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Trump x Murdoch

Juiz rejeita processo de Trump contra Wall Street Journal e Murdoch por matéria que o ligava a Epstein

Presidente acionou a Justiça em julho de 2025 após jornal americano publicar suposto bilhete de aniversário enviado por ele ao bilionário

Ruppert Murdoch, dono da Fox News, e Donald Trump, que rompeu com o antigo aliado após divulgação de carta supostamente enviada a Epstein

Ruppert Murdoch é dono da Fox News e do Wall Street Journal, que revelou a suposta carta de Trump a Jeffrey Epstein (fotos: divulgação)




Um juiz federal rejeitou nesta segunda-feira (13) o processo bilionário movido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Wall Street Journal e seu dono, o magnata da mídia Rupert Murdoch, após uma reportagem que ligava o nome dele ao caso Epstein.

Trump acionou a Justiça com base na lei federal de difamação após o jornal divulgar uma suposta carta enviada pelo presidente a Epstein no seu aniversário de 50 anos, em 2003.

O bilhete, uma congratulação pelo aniversário do bilionário, inclui um desenho obsceno e mensagens ambíguas. A carta faria parte de um caderno de aniversário preparado por Ghislaine Maxwell, então namorada de Epstein.

Mesmo que temporária, pois o processo ainda pode ser reapresentado até 27 de abril com novas evidências, a derrota marca mais um capítulo da ligação indesejada entre o presidente dos Estados Unidos e Jeffery Epstein.

O nome do financista condenado por crimes sexuais e que morreu por suicídio na prisão em 2019  tem sido um fantasma no segundo mandato de Trump, marcando a sua campanha eleitoral e chegando a envolver um pronunciamento da primeira-dama, Melania Trump na última semana.

Epstein morreu na cadeia em 2019, condenado por crimes sexuais e prestes a enfrentar outros julgamentos. Maxwell, por sua vez, recebeu uma condenação e está presa nos EUA.

Processo contra Wall Street Journal

Pedindo US$ 10 bilhões (equivalente a R$ 50 bilhões), o presidente disse que o texto do Wall Street Journal tinha declarações falsas, difamatórias e depreciativas.

Além disso, ele afirmou que sofreu “danos financeiros irreparáveis” e que os repórteres agiram de forma consciente e imprudente para prejudicá-lo.

A ação foi movida em julho e usada como “ameaça” pelo presidente contra outros jornais, que também têm sofrido perseguição judicial de Trump.

Em publicação na rede Truth Social quando ameaçou processar o WSJ, o republicano disse que os americanos “não tolerarão mais abusos e injustiças da mídia de ‘fake news'”.

O fator mais impressionante do processo contra o jornal é que ele marcou um racha do presidente dos EUA com o magnata da mídia Rupert Murdoch, arrolado como réu junto com o jornal

Murdoch é dono do mesmo conglomerado que controla não só o WSJ, mas também a Fox News, canal considerado decisivo na consolidação da base política de Trump. Trump teria ligado para Murdoch pedindo que a matéria não fosse publicada, mas não foi atendido.

Alegações foram insuficientes

O juiz distrital Darrin P. Gayles afirmou que Trump não conseguiu justificar na alegação que a publicação do Wall Street Journal foi maliciosa, como ele alega.

Gayles também não acatou o pedido da defesa do WSJ, que quis que a Justiça reconhecesse o conteúdo publicado por eles como verdadeiro.

“Se o presidente Trump foi o autor da carta ou amigo de Epstein são questões que, de fato, não podem ser determinadas nesta fase do litígio”, declarou.

A Casa Branca e o presidente reagiram salientando que o processo não foi encerrado, e que o juiz deu a oportunidade de os autores protocolarem uma nova petição até 27 de abril, sugerindo ter sido uma ordem do juiz e não uma etapa normal de um processo descartado na primeira leitura.

Em comunicado, um porta-voz da equipe jurídica de Trump disse:

“O presidente Trump seguirá a decisão e a orientação do juiz Gayles para protocolar novamente este processo poderoso contra o Wall Street Journal e todos os outros réus. O presidente continuará a responsabilizar aqueles que traficam notícias falsas para enganar o povo americano.”

Na Truth Social, igualmente tentou vender a derrota inicial como apenas uma etapa.

“Nosso poderoso caso contra o The Wall Street Journal e outros réus foi solicitado a ser novamente protocolado pelo juiz. “Não é uma rejeição, é um novo protocolo de petição sugerido. De acordo com a ordem judicial, entraremos novamente uma ação judicial atualizada em ou antes de 27 de abril.”

Batalha de Trump contra jornais

O processo movido por Trump contra o WSJ após a reportagem do caso Epstein não é a única batalha judicial em curso dele contra redes de comunicação no momento. Em menos de um mês, o governo do republicano tem acumulado derrotas em ações contra jornais e canais.

Em um dos processos, a Justiça considerou contratação de Kari Lake, aliada de Trump, para um cargo similar ao de CEO na USAGM, agência de mídia global dos EUA, ilegal.

Duas semanas depois, um juiz distrital suspendeu uma ordem executiva do presidente determinando corte do financiamento federal das emissoras públicas NPR e PBS.

Em outra frente, o governo perdeu um processo movido pelo The New York Times contra o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

O jornal teve as credenciais de jornalistas que cobriam o Pentágono retiradas após a recusa de seguir um conjunto de regras.

Na ocasião, um juiz concluiu que a política era excessivamente ampla e violava garantias constitucionais básicas, mandando devolver os crachás.

O Pentágono rebateu e acabou retirando o acesso de todos os jornalistas ao prédio principal, colocando-os em um anexo, mas essa decisão também foi alvo de reprimenda do juiz responsável pela sentença, que a considerou um desrespeito à ordem judicial.

Caso Epstein estremeceu base de Trump

O caso Epstein tem sido um capítulo espinhoso no segundo mandado do presidente. Além de colocar Trump contra parceiros de longa data, como Murdoch, ele também afastou parte da base de apoio do republicano.

Isso aconteceu porque Trump fez uma promessa de campanha afirmando que divulgaria todos os documentos do caso, mas pareceu “voltar atrás” meses após assumir.

O Departamento de Justiça declarou o caso encerrado sem dar muitas explicações no primeiro semestre de 2025.

O pronunciamento gerou revolta entre apoiadores, alguns dos quais passaram a queimar bonés com o slogan “Make America Great Again” e a questionar a liderança de Trump no movimento MAGA.

Em dezembro de 2025, diante de forte pressão, o Departamento de Justiça liberou alguns dos documentos das investigações.

As publicações foram fortemente censuradas e, em alguns casos, totalmente rasuradas. Em janeiro de 2026, o governo divulgou uma “versão final” das investigações, com mais de três milhões de documentos.

Primeira-dama negou ligação com Epstein

Com a guerra no Irã as manchetes sobre o caso Epstein haviam diminuído, mas a história voltou a chamar atenção devido a um pronunciamento inesperado da primeira-dama, Melania Trump, feito na última quinta-feira (9).

No pódio diante da Casa Branca onde importantes comunicados são feitos à imprensa credenciada para cobrir o governo, Melania Trump disse que qualquer alegação que ligue ela a Epstein”precisa terminar”.

Ela disse que nunca foi vítima de Epstein e, além disso, negou que o bilionário tenha a apresentado a Trump. A primeira-dama classificou tentativas de ligação entre os nomes dos dois de ações “maldosas para difamá-la”,  mas não explicou a razão do comunicado.

Além disso, Melania também pediu que o Congresso dos EUA ouvisse sobreviventes da rede de tráfico sexual do bilionário.

“Toda mulher deve ter o direito de contar sua história publicamente, se assim quiser. Seu depoimento deve ser registrado permanentemente nos anais do Congresso. Só então teremos a verdade”


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