© Conteúdo protegido por direitos autorais

liberdade de imprensa

No ano mais mortal para imprensa em três décadas, Israel ‘muda paradigma ao colocar jornalistas como alvo deliberado’, diz ONG

Comitê para Proteção de Jornalistas registrou 129 mortes de profissionais de imprensa em 2025, das quais dois terços envolvendo o exército de Israel

Jornalista palestina Mariam Abu Dagga usando colete de imprensa azul, jvítima em ataque de Israel ao Hospital Nasser

Mariam Abu-Dagga, jornalista palestina, documentava a guerra em Gaza para a Associated Press e morreu em um ataque ao hospital Nasser (foto: redes sociais)



O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) afirma que 2025 foi o ano mais mortal para a imprensa em décadas, com 129 mortes e dois terços delas associadas a ações de Israel na guerra em Gaza. A ONG chama a atenção para o aumento de ataques deliberados a profissionais de imprensa.


No mais mortal para a imprensa desde que o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) passou a monitorar crimes contra profissionais de mídia relacionados ao trabalho, há mais de três décadas, 129 jornalistas perderam a vida em 2025. Dois terços deles foram vítimas de ataques atribuídos a forças militares de Israel.

Os números fazem parte do relatório anual da instituição, publicado no mesmo dia em que a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) também divulgou seu balanço, registrando 128 fatalidades.

Organizações de liberdade de imprensa usam metodologias diferentes para suas contagens, o que leva a pequenas variações.

O que não variou este ano foi a predominância de mortes resultantes de ações do Exército de Israel contra jornalistas que cobriam a guerra em Gaza — em alguns casos, justificadas sob a alegação de que os profissionais de imprensa seriam terroristas do Hamas. Do total de mortos na guerra, mais de 60% eram palestinos.

Em 2024, forças israelenses também responderam por dois terços das mortes de jornalistas no mundo.

Drones, a nova arma para silenciar a imprensa no mundo

O CPJ destacou que drones se tornaram uma arma comum em ataques a profissionais e equipes de imprensa em 2025: 39 mortes foram causadas por eles, e não apenas em Gaza.

Na Ucrânia, quatro jornalistas foram mortos por drones militares russos. Entre eles estão os jornalistas ucranianos Olena Hramova e Yevhen Karmazin, atacados enquanto reportavam para a emissora internacional financiada pelo Estado da Ucrânia, Freedom, em Kramatorsk, na região leste de Donetsk.

O fotojornalista francês Antoni Lallican também foi morto por um ataque direcionado de um drone russo em 3 de outubro de 2025, enquanto cobria a guerra em Donetsk.

Israel ‘mudou paradigma ao colocar jornalistas como alvo deliberado’

Depois de Israel, o Sudão aparece como o país responsável por mais mortes de profissionais de imprensa em 2025, seguido por México, Rússia e Filipinas.

No Sudão, nove jornalistas e trabalhadores de imprensa foram mortos em 2025 — um aumento em relação a 2024 e 2023, quando a brutal guerra civil do país entrou em seu terceiro ano.

Mas, na avaliação do CPJ, “o desrespeito de Israel pela vida dos jornalistas — e pelas leis internacionais destinadas a protegê-los — é incomparável”, diz o documento.

“Embora o jornalismo de guerra seja essencialmente perigoso, Israel mudou o paradigma ao colocar jornalistas como seu alvo deliberado e ilegal”, afirma o CPJ.

Oficialmente, a organização diz ter comprovado 47 casos de jornalistas atacados deliberadamente, com Israel responsável por 81% deles. Entretanto, a situação pode ser pior, segundo o relatório.

“Em meio às extremas restrições impostas a Gaza, incluindo a proibição do acesso independente da imprensa estrangeira, infraestrutura de comunicação destruída, deslocamento em massa e perda generalizada de vidas, é difícil investigar as circunstâncias de cada morte.

Com muitas evidências agora destruídas, o verdadeiro número de jornalistas palestinos em Gaza que foram deliberadamente alvo de Israel pode nunca ser conhecido.”

373 jornalistas mortos por militares em 15 anos

O levantamento do CPJ contabilizou 373 profissionais de imprensa mortos em decorrência de atos praticados por forças militares nos últimos 15 anos, com 60% dos casos registrados desde 2022. Apenas 21 deles não foram mortos pelo Exército de Israel.

“O ataque deliberado e o assassinato de um jornalista por militares, que são obrigados a proteger civis sob a lei internacional, constitui um crime de guerra”, destaca o CPJ.

A organização disse ter instado as autoridades internacionais a garantirem que todos os casos de assassinatos deliberados de profissionais de imprensa sejam investigados de forma independente e imparcial como crimes de guerra, “dada a falta de vontade de longa data de Israel em investigar e processar crimes cometidos por seus militares”.

“Os perpetradores — desde os indivíduos nas unidades do Exército até o mais alto nível da cadeia de comando — devem ser responsabilizados”, afirma o CPJ.

error: O conteúdo é protegido.