As reações furiosas à contratação do rapper Kanye West (agora Ye) para se apresentar em um dos festivais musicais programados para a temporada de verão em Londres gerou uma crise que levou dois patrocinadores, a Pepsi e a Diageo, a retiraram seu apoio ao evento.
West acumulou nos últimos anos condenações públicas por declarações antissemitas e manifestações de admiração por Adolf Hitler.
A confirmação de seu nome no festival provocou críticas imediatas de entidades judaicas e de autoridades britânicas como o primeiro-ministro Keir Starmer e o prefeito de Londres, Sadiq Khan.
A Pepsi era a patrocinadora principal do Wireless Festival, e anunciou o cancelamento do patrocínio na manhã de domingo (5).
Poucas horas depois de sua saída, a Diageo, dona de marcas como Johnnie Walker e Captain Morgan, informou que também deixaria de apoiar o festival depois de ter informado os organizadores sobre suas preocupações.
Kanye West segue listado como atração do festival em Londres
Apesar da controvérsia, na manhã de segunda-feira (6) o site oficial do Wireless continuava exibindo Ye como atração principal dos três dias de festival, marcados para 10, 11 e 12 de julho, em Finsbury Park, Londres.
O evento também seguia sendo associado com a marca Pepsi em sua comunicação visual. Na abertura do site aparecia a mensagem “Pepsi apresenta”.
Horas mais tarde, o produtor do evento defendeu a participação de Kanye West, referindo-se aos pedidos de desculpas feitos por ele no início deste ano a respeito de manifestações antissemitas, e o artista também foi a público para afirmar que gostaria de se encontrar em Londres como representantes da comunidade judaica.
Reações após onda de antissemitismo
A controvérsia acontece em um momento de forte atenção ao antissemitismo no Reino Unido, intensificada após as guerras no Irã e em Gaza
Em 23 de março, quatro ambulâncias da organização judaica Hatzola Northwest foram incendiadas em Golders Green, no norte de Londres. O caso passou a ser investigado pela polícia antiterrorismo como crime de ódio antissemita, e quatro homens foram presos.
O episódio reforçou a preocupação de lideranças judaicas e autoridades britânicas em relação ao aumento de ataques e ameaças contra a comunidade.
O histórico de declarações e controvérsias de Kanye West
A escalação de Kanye West para se apresentar no festival foi um risco alto assumido pelos organizadores.
Desde 2022, Ye, como passou a se chamar, vem fazendo comentários antissemitas que levaram ao rompimento de relações com empresas e parceiros comerciais.
Naquele ano, a Adidas anunciou que estava encerrando sua parceria com West por causa de seu antissemitismo.
Em 2023 ele chegou a publicar um pedido de desculpas à comunidade judaica. Mas seguiu fazendo postagens antissemita e em 2025 lançou uma canção chamada “Heil Hitler”, além de vender roupas com símbolos nazistas no site de sua marca de roupas e acessórios na Internet.
Em janeiro de 2026, West voltou a pedir desculpas em uma carta aberta veiculada no Wall Street Journal, negando ser nazista e atribuindo os comentários ao diagnóstico de transtorno bipolar. Mas a julgar pelas reações à sua presença no festival, não convenceu.
O que disseram as autoridades
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou a contratação como “profundamente preocupante”.
Já o prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse que as falas anteriores de Ye são “ofensivas e erradas” e que não refletem os valores da cidade. Khan também afirmou que a prefeitura não participou da decisão de escalá-lo para o festival.
Paralelamente ao cancelamento dos patrocínios, há uma pressão pública de entidades judaicas como a CAA (Campaign Against Antisemitism) sobre o governo para proibir a entrada do rapper no país, o que a legislação permite caso exista risco para a ordem pública.
Isso aconteceu na Austrália em julho de 2025, em reação à música glorificando Hitler lançada dois meses antes. O visto do artista foi cancelado.
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