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Censura

Rússia bane documentário Mr. Nobody Against Putin, vencedor do Oscar, alegando ‘extremismo’

Filme retrata cotidiano de uma escola na região dos Montes Urais e a doutrinação de alunos, sob a perspectiva de um professor que deixou o país após as gravações

Pavel Talankin no documentário Mr. Nobody Against Putin, vencedor do Oscar 2026

Pavel Talankin em Mr. Nobody Against Putin (foto: divulgação)




O Tribunal Central de Cheliabinsk, na região dos Urais, na Rússia, anunciou a proibição do documentário Mr. Nobody Against Putin, vencedor do Oscar 2026 de Melhor Documentário.

A decisão, tomada a pedido da promotoria regional e anunciada nesta quinta-feira (26) classifica a obra como material que promove extremismo e terrorismo, com base na legislação russa de combate ao extremismo.

Mr. Nobody Against Putin conquistou o Oscar de Melhor Documentário, tornando-se uma das produções russas mais comentadas internacionalmente nas últimas semanas – e despertou a ira do governo e de políticos apoiadores do regime de Vladimir Putin.

O filme vencedor do Oscar banido na Rússia

A obra foi dirigida por Pavel Talankin, ex-professor da região dos Urais, em colaboração com o documentarista norte-americano David Borenstein.

O filme acompanha o cotidiano de uma escola local e retrata o impacto da guerra na Ucrânia sobre professores, alunos e famílias. Também inclui depoimentos críticos ao governo russo e ao ambiente político do país após o início da invasão.

Talankin deixou a Rússia após as filmagens, temendo repercussões legais e pressões políticas. Ele passou a residir no exterior depois de concluir o projeto.

Por que a Rússia proibiu o filme

A promotoria alegou que o filme contém elementos que expressam uma atitude negativa em relação à “operação militar especial” na Ucrânia e ao atual governo da Federação Russa, como a guerra é chamada, além de apresentar símbolos considerados ilegais no país.

Entre eles está a bandeira branca-azul-branca, associada à Legião da Liberdade da Rússia, grupo rotulado pelo Estado russo como organização extremista e terrorista.

Em nota divulgada à imprensa russa, o Ministério Público afirmou que o documentário promove organizações extremistas e contém mensagens que podem desestabilizar a ordem constitucional.

A promotoria acrescentou ainda que a obra inclui imagens de menores sem autorização dos responsáveis, o que também fundamentou o pedido de banimento.

O Conselho de Direitos Humanos ligado ao Kremlin afirmou ter enviado comunicações ao comitê do Oscar e à UNESCO, alegando irregularidades no uso de imagens de crianças.

Com a decisão judicial, o tribunal determinou que o filme seja removido das plataformas citadas na decisão e proibiu sua distribuição em qualquer formato dentro da Rússia.

Documentários do Oscar incomodam

O documentário russo não é o primeiro a enfrentar dificuldades após reconhecimento em festivais e no Oscar.

Em 2025, o vencedor da estatueta, No Other Land, uma produção palestino-israelense  sobre a Guerra em Gaza, foi pouco exibido nos EUA por recusa dos distribuidores em lançar o filme em larga escala em cinemas.


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