fotojornalismo.

O prêmio aceita também inscrições de profissionais que possam comprovar (por meio de uma imagem com crédito) a publicação de trabalhos em formato online ou impresso em uma organização de mídia registrada. 

As fotos submetidas ao júri não precisam ter sido publicadas. 

Com o objetivo de aumentar a representação global, os organizadores do World Press Photo fizeram mudanças na edição 2022. Ele será dividido em sete regiões – África, Ásia, Europa, América do Norte e Central, América do Sul e Sudeste Asiático e Oceania – e terá apenas quatro categorias. 

Os trabalhos serão julgados na região em que foram produzidos. Os melhores em cada categoria na região concorrerão a um prêmio global. 

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As categorias são Foto única, Reportagem, Projetos de longo prazo e Formato aberto, premiando trabalhos que retratem eventos ou questões sociais, políticas e ambientais. Nessa categoria os trabalhos podem incluir vídeos, animações, gráficos e texto. 

Elas englobam todos os temas explorados em concursos anteriores, como notícias, questões contemporâneas, meio ambiente, natureza, esportes e retratos.

Os fotógrafos vencedores nas rodadas regionais receberão € 1 mil (R$ 6,4 mil). Eles concorrerão ao prêmio global da categoria com os vencedores de outras regiões. Os melhores trabalhos escolhidos pelo júri ganharão um prêmio adicional de € 5 mil (R$ 32,5 mil).

Informações e inscrições podem ser obtidas no site do concurso, que produziu um vídeo explicando em detalhes as categorias e como os trabalhos devem ser submetidos ao júri. 

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Melhores do concurso de fotojornalismo são expostos em vários países

 Os vencedores do prêmio de fotojornalismo e fotografia documental World Press Photo também ganham a oportunidade de ver seu trabalho reproduzido em livros e exibido em todo o mundo, em uma mostra itinerante promovida pelos organizadores. 

A World Press Photo Exhibition está em cartaz na Bélgica até o fim de dezembro. Conheça os vencedores de 2021

Foto do ano: “O primeiro abraço”, por Mads Nissen 

A foto de ano foi de uma imagem feita no Brasil, no Lar Viva Bem, em São Paulo, em 5 de agosto de 2020.  Este foi o primeiro abraço que Rosa Luzia Lunardi, de 85 anos, recebeu em cinco meses.

O carinho foi feito pela enfermeira Adriana Silva da Costa Souza graças à “Cortina do Abraço”, idealizada para criar uma barreira à passagem do vírus. O flagrante foi captado pelo fotógrafo dinamarquês Mads Nissen, que vive em Copenhagen e trabalha desde 2014 para o jornal diário Politiken. 

Mads Nissen

Reportagem do ano: “Habibi”, por Antonio Faccilongo

A série vencedora do prêmio de fotojornalismo na categoria Projetos de longo prazo foi batizada de “Habibi”, que significa “meu amor” em árabe. Ela narra histórias de amor tendo como pano de fundo um dos conflitos contemporâneos mais longos e complicados, a guerra israelense-palestina.

O trabalho, realizado desde 2015 pelo fotógrafo italiano Antonio Faccilongo, retrata as histórias de casais que venceram as grades para ter seus filhos. 

Existem cerca de 4.200 famílias palestinas nessa situação, de acordo com relatório de fevereiro de 2021 da organização de direitos humanos B’Tselem. Os acusados de terrorismo ou crimes contra a segurança de Israel não têm direito a contato com suas esposas. Elas recorrem então à fertilização in vitro do sêmen contrabandeado das prisões.

A prática do contrabando de sêmen passou a ser feita pelos presos com penas mais longas a partir da década de 2010.

São comuns os casos de condenados há vários anos longe da família e que ainda permanecerão muito tempo afastados.

O prisioneiro palestino mais antigo está há mais de quatro décadas na prisão, cumprindo prisão perpétua. É Al-Barghouthi, marido de Iman Nafi, retratada na reportagem.

Para visitar um prisioneiro palestino em uma prisão israelense, os visitantes precisam superar uma série de limitações resultantes de leis de fronteira, regulamentos penitenciários e restrições estabelecidas pela Agência de Segurança de Israel (ISA).

Os familiares, principalmente mulheres e filhos, viajam por várias horas para ver os presos por 45 minutos, através de uma divisória transparente. A conversa é por telefone.

O contato físico é proibido, exceto para crianças menores de dez anos, que têm dez minutos no final da visita para abraçar os pais.

Apesar de presos num local distante, continuam a estar presentes na vida de suas famílias, com suas fotos penduradas em local de destaque da casa.

Os objetos e roupas dos maridos presos são exibidos com orgulho.

          


 Meio Ambiente

Série Pantanal em Chamas, por Lalo de Almeida 

A série de Lalo de Almeida retrata uma triste realidade que castiga a imagem do Brasil no exterior. Os incêndios no Pantanal e as queimadas na Amazônia têm sido extensivamente cobertos pelos mais importantes veículos de imprensa globais. 

Pantanal Ablaze – Lalo de Almeida

Pantanal Ablaze – Lalo de Almeida

Animais carbonizados e grandes áreas devastadas foram o resultado de um dos piores incêndios em décadas na região.

Pantanal Ablaze – Lalo de Almeida

Nessa imagem, um voluntário busca focos de fogo sob uma ponte de madeira.

Pantanal Ablaze – Lalo de Almeida

Estima-se que entre 140 e 160 mil quilômetros quadrados foram destruídos pelo fogo.

Pantanal Ablaze – Lalo de Almeida

Fotografia única, por Ralph Place

O  norte-americano Ralph Place documentou leão-marinho nadando em direção a uma máscara facial descartada em Breakwater, local de mergulho de Monterey.

De acordo com um relatório da BBC, cerca de 129 bilhões de máscaras e 65 bilhões de luvas descartáveis estavam sendo usadas a cada mês na pandemia.  Place conseguiu evocar ao mesmo tempo o perigo da doença para o homem e o do lixo dela decorrente para os animais.

Foto vencedora: California Sea Lion Plays with Mask – Ralph Place (EUA)


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 Temas Contemporâneos

Foto única, por Pablo Tosco

O trabalho de Pablo Tosco reflete a desigualdade e as tragédias resultantes de migrações e deslocamentos. Nessa foto, Fátima e um de seus nove filhos preparam uma rede de pesca na costa do Iêmen para garantir o sustento da família. 

Foto vencedora: “Yemen: Hunger, Another War Wound” – Pablo Tosco (Argentina)

Reportagem, por Alexey Vasilyev

O documentarista russo Alexey Vasilyev acompanhou várias gravações de filmes na república russa de Sakha, no extremo leste do país. Mesmo sendo pequena, a indústria cinematográfica local foi apelidada de “Sakhawood”.

A arte é uma forma de mostrar e preservar a cultura e as tradições de Sakha. 

   

Reportagem vencedora: “Sakhawood” – Alexey Vasilyev (Rússia)


Notícias Gerais

A categoria premiou uma foto e uma reportagem relatando tópicos de notícias e suas consequências. Além da foto “O primeiro abraço”, do dinamarquês Mads Nissen, foi premiada a reportagem do russo Valery Melnikov.

Reportagem, por Valery Melnikov

O trabalho trata do conflito entre armênios e azerbaijanos na disputada região de Nagorno-Karabakh. Após o acordo de paz de novembro de 2020, os armênios perderam seu paraíso e tiveram que deixar a área, que passou ao controle do Azerbaijão.

        

Reportagem vencedora: “Lost Paradise” – Valery Melnikov (Rússia)


Natureza

Foto única, por Ami Vitale

A imagem do fotógrafo, escritor e cineasta Ami Vitale mostra uma girafa sendo transportada para um local seguro em uma barcaça de uma ilha inundada de Longicharo, no Lago Baringo, no oeste do Quênia. 

Foto vencedora: “Rescue of Giraffes from Flooding Island – Ami Vitale (EUA)

Reportagem, por Jasper Doest

No meio da pandemia, a família do fotógrafo holândes Jasper Doest, morador de Vlaardingen, recebeu visitas regulares de um par de ponbos, que foram batizados de Ollie e Dollie. A curiosidade e o destemor demonstrados pelos pássaros enquanto passeavam dentro de casa chamaram a atenção de Jasper.

       

Reportagem vencedora: “Pandemic Pigeons – A love story” – Jasper Doest (Holanda)


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Retratos

Foto única, por Oleg Ponomarev

No flagrante de 23 de abril do ano passado, Ignat, transgênero, aparece abraçado por sua namorada Maria, em seu apartamento em São Petersburgo, na Rússia, onde as pessoas LGBT+ são extremamente discriminadas.

Uma emenda à Constituição russa, feita em julho de 2020, estipula que o casamento é uma união entre um homem e uma mulher, sem outras opções possíveis.  

Foto vencedora: “The Transition: Ignat” – Oleg Ponomarev (Rússia)

Reportagem, por Gabriele Galimberti

Torrel Jasper, também conhecido como Black Rambo, tornou-se uma estrela do Instagram ao exibir suas armas. Na foto superior, ele se exibe ao lado de uma piscina para o fotógrafo italiano Gabriele Galimberti, que em sua reportagem mostra diferentes proprietários de armas de fogo nos Estados Unidos.

         

Reportagem vencedora: “TheAmeriguns” – Gabriele Galimberti (Itália)


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Esportes

Foto única por Adam Pretty

O fotógrafo esportivo australiano Adam Pretty capturou o alpinista durante um treinamento de escalada em Kochel am See, na Bavária.

O esportista parece flutuar em uma pilha de troncos de madeira. Em Munique, as academias de escalada e ginásios foram fechados devido à pandemia, forçando os atletas a usarem a criatividade em seus métodos de treinamento. 

Foto vencedora: “Log Pile Bouldering” – Adam Pretty (Austrália)

Reportagem, por Chris Donovan

A reportagem tem como tema o time de basquete Flint Jaguars e sua luta para sobreviver, que é a mesma da cidade que representa. Flint, no Michigan, é o berço da General Motors, e sofre os efeitos da emigração, causada pelo declínio de sua indústria automotiva. O basquete é parte integrante da cultura de Flint.

Por décadas, quatro times do ensino médio lutaram como rivais ferozes. Sobrou apenas uma escola secundária e os Flint Jaguars resultaram da fusão em 2017 das equipes das duas últimas escolas. Em 2020, os Flint lutaram para reverter o que até então era uma história quase sem vitórias.

Em março, eles estavam preparados para chegar às finais da divisão, tendo vencido mais jogos no ano passado do que nos três anos anteriores combinados. O play-off deles terminou prematuramente quando a Covid-19 forçou o cancelamento da temporada. 

            

Reportagem vencedora: “Those Who Stay Will Be Champions”- Chris Donovan (Canadá)


Notícias de última hora

Foto única, por Evelyn Hockstein

Na foto de Evelyn Hockstein para o The Washington Post, a estátua de Lincoln ao fundo é a chave da questão. Anais, como os demais ativistas do Black Lives Matter presentes no protesto, quer a remoção do Memorial da Emancipação, em Washington.

Durante a manifestação em 25 de junho de 2020, ela é confrontada por um homem branco. A estátua de Lincoln segura a Proclamação da abolição, tendo um homem negro ajoelhado a seus pés vestido com uma tanga.

Os críticos argumentam que o memorial é humilhante na sua representação dos negros. Os defensores dizem que a remoção representa um apagamento da história.

Foto vencedora: “Emancipation Memorial Debate” – Evelyn Hockstein (Estados Unidos)

Reportagem, por Lorenzo Tugnoli

Um uhomem ferido caminha desorientado em meio aos escombros no porto de Beirute, enquanto os bombeiros trabalham para apagar os incêndios nos armazéns. Por volta das 18h do dia 4 de agosto de 2020, uma grande explosão, causada por mais de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, sacudiu a capital do Líbano.  

A explosão, que registrou 3,3 na escala Richter, danificou ou destruiu cerca de 6 mil edifícios, matou pelo menos 190 pessoas, feriu outras 6 mil e desabrigou até 300 mil. O nitrato de amônio veio de um navio que havia sido apreendido em 2012 por não pagar as taxas devidas ao porto e foi  abandonado pelo seu proprietário.

Os funcionários da alfândega escreveram aos tribunais libaneses pelo menos seis vezes entre 2014 e 2017, perguntando como se livrar do explosivo. Até que ocorreu a tragédia, captada pelas lentes do fotógrafo italiano Lorenzo Tugnoli. 

         

Reportagem vencedora: “Port Explosion in Beirut” – Lorenzo Tugnoli (Itália)

 


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