O Papa Leão XIV afirmou que a liberdade de imprensa é um direito “frequentemente violado”, ao recordar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa após a oração do Regina Caeli, na Praça de São Pedro, no Vaticano neste domingo (3).
O papa destacou a necessidade de manter o jornalismo independente e chamou atenção para as ameaças enfrentadas por jornalistas.
“Hoje celebramos o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa”, disse Leão XIV. “Infelizmente, esse direito é frequentemente violado, às vezes de forma evidente, às vezes de formas mais ocultas.”
Papa fala sobre liberdade de imprensa
Leão XIV também homenageou profissionais de imprensa mortos em contextos de guerra e violência.
“Recordamos os muitos jornalistas e repórteres que foram vítimas de guerras e violência.”
A guerra em Gaza se tornou o conflito mais letal já registrado para profissionais de imprensa na história, de acordo com organizações de liberdade de imprensa e de direitos humanos.
Um relatório do projeto Custos da Guerra, do Instituto Watson de Assuntos Internacionais e Públicos, apontou que 232 jornalistas palestinos foram mortos por forças israelenses desde outubro de 2023.
De acordo com o relatório, o número de jornalistas mortos em Gaza supera, somados, os registros das duas guerras mundiais, da Guerra do Vietnã, das guerras na Iugoslávia e da guerra dos Estados Unidos no Afeganistão.
Preocupação global com a liberdade de imprensa
A fala ocorreu em um momento de preocupação crescente com a liberdade de imprensa no mundo.
O Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026, da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgado na semana passada, apontou que a pontuação média dos 180 países e territórios avaliados chegou ao nível mais baixo em 25 anos.
Pela primeira vez na história do índice, mais da metade dos países avaliados — 52,2% — aparece nas categorias “difícil” ou “muito séria” para o exercício da liberdade de imprensa. Em 2002, esse percentual era de 13,7%.
O relatório também afirma que menos de 1% da população mundial vive hoje em países onde a situação da liberdade de imprensa é classificada como “boa”. Em 2002, esse percentual era de 20%.
O Brasil é um dos poucos países onde ela melhorou, enquanto nos EUA a situação piorou durante o governo de Donald Trump.
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Defesa do jornalismo em falas recentes
A defesa do jornalismo tem aparecido em outros pronunciamentos recentes de Leão XIV desde que ele assumiu o pontificado.
Em outubro de 2025, durante a 39ª Conferência da Associação MINDS International, rede que reúne agências de notícias, o papa disse que “ser jornalista nunca pode ser considerado um crime, mas sim um direito a ser protegido”.
Na mesma ocasião, afirmou que a informação é “um bem público” e que repórteres se arriscam para que as pessoas saibam “como as coisas realmente são”.
Em março de 2026, em encontro com jornalistas da RAI, no Vaticano, Leão XIV voltou a tratar do papel da imprensa em contextos de guerra.
Ele afirmou que, nessas circunstâncias, a informação deve evitar o risco de se transformar em propaganda e que cabe aos jornalistas verificar as notícias para não se tornarem “megafone do poder”.
O papa também pediu que a cobertura mostre o sofrimento provocado pelos conflitos e conte as histórias pelo olhar das vítimas.
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