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Jeff Bezos

Estrelas esnobam Met Gala em Nova York em reação a patrocínio milionário de Jeff Bezos e Lauren Sánchez

Dono da Amazon e do Washington Post, Bezos virou co-presidente do evento e atraiu protestos e campanhas por boicote ao evento

Lauren Sánchez Bezos vestida para o Met Gala 2026

Lauren Sánchez Bezos no Met Gala 2026 (foto: Instagram)




O Met Gala, evento beneficente considerado o “Oscar da moda” e realizado no dia 4 de maio em Nova York, teve neste ano a inusitada co-presidência de Jeff Bezos, bilionário dono da Amazon e amigo próximo de Donald Trump, e da sua esposa, Laura Sánchez – mas o apoio do casal não foi bem recebido por algumas estrelas e até por políticos como o prefeito da cidade.

Motivados principalmente pela relação próxima entre Bezos e Donald Trump, alguns artistas importantes anunciaram horas antes do evento que iriam faltar à festa, cujo código de vestimenta deste ano é “Fashion is Art” (moda é arte).

O casal se tornou protagonista do Met Gala em reconhecimento a um patrocínio milionário, mas o agradecimento público a eles por parte da principal organizadora, a jornalista Anna Wintour, virou alvo de críticas, boicotes e manifestações do lado de fora do museu, que acabaram dividindo a atenção com looks glamurosos das celebridades que foram ao evento.

Ausência de nomes de peso

Entre os nomes de peso que sinalizaram que não compareceriam está o da modelo Bella Hadid. Apesar de não se manifestar oficialmente sobre a sua presença, ela curtiu um vídeo que criticava as celebridades que planejavam ir à festa.

“Eu amo os broches com ‘fora ICE’, mas você não pode usá-los no Met Gala patrocinado por Bezos”, diz trecho do vídeo.

Meryl Streep, que está na capa da Vogue deste mês ao lado de Anna Wintour, recusou um convite para ser co-apresentadora e antecipou que não iria  à festa. De acordo com o The New York Times, a recusa teve relação direta com o patrocínio de Bezos.

A atriz Zendaya também disse que faltaria ao evento. Oficialmente, a atriz informou que precisa de “uma pausa nos holofotes”, já que acabou de fazer uma turnê para promover um filme e está no ar com a terceira temporada de Euphoria.

Segundo os bastidores divulgados pelo site de notícias de celebridades PageSix, porém, a ausência também tem relação com o patrocínio do bilionário.

Por fim, quebrando a tradição, o prefeito recém-eleito de Nova York, Zohran Mamdani, e a esposa dele, Rama Duwaji, também recusaram o convite. Oficialmente, Mamdani informou somente que tem “outros focos” no seu governo.

Patrocínio milionário para viabilizar o Met Gala

Diante de uma indústria da moda com baixo desempenho econômico, Anna Wintour, organizadora do evento, buscou patrocinadores individuais para a festa em 2026.

Em novembro do ano passado, o Met Gala anunciou que o evento deste ano “se tornou possível” por causa do financiamento de Bezos. O bilionário virou o principal patrocinador da festa, ao lado da Condé Nast, dona da Vogue, e da grife Saint Laurent.

Além disso, eles ganharam o título de “copresidentes honorários” do Met Gala. Entre os co-presidentes estão a própria Anna Wintour, a cantora Beyoncé e a tenista Venus Williams.

Bezos e a esposa não divulgaram a quantidade exata de dinheiro investido oficialmente. De acordo com fontes do The New York Times, porém, o casal doou ao menos US$ 10 milhões (equivalente a R$ 50 milhões).

Protestos eclodiram após anúncio

O anúncio do patrocínio gerou reações imediatas: Ao lado do museu de Nova York, cartazes chamavam o evento de “Amazon Prime Gala” e outros chamavam a festa de “Baile do Bezos”.

Outro protesto, liderado pela organização “Todo mundo odeia Elon”, aponta a disparidade entre o investimento feito pelo bilionário no Met Gala e as péssimas condições de trabalhadores da Amazon.

Dias antes do evento, o grupo colocou centenas de garrafas de urina em torno do Metropolitan Museum of Art para protestar contra o tratamento do bilionário Jeff Bezos aos trabalhadores da Amazon, que seriam proibidos de sair de seus postos para usar o banheiro.

Além das problemáticas envolvendo a desigualdade social causada pelo bilionário, a relação de Bezos com o presidente Donald Trump foi o maior foco das críticas.

Bezos compareceu ao lado de gigantes da tecnologia à posse do republicano, mas a relação deles se fortaleceu ainda antes disso. Durante a segunda campanha presidencial de Trump, o dono da Amazon sugeriu o nome de Doug Burgum, hoje secretário do Interior dos EUA, para o cargo de vice.

Meses depois, o bilionário vetou o editorial de apoio à candidata Kamala Harris que seria publicado pelo The Washington Post, jornal do qual ele é dono.

Enquanto isso, nas entrelinhas, o Amazon Prime patrocinou um documentário sobre a primeira-dama Melania e deve, em breve, retomar o reality show “O Aprendiz”, que deu fama a Donald Trump, com o filho dele como protagonista.

Relação de Bezos e Wintour

A ex-editora da Vogue se aproximou de Lauren Sánchez, esposa do bilionário, nos últimos anos, dando conselhos de moda e até mesmo comparecendo ao casamento dos dois, em 2025.

Após as críticas envolvendo o patrocínio, Anna Wintour reforçou seu apoio à presença de Sánchez. “Somos muito gratos por sua incrível generosidade e estamos muito felizes por ela fazer parte deste evento”, declarou ao canal CNN, ainda em novembro.

Ontem, o casal também compareceu ao jantar pré-evento realizado na casa de Wintour, em Nova York, em mais uma sinalização positiva da editora aos dois.

Os interesses por trás do patrocínio de Bezos

Além da relação de poder em torno do Met Gala, jornais americanos apontam que Bezos tem interesse em comprar a Condé Nast, empresa-mãe da revista Vogue.

Os rumores sobre a compra foram ventilados pelo jornal The Guardian e condizem com o mau momento que a empresa vive. Recentemente, a Condé Nast anunciou demissões em empresas, cortes em títulos como a Glamour e a fusão da Teen Vogue com a Vogue.

Caso a compra ocorra, esta não será a primeira vez que o bilionário adquire uma empresa de comunicação. Há mais de uma década Bezos é dono de um dos maiores jornais dos Estados Unidos, em uma aquisição polêmica.

A compra do Washington Post

O bilionário comprou o Washington Post em 2013, por US$ 250 milhões. Na época da compra, Bezos declarou que sua intenção era “apoiar o jornalismo independente” e evitar o desaparecimento do veículo.

Ao longo dos anos, porém, o domínio do bilionário sobre o jornal ficou cada vez mais evidente. Bezos foi um dos chefões das Big Techs que se aproximou de Donald Trump na reta final da campanha eleitoral de 2024, quando sua vitória parecia garantida.

O presidente mantém uma luta constante com a imprensa tradicional, como com o próprio Washington Post, que acusa de “fake news”. E desde a posse de Trump episódios vistos como censura ou influência indevida na redação aconteceram.

Anos depois, em 2026, o jornal demitiu aproximadamente um terço de todos os seus funcionários. A demissão em massa foi uma das maiores reduções de pessoal da sua história e atingiu todos os setores da empresa.


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