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Violência contra jornalistas

Ataque a câmera da Al Jazeera eleva para 236 o número de jornalistas palestinos mortos em Gaza

Federação Internacional de Jornalistas contabilizou o número de fatalidades desde que a guerra começou, em outubro de 2023

Ahmed Wishah, cinegrafista palestino morto por drone de Israel em Gaza

Ahmed Wishah, câmera da Al Jazeera em árabe (foto: divulgação)




Pelo menos 236 jornalistas e profissionais de mídia  da mídia palestinos foram mortos, vários ficaram feridos e outros estão desaparecidos durante a guerra em Gaza, de acordo com a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e o Sindicato de Jornalistas Palestinos (PJS).

O caso mais recente ocorreu no último sábado (20). Ahmed Wishah, um cinegrafista da Al Jazeera Mubasher, o canal árabe da rede de TV, foi morto quando um drone israelense atingiu uma casa no campo de refugiados de Bureij, no centro de Gaza.

Em um comunicado à NBC News, as Forças de Defesa de Israel confirmaram que Washah era o alvo do ataque aéreo, alegando que ele era “um terrorista na ala militar do Hamas que serviu como agente de precisão”. Eles disseram que o câmera foi eliminado junto com dois outros terroristas do Hamas.

O irmão de Ahmed Wishah, Mohammed Samir Washah, que também era correspondente da Al Jazeera , foi morto em um ataque israelense em seu veículo no oeste de Gaza em 8 de abril deste ano.

Em fevereiro de 2024, um porta-voz do exército israelense havia acusado o jornalista de ser um membro do grupo Hamas. Tanto a Al Jazeera quanto a Wishah negaram essa alegação.

Jornalistas mortos após atos direcionados em Gaza

Não há jornalistas estrangeiros na lista da IFJ porque a imprensa internacional foi proibida de entrar em Gaza por Israel, fazendo com que o mundo apenas dos profissionais locais para documentar a guerra.

Muitos deles não têm experiência de cobertura de conflitos nem equipamentos ou treinamento dado pelas grandes empresas de mídia aos seus correspondentes de guerra, tornando-os mais vulneráveis.

Alguns jornalistas perderam a vida junto com suas famílias em casas ou abrigos, mas a maioria dos casos está relacionada a ataques de drones, direcionados a locais onde eles estavam fazendo coberturas ou diretamente a eles, como admite o exército de Israel, justificando o disparo sob o argumento de que seriam terroristas disfarçados.

Outros ataques a profissionais de imprensa

O caso dos irmãos Washah não é único.

Em 21 de janeiro, três jornalistas freelancers, Mohammed Salah Qashta, Anas Ghneim e Abdul Raouf Shaat, foram mortos em um ataque aéreo israelense na área de Al-Zahra, no centro de Gaza.

De acordo com o Sindicato de jornalistas, eles estavam viajando em um veículo em uma missão humanitária e jornalística para filmar e documentar o sofrimento dos civis.

O Ministério da Saúde de Gaza disse à Al Jazeera que os jornalistas estavam trabalhando para o Comitê Egípcio de Ajuda a Gaza, que supervisiona o trabalho de socorro do Egito em Gaza. Um dos jornalistas, Abdul Raouf Shaat, foi um colaborador freelancer de fotos e vídeos da Agence France Presse (AFP), disse a agência de notícias.

Em um comunicado, os militares israelenses disseram que o ataque teve como alvo “suspeitos operando um drone”.

Repórteres atacados também no Líbano

Também têm sido registradas mortes de jornalistas no Líbano por ataques deliberados, desde que Israel passou a atacar o país seguidamente após a retomada do conflito com o Irã.

Em um caso recente, uma jornalista libanesa ficou viva por horas sob escombros mas equipes de socorro foram proibidas de chegar ao local a tempo por ordem de soldados israelenses.

‘Nenhuma reportagem vale a vida de um jornalista’, diz IFJ

A organização de liberdade de imprensa Repórteres Sem Fronteiras  já protocolou cinco queixas na Corte de Haia por crimes de guerra contra 25 jornalistas, fundamentando o pedido de investigação com evidências de que os profissionais foram alvo deliberado das forças militares israelenses.

De acordo com o balanço anual da entidade, 67 jornalistas foram mortos em 2025, dos quais quase a metade em Gaza.

Em condições tão perigosas, a IFJ têm recomendado aos jornalistas locais que tomem precauções, usem equipamentos de segurança profissionais e não viajem sem que a empresa de mídia em que trabalham forneça a eles todo o equipamento de segurança profissional necessário para cobrir esses eventos.

“Nenhuma reportagem vale a vida de um jornalista”, lembra a organização.


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