No mais mortal para a imprensa desde que o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) passou a monitorar crimes contra profissionais de mídia relacionados ao trabalho, há mais de três décadas, 129 jornalistas perderam a vida em 2025. Dois terços deles foram vítimas de ataques atribuídos a forças militares de Israel.
Os números fazem parte do relatório anual da instituição, publicado no mesmo dia em que a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) também divulgou seu balanço, registrando 128 fatalidades.
Organizações de liberdade de imprensa usam metodologias diferentes para suas contagens, o que leva a pequenas variações.
O que não variou este ano foi a predominância de mortes resultantes de ações do Exército de Israel contra jornalistas que cobriam a guerra em Gaza — em alguns casos, justificadas sob a alegação de que os profissionais de imprensa seriam terroristas do Hamas. Do total de mortos na guerra, mais de 60% eram palestinos.
Em 2024, forças israelenses também responderam por dois terços das mortes de jornalistas no mundo.
Drones, a nova arma para silenciar a imprensa no mundo
O CPJ destacou que drones se tornaram uma arma comum em ataques a profissionais e equipes de imprensa em 2025: 39 mortes foram causadas por eles, e não apenas em Gaza.
Na Ucrânia, quatro jornalistas foram mortos por drones militares russos. Entre eles estão os jornalistas ucranianos Olena Hramova e Yevhen Karmazin, atacados enquanto reportavam para a emissora internacional financiada pelo Estado da Ucrânia, Freedom, em Kramatorsk, na região leste de Donetsk.
O fotojornalista francês Antoni Lallican também foi morto por um ataque direcionado de um drone russo em 3 de outubro de 2025, enquanto cobria a guerra em Donetsk.
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Israel ‘mudou paradigma ao colocar jornalistas como alvo deliberado’
Depois de Israel, o Sudão aparece como o país responsável por mais mortes de profissionais de imprensa em 2025, seguido por México, Rússia e Filipinas.
No Sudão, nove jornalistas e trabalhadores de imprensa foram mortos em 2025 — um aumento em relação a 2024 e 2023, quando a brutal guerra civil do país entrou em seu terceiro ano.
Mas, na avaliação do CPJ, “o desrespeito de Israel pela vida dos jornalistas — e pelas leis internacionais destinadas a protegê-los — é incomparável”, diz o documento.
“Embora o jornalismo de guerra seja essencialmente perigoso, Israel mudou o paradigma ao colocar jornalistas como seu alvo deliberado e ilegal”, afirma o CPJ.
Oficialmente, a organização diz ter comprovado 47 casos de jornalistas atacados deliberadamente, com Israel responsável por 81% deles. Entretanto, a situação pode ser pior, segundo o relatório.
“Em meio às extremas restrições impostas a Gaza, incluindo a proibição do acesso independente da imprensa estrangeira, infraestrutura de comunicação destruída, deslocamento em massa e perda generalizada de vidas, é difícil investigar as circunstâncias de cada morte.
Com muitas evidências agora destruídas, o verdadeiro número de jornalistas palestinos em Gaza que foram deliberadamente alvo de Israel pode nunca ser conhecido.”
373 jornalistas mortos por militares em 15 anos
O levantamento do CPJ contabilizou 373 profissionais de imprensa mortos em decorrência de atos praticados por forças militares nos últimos 15 anos, com 60% dos casos registrados desde 2022. Apenas 21 deles não foram mortos pelo Exército de Israel.
“O ataque deliberado e o assassinato de um jornalista por militares, que são obrigados a proteger civis sob a lei internacional, constitui um crime de guerra”, destaca o CPJ.
A organização disse ter instado as autoridades internacionais a garantirem que todos os casos de assassinatos deliberados de profissionais de imprensa sejam investigados de forma independente e imparcial como crimes de guerra, “dada a falta de vontade de longa data de Israel em investigar e processar crimes cometidos por seus militares”.
“Os perpetradores — desde os indivíduos nas unidades do Exército até o mais alto nível da cadeia de comando — devem ser responsabilizados”, afirma o CPJ.
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