Após semanas de especulações sobre demissões em sua equipe, o Washington Post anunciou nesta quarta-feira (4) de 2026 a dispensa de aproximadamente um terço de sua força de trabalho, formada por 800 jornalistas, em uma das maiores reduções de pessoal de sua história.
O corte, descrito como “doloroso mas necessário”, atinge funcionários de todas as áreas, incluindo redação, coberturas especializadas e departamentos administrativos.
A decisão foi comunicada aos funcionários em uma reunião virtual liderada pelo editor executivo Matt Murray, na qual foram detalhadas mudanças que incluem a eliminação da seção de esportes, o fechamento da editoria de livros e a suspensão do podcast diário Post Reports.
A cobertura internacional também foi significativamente reduzida, com o fechamento de vários escritórios no exterior e a dispensa de correspondentes.
As demissões incluem ainda equipes que faziam a cobertura local da capital federal, Washington, D.C., e de Maryland e Virginia, além de cortes em profissionais de edição e de negócios, em meio a um novo modelo estratégico definido pela direção do jornal para reagir a impactos na indústria como a ascenção dos influenciadores e produção de conteúdo com ferramentas de inteligência artificial.
Bezos comprou o Washington Post em 2013 com promessa de preservá-lo
O Washington Post foi adquirido em 2013 por Jeff Bezos, fundador da Amazon, por US$ 250 milhões. Na época da compra, Bezos declarou que sua intenção era apoiar o jornalismo independente e evitar que o veículo desaparecesse.
No entanto, a atual reestruturação ocorre em meio a décadas de desafios financeiros enfrentados pela mídia tradicional e, nesta rodada de cortes, não houve anúncio de aportes adicionais de capital por parte do proprietário para preservar as editorias essenciais que estão sendo eliminadas.
Bezos foi um dos chefões das Big Techs que se aproximou de Donald Trump na reta final da campanha eleitoral de 2024 quando sua vitória parecia garantida.
O presidente mantém uma luta constante com a imprensa tradicional, como o Washington Post, que acusa de “fake news”. E desde a posse de Trump foram registrados episódios vistos como censura ou influência indevida na redação.
Leia também | Washington Post: cartunista premiada se demite após veto a charge sobre Bezos e Trump
Sindicato e jornalistas criticam cortes
O sindicato The Washington Post Guild, que representa jornalistas e outros profissionais da redação, criticou os cortes e afirmou que a redução de pessoal não era inevitável.
O sindicato afirma que nos últimos quatro anos já tinham sido demitidos 400 profissionais.
A entidade declarou que a diminuição de efetivo pode comprometer a credibilidade, o alcance e o futuro da cobertura jornalística do veículo.
Reações internas destacam impacto humano e editorial
Reações de jornalistas incluem críticas internas à forma e ao impacto dos cortes. Alguns profissionais manifestaram em redes sociais choque e tristeza pela perda de colegas e pela redução de áreas consideradas centrais para a missão do jornal.
Ex-executivos e editores também se manifestaram publicamente, classificando o dia de demissões como um dos mais difíceis da história da organização.
Apelos a Bezos não evitaram reestruturação
Nos dias que antecederam o anúncio oficial, grupos de repórteres enviaram cartas a Jeff Bezos solicitando que ele intercedesse para evitar cortes em sessões específicas, como a cobertura internacional e local.
Esses apelos foram feitos diretamente ao proprietário diante da expectativa de que a redução da equipe poderia enfraquecer a capacidade de reportar eventos importantes em âmbito nacional e global.
Leia também | Documentário ‘Melania’ desagrada crítica mas arrecada US$ 7 milhões no fim de semana de estreia nos EUA
Leia também | Ex-âncora da CNN é solto nos EUA após detenção por cobrir ato contra o ICE em igreja de Minnesota
Leia também | ‘Muskificação’: Como Trump e chefões das big techs se aliaram para enfraquecer regulações
Leia também | Pentágono intervém em jornal militar historicamente independente para deixá-lo ‘sem colunas de fofocas’
Leia também | Um ano sob Trump: RSF faz linha do tempo da ‘guerra total contra a liberdade de imprensa’






