Grifes britânicas, chapéus elaborados, vestidos de gala, trajes esportivos, joias históricas, as famosas bolsas de mão e o inconfundível conjunto de vestido com casaquinho que virou assinatura visual da rainha Elizabeth II agora estão reunidos em uma exposição no Palácio de Buckingham, em Londres, em comemoração aos 100 anos de nascimento da monarca, em 21 de abril.
A mostra “Queen Elizabeth II: Her Life in Style”, em cartaz na The King’s Gallery, abre pela primeira vez o guarda-roupa de uma das figuras mais reconhecidas e influentes da história contemporânea – da política ao estilo.

A exposição percorre dez décadas de vida e mais de 70 anos de reinado para mostrar como a moda ajudou a construir uma presença pública imediatamente identificável, e que nem sempre se limitou ao conjunto de vestido-casaco-chapéu em cores fortes adornado por colar de pérolas, broche e luvas brancas.
A rainha acompanhava tendências como o New Look de Dior e o pop da Swinging London dos anos 70, e participava da criação de seus looks.
A exposição é acompanhada pelo livro “Queen Elizabeth II: Fashion and Style”, publicação oficial do Royal Collection Trust. A obra funciona como uma extensão da mostra — para quem não puder visitar Londres ou para quem quiser levar para casa essa história em que moda, poder simbólico e memória visual caminham juntos.

Por meio de capítulos temáticos, linha do tempo e perfis de criadores, a publicação e a exposição acompanham a evolução de seu estilo desde o nascimento até a maturidade, passando pela juventude como princesa e por seu longo reinado. O prefácio foi escrito pela lendária editora de moda Anna Wintour, da Vogue.
As duas ficaram amigas e a rainha apareceu algumas vezes sentada ao lado de Wintour na primeira fila dos desfiles da London Fashion Week, valorizando estilistas e grifes britânicas.
O guarda-roupa da Rainha Elizabeth II como história da moda
Juntos, exposição e livro reúnem vestidos, casacos, chapéus, bolsas, joias, sapatos, luvas, esboços, amostras de tecido, fotografias históricas e documentos de arquivo.
O conjunto ajuda a compreender como Elizabeth II transformou o vestuário em linguagem de Estado, marca pessoal e forma silenciosa de comunicação com o público.

A moda da rainha Elizabeth como diplomacia
A exposição e o livro mostram também o envolvimento direto da Rainha Elizabeth II na criação de seu guarda-roupa. O acervo revela o extraordinário trabalho artesanal, a colaboração com estilistas britânicos e o uso da moda como linguagem diplomática.
Entre os nomes em destaque estão Norman Hartnell e Hardy Amies, estilistas fundamentais para a construção da imagem pública da rainha.



Exposição reconstrói o estilo da princesa que virou rainha
Os primeiros núcleos da exposição recuperam a relação precoce da Princesa Elizabeth com a moda, desde a infância e juventude até suas primeiras peças de alta-costura. Esse período coincidiu com a ascensão de Londres como centro de alta-costura capaz de rivalizar com Paris.


Entre os destaques estão o vestido de cetim e algodão Chantilly usado na coroação de seu pai, em 1937; o primeiro vestido longo de gala usado pela princesa depois de se tornar herdeira do trono; e vestidos de dia inspirados no New Look de Dior, no fim dos anos 1940 e início dos anos 1950.



O estilo que virou assinatura
A exposição dedica espaço às roupas cerimoniais, aos uniformes militares, à alfaiataria e às peças usadas no dia a dia. A partir desse conjunto, fica evidente a fórmula visual que tornou a Rainha Elizabeth II imediatamente reconhecível: vestido de cor vibrante, casaco, chapéu e colar de pérolas, como nessa foto oficial na celebração do Jubileu de Platina meses antes de sua morte.
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Esse repertório visual tinha antecedentes familiares. O uso das pérolas, por exemplo, era uma influência da Rainha Mary, avó de Elizabeth II, cuja presença marcou o modo como a monarca escolheu se vestir para o exercício de suas funções oficiais.


Elizabeth, a rainha pop
Os looks de Elizabeth não eram sempre sisudos e clássicos. Ela acompanhava as tendências e nos anos 70 apareceu com trajes com estampas inspiradas no estilo pop, dominante na ‘Swinging London”, incluindo a clássica capa de chuva transparente.

Lado informal da rainha Elizabeth II é destaque na exposição
A mostra também revela o lado mais pessoal da rainha por meio de seu estilo informal. Jaquetas de montaria, ternos de tweed, lenços de seda na cabeça e saias xadrez apontam para sua ligação com os cavalos, a natureza e a vida no campo.



Vestidos de gala e trajes em viagens internacionais da rainha da Inglaterra encantavam o mundo
Outro eixo importante da exposição acompanha os trajes de noite e as roupas usadas em viagens internacionais. Em ocasiões em que todos os olhares estavam voltados para ela, a rainha colaborava de perto com alguns dos principais estilistas britânicos do século 20 para criar conjuntos elegantes, simbólicos e diplomáticos.
O livro aprofunda esse aspecto ao reunir esboços originais e peças finalizadas, revelando o cuidado da monarca em preparar e registrar seu guarda-roupa para esses momentos.
Em um desenho de Hardy Amies para a turnê de 1961 pela Índia, Paquistão e Nepal, por exemplo, a rainha anotou “cetim amarelo”, em referência a uma cor significativa nesses países, associada à saúde e à prosperidade.

Chapéus, bolsas e acessórios de Elizabeth II
O percurso termina com acessórios que ajudam a compor a imagem pública da rainha: chapéus, casacos, sapatos, luvas, joias e bolsas. A variedade surpreende.
Há peças clássicas, mas também escolhas coloridas e inesperadas, como acessórios de cabeça experimentais, dos modelos próximos a turbantes nos anos 1960 aos formatos conhecidos como “discos voadores” nas décadas de 1980 e 1990.





Um arquivo de Estado, moda e memória
Mais do que uma coleção de peças históricas, a exposição e o livro registram decisões de imagem, relações diplomáticas, tradições familiares e o trabalho de criadores e artesãos que ajudaram a moldar a presença pública da monarca britânica mais longeva, que morreu em setembro de 2022, aos 96 anos.
A exposição Queen Elizabeth II: Her Life in Style está em cartaz no Palácio de Buckingham até 18 de outubro. O livro pode ser comprado na livraria do Palácio ou em livrarias físicas e online como a Amazon.

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