Dois brasileiros estão entre os finalistas da categoria profissional do concurso de fotografia Sony World Photography Awards 2026. O Fotógrafo do Ano será anunciado no dia 16 de abril em Londres, junto com os vencedores de cada categoria do prêmio.
André Tezza está entre os finalistas na categoria Arquitetura & Design com a série ‘Estruturas do Cotidiano’, que destaca a arquitetura modesta de mercados de bairro na periferia de Curitiba.
Já a brasileira Daniela Balestrin está entre os pré-selecionados na categoria Criatividade, com o ensaio fotográfico ‘Onde termina a árvore e começa o resto do mundo?’ e a série ‘Thereza’.
Conheça as fotografias selecionadas no concurso profissional de 2026
Arquitetura & Design | André Tezza, Brasil
Batizada em homenagem a uma das filhas do proprietário, a loja e mercado Marielen é um negócio familiar e fica em Campo Largo, Curitiba, no mesmo prédio onde a família mora, mesclando espaço doméstico e arquitetura comercial em uma única estrutura cotidiana.

Este pequeno mercado de bairro chamado Safira também fica em Campo Largo e está inserido no urbano periférico, refletindo a arquitetura vernacular moldada pelo comércio local e pela vida comunitária.

“Frequentemente administradas por famílias e ligadas a espaços domésticos, as lojas unem trabalho, memória e moradia em um único edifício. Esta série reflete a crença de que a beleza arquitetônica existe em lugares comuns e despercebidos”, explica Tezza, finalista do concurso de fotografia na competição profissional.
Criatividade | Daniela Balestrin, Brasil
Série ‘Onde termina a árvore e começa o resto do mundo?’
Cada uma das fotografias que compõem a série foi feita como uma parte de uma busca pelo extraordinário no trivial; pela imensidão presente nas pequenas coisas, como em ‘Ao meio-dia, os pássaros’.

‘É aqui que o amor vem para morrer’ é a segunda sequência de fotos finalistas do concurso de fotografia profissional.

“As fotografias são estruturadas em polípticos – sempre em número de quatro – em alusão à lirismo das estrofes de sonetos, onde a narrativa e seu ritmo se desenvolvem dentro de uma forma métrica poética.
Os polípticos foram criados em 2023 a partir de fotografias analógicas tiradas nos últimos três anos; a maioria das fotografias foi tirada em minha casa em São Paulo”, conta a fotógrafa que foi pré-selecionada no prêmio de fotografia Sony World Photography Awards.
Série ‘Thereza’
A série ‘Thereza’ nasceu de uma ausência: a história apagada da bisavó da artista. Sem registros familiares, a fotógrafa recriou uma existência a partir de fragmentos, silêncios e vestígios.
Através da fotografia, da escrita e de processos experimentais de cianotipia, ela transforma o esquecimento em matéria sensorial. A fotografia deixa de ser mero registro e se torna recomposição — dissolvida em água, reconstituída pela luz, reinventada pelo gesto.

A fotógrafa utiliza impressões cianotípicas criadas a partir de negativos digitais. Ela explica que essas impressões são alteradas por meio de intervenções químicas e manuais que produzem fraturas, desvios e sutis rupturas “como se o gesto buscasse recuperar o que o tempo tentou apagar”.
Entre o azul profundo da emulsão e as marcas que emergem na superfície, a obra entrelaça corpo, história e materialidade. ‘Thereza’ é uma forma de restaurar a vida ao que antes parecia perdido e de reconhecer que nada cessa: tudo se transforma em outra forma de existência.

Conheça os outros finalistas das categorias Arquitetura e Criatividade
O júri do Sony World Photography Awards escolheu os 30 finalistas e os mais de 65 fotógrafos pré-selecionados para a competição profissional de 2026 entre mais de 430 mil imagens enviadas por fotógrafos de mais de 200 países e territórios.
O ganhador do título de Fotógrafo do Ano 2026 e os 10 vencedores de cada categoria do concurso de fotografia serão anunciados no dia 16 de abril, e terão seus trabalhos expostos na Somerset House, em Londres, a partir do dia 17.
Veja os trabalhos que disputarão o prêmio com os dois brasileiros.
Arquitetura & Design
Torres de vigia chinesas, por Chen Liang, China
Muitas das torres de vigia em Jiangmen, na província de Guangdong, China, foram construídas durante o período da República da China (1912-1949) como refúgios públicos e fortalezas defensivas. A foto mostra a torre de vigia Jin Hong, construída em Kaiping em 1890.

A maioria das torres foi construída por chineses que viviam no exterior e retornaram às suas cidades natais, ou que arrecadaram fundos para construí-las no campo, resultando em uma forma arquitetônica única que combina influências chinesas e ocidentais.
A imagem retrata a torre de vigia de Yuqing, construída em Jiangmen em 1922 por um homem chamado He, que retornou à China após uma temporada no exterior.

Em 2007, as Torres de Vigia de Kaiping e as aldeias de Guangdong foram oficialmente declaradas Patrimônio Mundial da UNESCO.
Casas de Haor, por Joy Saha, Bangladesh
A série ‘Casas de Haor’ documenta a arquitetura vernacular de Ashtagram, Kishoreganj, na região de Haor, em Bangladesh. As casas são construídas sobre montes naturais que se tornam ilhas durante a monção, cercadas pelas águas das cheias sazonais, e os barcos se tornam o principal meio de transporte.
A imagem ‘Layout de uma propriedade rural elevada’ mostra as estruturas, animais e pequenas áreas de jardim projetadas para parecerem funcionais durante as cheias das monções.

Já a foto ‘Fazenda isolada na ilha’ retrata um assentamento, semelhante a uma ilha, com casas e animais. O monte naturalmente elevado fica acima das águas de inundação da monção.

Vistas de cima, as construções formam padrões distintos, moldados pela elevação, pela água e pela função. Estradas elevadas, moradias agrupadas e espaços para animais cuidadosamente organizados revelam como as comunidades rurais projetam e adaptam seu ambiente construído a uma paisagem definida pela água.
Criatividade
The Palm, On Piru, por Ben Brooks, Reino Unido
‘The Palm, On Piru’ é uma das séries finalistas do prêmio de fotografia profissional do Sony World Photography Awards 2026. A obra explora as conexões espirituais e as identidades coletivas de rappers do sul de Los Angeles com ligações às gangues Pirus/Bloods.
O trabalho se concentra nas pessoas e nos lugares centrais para as origens do gênero musical G-funk do hip-hop da Costa Oeste e na cultura paralela de gangues da Califórnia, examinando a interação entre seu ambiente, comunidade e expressão artística. A foto intitulada ‘Barson’ foi feita em Carson, Califórnia.

Esse retrato chamado ‘Mari Ruger’ foi registrado em Compton, Califórnia.

A série foi fotografada em filme infravermelho colorido, com seus distintos tons de vermelho e rosa criando conexões entre o ambiente e os artistas, membros e famílias que formam o lado vermelho da divisão cultural e a espinha dorsal do hip-hop da Costa Oeste.
Bilha, Histórias das minhas irmãs, por Citlali Fabian, México
Crescer sem modelos a seguir pode dificultar sonhar ou reconhecer a própria capacidade de moldar o futuro. Esta série fotográfica busca criar um precedente por meio da colaboração com ativistas e artistas de diversas comunidades indígenas do sul do México, particularmente do estado de Oaxaca.
Mitzy Violeta Cortez faz parte da Indigenous Futures, uma rede que discute a crise climática a partir da perspectiva dos povos indígenas. Ela participou de fóruns como a COP26 e a COP30. Neste retrato, Mitzy é representada com seus ancestrais e futuras gerações como uma frente unida na defesa de seu território.

Yasnaya Elena Aguilar é uma linguista, escritora e ativista ayuujk que defende a diversidade linguística e os direitos indígenas. Aqui, Yasnaya é representada com sua avó e bisavó, os pilares de sua educação e seus guias para ver o mundo. O ‘ää’ representa as sementes que ela plantou para proteger e preservar sua língua nativa.

As histórias oferecem um vislumbre do mundo em que vivemos e de como seus papéis e trabalhos estão gerando impacto e mudanças significativas em suas comunidades e além. Este projeto tem como objetivo ser publicado como um livro infantil, com ilustrações digitais feitas pela fotógrafa.
The Black Album, por Pablo Ramos, México
Com mais de 130 mil pessoas desaparecidas no México e um novo desaparecimento ocorrendo a cada 40 minutos, aproximadamente, ‘The Black Album’ transforma imagens de arquivo em um retrato coletivo e comovente da ausência, da perda e do luto não resolvido.
A ausência deixa um vazio irreparável, como peças faltantes em um quebra-cabeça que jamais poderá ser totalmente remontado.

“As fotografias de ‘The Black Album’ evocam esse vazio, oferecendo uma linguagem visual para a perda, a incerteza e a dolorosa persistência da esperança em meio a perguntas sem resposta”, explica o fotógrafo finalista na categoria profissional do prêmio de fotografia Sony World Photography Awards.

Em vez de documentar o desaparecimento diretamente, este ensaio fotográfico reinterpreta o passado para questionar o futuro.
Por meio de uma intervenção em um arquivo fotográfico, o projeto constrói um “álbum” simbólico dos desaparecidos do México — um reflexo perturbador de um país que vive uma era sombria prolongada, na qual a ausência se tornou rotina e a invisibilidade, sistêmica.
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