© Conteúdo protegido por direitos autorais

IA educativa

Conheça Chloe, a mulher de IA que ‘volta no tempo’ para ensinar história e foi premiada em Cannes

Chloe vs. History é criação do britânico Jonathan Laramy, 32, que usa a plataforma Seedance 2.0 para fazer a viajante do tempo tomar forma

"Viajante do tempo", influenciadora de IA Chloe grava momento em que Titanic é atingido por iceberg Foto: Chloe vs. History/Reprodução de vídeo




Uma influenciadora feita totalmente por IA para contar eventos da história foi escolhida neste ano como uma das vencedoras do World Influencers and Bloggers Awards (WIBA Awards).

A cerimônia, que acontece durante o Festival de Cinema de Cannes, incluiu pela primeira vez a categoria de Inteligência Artificial, reconhecendo publicamente a viajante do tempo Chloe vs. History.

Criada por um psicólogo britânico, a personagem viaja no tempo para contar, em primeira pessoa, como foi viver momentos importantes relatados nos livros de história.

Bem recebida nas redes, ela aparece como exemplo de “bom uso da IA para a educação”, mas também recebe críticas.

Quem é Chloe vs. History

Chloe é uma personagem de IA criada pelo britânico Jonathan Laramy, de 32 anos. Branca, magra loira e de olhos claros, ela grava seus vídeos em modo selfie e fala de forma descontraída com personagens históricos.

 


A primeira publicação na página de Chloe vs. History no Instagram foi em fevereiro deste ano, visitando a Inglaterra no período Tudor. Em pouco mais de dois meses, ela alcançou 612 mil seguidores.

Já no Youtube, com vídeos mais longos e na horizontal, ela apareceu pela primeira vez em março. O primeiro vídeo dela, na Roma Antiga, tem mais de um milhão de visualizações e a influenciadora conseguiu 250 mil inscritos em um curto espaço de tempo.

“A primeira garota a fazer uma viagem no tempo. E é claro que estou gravando isso”, diz a bio do canal dela.

Influenciadora foi ao Titanic e à cidade de Pompéia

Em alguns dos vídeos, a influenciadora de IA fala não só sobre fatos históricos, mas também incorpora as vestimentas e penteados de uma época.

Um dos exemplos é quando ela usa um penteado de colméia para visitar a Inglaterra dos anos de 1960.

“As pessoas vêm aqui para ouvir música. Elas não têm spotify ou algoritmo. Você só entra aqui e pega o que você achar legal”, diz, ao entrar em uma loja de discos.

Em outra produção, ela tenta avisar aos moradores de Pompéia sobre um vulcão que vai entrar em erupção.

Chloe também vê o princípio de incêndio que matou cerca de 300 pessoas em Londres no século 17.

“Voltei para a Londres de 1666 e esta é a padaria que, literalmente, começou o grande incêndio de Londres. Ninguém sabe disso ainda, mas nesta noite, Londres vai queimar.”


Ela também vira alvo de chacota quando tenta avisar que o Titanic vai afundar.

“Todo mundo usa a mesma palavra: ‘inafundável’. Todos estão falando que este navio não pode afundar”, diz.

Público dividido entre encantamento e críticas

Entre os que consomem o conteúdo da influencer estão jovens e adolescentes que estudam história na escola. “Esses vídeos são incríveis. É como se meus livros estivessem ganhando vida”, diz um dos comentários.

“Esta é uma maneira maravilhosa de contar história para todas as gerações, especialmente para os mais novos”, diz outro comentário.

Em outros vídeos, porém, algumas pessoas criticam as opções usadas pelo criador para ilustrar os fatos. “A Cleópatra não era branca”, reclama um dos seguidores, em um vídeo dela no Egito Antigo.


“Você se referiu a Fidípides como ‘aquele cara’. Poderia ter dado o nome dele”, diz outra pessoa, ao comentar sobre o vídeo onde Chloe aparece testemunhando o evento histórico que nomeou as maratonas.

Quem está por trás da influencer de IA

Entusiasta da inteligência artificial, Laramy contou ao canal Fox News em abril que sempre imaginou fazer vídeos tornando o ensino da história mais dinâmico, mas que as plataformas eram muito rudimentares até então.

“As IAs não eram boas o suficiente, mas recentemente elas ficaram tão realistas. Comecei a brincar com uma nova ferramenta e ficou excepcional, capturou as emoções humanas. Aí eu pensei: tenho que postar isso.”

Apesar de fazer os vídeos com contexto histórico, Laramy não tem formação em história.

Segundo publicações nas redes sociais, ele é formado em psicologia pela Universidade de Bournemouth, no Reino Unido.

Ele também trabalhou com experiência do consumidor em duas empresas antes de abrir, em 2025, a Majestic Studios, responsável pela produção de Chloe vs. History.

Hoje, ele usa a plataforma de IA Seedance 2.0 para fazer os seus vídeos. Para embasar as publicações, ele usa livros de história e artigos de jornais.

Apesar de ser um bom entretenimento e, sem dúvidas, uma forma divertida de contar a história, os vídeos por si só não são suficientes para contextualizar períodos históricos completos.

Reconhecimento como influenciadora do ano

Imagem da influenciadora de IA ganhou destaque na premiação WIBA Awards
Foto: WIBA Awards/Instagram

Esta foi a primeira vez que a categoria de IA foi incluída no WIBA Awards. A premiação, cuja criação coincide com o período de “virada de chave” no papel dos influencers no mundo, fez sua oitava edição na última sexta-feira.

Os vencedores são escolhidos por uma combinação de votos populares com as decisões de um painel de jurados especialistas.

De acordo com a organização do prêmio, o conselho leva em consideração a “criatividade, engajamento, influência e o impacto positivo” dos perfis.

Laramy foi a Cannes para receber o prêmio, mas foi a foto de IA que mostra Chloe com o troféu que ganhou destaque na página oficial do WIBA Awards.

Brasileira está na lista de influencers do ano

 

Além do influenciador de IA do ano, a premiação de Cannes reconheceu outras 23 categorias. Entre os reconhecidos está a brasileira Isabeli Fontana, que ganhou o prêmio de modelo influencer do ano.

Isabeli, que foi angel da Victoria’s Secret, tem 1,3 milhão de seguidores no Instagram. Ela usa as redes sociais para compartilhar capas de revista e outros cliques de moda, além de propagandas de produtos para a pele e alguns cliques do dia a dia.

As outras categorias premiadas incluem a Criadora do Ano (Chiara King), esportes (Marsha Dunkel); lifestyle (Zulay Pogba); viagens (Dastan Mukhamedrakhim) e comida (Volodymyr Testardi).


 

error: O conteúdo é protegido.