Scarlett Johansson, Cate Blanchett, Chaka Khan, Questlove e a banda R.E.M. estão entre os mais de setecentos artistas que se uniram nesta quinta-feira (22), para lançar a campanha “Stealing Isn’t Innovation” (Roubo não é inovação), contra o uso indevido da inteligência artificial.
A iniciativa, liderada pela coalizão Human Artistry Campaign, denuncia o uso não autorizado de obras criativas humanas para treinar sistemas de inteligência artificial generativa.
No manifesto publicado, os artistas alertam que essa prática ameaça diretamente as profissões criativas, o modelo econômico da cultura e a diversidade da produção artística global.
Johansson teve sua voz clonada pela IA do ChatGP em 2025.
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Campanha alerta para “colheita em massa ilegal” de obras criativas
A Human Artistry Campaign afirma que as empresas de tecnologia estão envolvidas em uma “colheita em massa ilegal” de conteúdos protegidos por direitos autorais, usada para construir e alimentar modelos de inteligência artificial.
O manifesto classifica essas práticas como uma forma de “exploração”, reforçando que “usar o trabalho sem consentimento, crédito ou compensação não é inovação — é exploração”.
Segundo os organizadores, esse uso indevido “destrói a base da indústria de entretenimento” e “destrói os incentivos para a criação de novos conteúdos”, comprometendo a sustentabilidade das carreiras artísticas e o futuro da criatividade humana.
Criadores alertam para risco de “colapso do modelo de IA”
A campanha também expressa preocupação com a viabilidade futura das próprias ferramentas de IA.
De acordo com o texto, se os modelos deixarem de ser alimentados por obras humanas originais e dependerem apenas de material sintético gerado por outras IAs, haverá risco de “colapso do modelo”, com prejuízo para a diversidade e qualidade do conteúdo.
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Mais de 700 artistas e criadores apoiam a campanha
O documento reúne assinaturas de mais de 700 músicos, atores, escritores, diretores e profissionais criativos de diversas áreas.
A lista inclui, além dos nomes já mencionados, representantes de diferentes gerações e gêneros, unidos pelo objetivo comum de proteger os direitos dos criadores frente ao avanço da IA generativa.
No dia do lançamento, criadores publicaram banners personalizados com a mensagem “Stealing Isn’t Innovation” em suas redes sociais, enquanto anúncios de página inteira circularam em veículos de comunicação nos Estados Unidos para divulgar a campanha.
Dra. Moiya McTier: “Roubar o trabalho de alguém não é inovação — é roubo”
A Dra. Moiya McTier, conselheira sênior da Human Artistry Campaign, afirmou no comunicado:
“A verdadeira inovação vem da motivação humana para mudar nossas vidas… Mas empresas de IA estão colocando em risco as carreiras dos artistas enquanto exploram seu ofício praticado, usando arte humana e outras obras criativas sem autorização para acumular bilhões em ganhos corporativos. Roubar o trabalho de alguém não é inovação — é roubo.”
Propostas: licenciamento, transparência e respeito aos criadores
A campanha exige que as empresas de IA negociem diretamente com os detentores de direitos autorais, em vez de explorar conteúdos sem autorização. O manifesto defende acordos de licenciamento como alternativa ética e legal, apontando que algumas empresas já vêm adotando esse caminho.
Os artistas também solicitam mais transparência no treinamento de modelos de IA e o reconhecimento explícito do valor da contribuição humana para as criações culturais.
Human Artistry Campaign defende coexistência responsável
Segundo os organizadores, a iniciativa não é contrária à tecnologia, mas exige que a inovação ocorra de forma justa e equilibrada. “Inovação e criatividade humana podem coexistir, mas isso exige respeito, transparência e compromisso com os direitos dos criadores”, afirma o texto da campanha.
A carta termina com um alerta: se os criadores humanos forem substituídos por conteúdos gerados por IA, o mundo poderá ficar “sem notícias, sem arte, sem filmes, sem música, sem vídeos — apenas uma avalanche artificial e monótona de conteúdos sintéticos gerados por máquinas”.
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