© Conteúdo protegido por direitos autorais

Redes, IA e mais: estudo do Instituto Reuters mostra como jovens se informam

Documento reúne insights de pesquisas realizadas em mais de uma década

homem lendo notícias no smartphone, uma das formas de acessar conteúdo sobre política na internet

Foto: Derick Anise/Unplash




O Instituto Reuters para Estudos de Jornalismo, de Oxford, publicou nesta terça-feira (24) um relatório sobre o fantasma que assombra a indústria de mídia, porque diz respeito ao seu futuro institucional e comercial: como os jovens se informam e o que pensam sobre o jornalismo.

Apesar do rigor acadêmico do trabalho, o Reuters não traz uma receita de bolo para as empresas jornalísticas se manterem relevantes e lucrativas, nem grandes revelações — até porque o documento é uma compilação de pesquisas realizadas em mais de uma década.

O próprio instituto admite ainda que “jovem” é um rótulo que não representa os vários tipos de jovens em diferentes partes do mundo.

No entanto, em meio a obviedades como a constatação de que pessoas entre 18 e 24 anos agora usam mais as redes sociais do que sites para se informar em comparação com 2015 — quando as plataformas ainda engatinhavam e muitas, como o TikTok, sequer existiam —, há insights importantes que merecem atenção.

Como jovens se informam: afinal, eles querem se informar?

Um deles é a vontade de se informar. De acordo com o Reuters, cerca de dois terços (64%) das pessoas nessa faixa etária consomem notícias diariamente, em comparação com 87% das pessoas com 55 anos ou mais.

Isso ocorre em parte porque o consumo de notícias liderado pelas redes sociais é menos intencional e mais casual, dizem os pesquisadores.

O avanço dos chatbots como fonte de informação é igualmente relevante — e seu impacto para a indústria também. Jovens até 24 anos estão mais confortáveis com a IA, usando chatbots para notícias com mais frequência e de maneiras mais elaboradas do que pessoas mais velhas.

Cerca de 15% deles usam IA para acessar notícias semanalmente, em comparação com apenas 3% das pessoas com 55 anos ou mais.

Também demonstram atitudes mais positivas em relação ao jornalismo entregue por IAs e são mais propensos a dizer que usam IA para ajudar a navegar e simplificar notícias complexas.

Metodologia do estudo

O novo relatório do Reuters é baseado em constatações sobre atitudes e opiniões sobre o que jovens pensam sobre o jornalismo e como se informam obtidas em pesquisas realizadas pelo instituto nos últimos 12 anos, com destaque para as edições anuais do Digital News Report.

Como o foco do estudo é baseado em um grupo demográfico específico, em vez explorar diferenças por país os pesquisadores examinaram dados de vários mercados agrupados, ja que a principal fonte não abordou os mesmos países a cada ano.

O Digital News Report começou em 2013 com nove mercados e passou para 48 em 2025. Para evitar inconsistências, o novo relatório considera apenas dados de mercados incluídos desde o início, incluindo o Brasil, pesquisados na primeira edição do estudo.

O que aconteceu na última década?

Segundo o Instituto Reuters, o relevante não é o afastamento dos jovens da mídia tradicional, como televisão e jornais. Em 2015, eles já haviam se afastado dessas fontes de notícias ou, na maioria dos casos, nunca as haviam usado como fonte primária.

Na verdade, o mais importante nesse período é a consolidação do afastamento de sites de notícias, migrando para  as mídias sociais e outras formas de acesso ‘distribuído’, diz o relatório.

Veja as principais conclusões:

  • Os jovens estão se informando com menos frequência do que os mais velhos. Cerca de dois terços (64%) das pessoas de 18 a 24 anos consomem notícias diariamente, em comparação com 87% das pessoas com 55 anos ou mais.
  • Os jovens também estão menos interessados em se informar. Apenas um terço (35%) de pessoas entre 18 e 24 anos em comparação com 52% daqueles com mais de 55 anos disseram que estão ‘muito’ ou ‘extremamente’ interessados em notícias no Digital News Report de 2025.
  • Os jovens estão menos interessados em tópicos como política e estão relativamente mais interessados em conteúdo divertido.
  • Homens jovens estão mais interessados em ciência e tecnologia, enquanto mulheres jovens preferem notícias de saúde mental.

Notícias ‘deprimentes’ e difíceis afetam como jovens se informam

  • Cerca de quatro em cada dez (42%) jovens dizem que ‘às vezes’ ou ‘muitas vezes’ evitam as notícias, taxa semelhante à de outras faixas etárias.
  • Todas as faixas etárias citam a natureza deprimente das notícias como a principal razão do afastamento. Mas os jovens são relativamente mais propensos a dizer que as notícias não parecem relevantes para eles ou que as acham difíceis de entender como justificativa para o desinteresse.

TikTok, Instagram e YouTube reinam entre jovens

  • Pessoas entre 18 a 24 anos adotaram de vez as plataformas audiovisuais. Eles agora confiam no TikTok, Instagram e YouTube para notícias, ultrapassando o Facebook, que era a plataforma dominante há dez anos.
  • Nas redes sociais e de vídeo, os jovens dizem que prestam mais atenção nos criadores de notícias individuais (51%) do que nas empresas jornalísticas tradicionais (39%), enquanto os entrevistados na faixa etária acima de 55 anos  dizem prestar mais atenção aos veículos da grande imprensa.
  • Os jovens são mais propensos do que os grupos mais velhos a preferir ouvir ou assistir a notícias online – embora a preferência pela leitura ainda esteja à frente na maioria dos mercados por enquanto. Eles também consomem mais podcasts do que pessoas com mais idade.

IA vira fonte de informação para os jovens

  • Pessoas de 18 a 24 anos se sentem mais confortáveis com a IA, usando chatbots para notícias com mais frequência e de maneiras mais elaboradas do que as pessoas mais velhas.
  • Cerca de 15% estão usando IA para acessar notícias semanalmente, em comparação com apenas 3% daqueles com 55 anos ou mais.
  • Eles também têm atitudes mais positivas em relação ao jornalismo entregue por chatbots de IA e são mais propensos a dizer que usam IA para ajudar a navegar e entender notícias complexas.

Imparcialidade do jornalismo faz diferença sobre como jovens se informam?

  • A maioria das pessoas em todas as gerações defende a ideia de imparcialidade do jornalismo.
  • Mas os jovens com mais frequência (32% em comparação com 19% daqueles com mais de 55) anos acham que “não faz sentido que os meios de comunicação sejam neutros em certas questões”, como mudanças climáticas ou racismo.

O relatório completo pode ser visto aqui.


error: O conteúdo é protegido.