O destino do TikTok nos EUA estava prestes a ser definido, com o prazo final para a venda ou banimento da plataforma de vídeos curtos em obediência a uma decisão judicial de 2024 previsto para se encerrar neste sábado, 5 de abril – mas Donald Trump adiou novamente por mais 75 dias até o comprador ser definido.
Em um movimento que reflete sua postura desde o início do mandato, o presidente Trump e sua equipe engajaram-se diretamente nas negociações para a venda das operações americanas da rede social chinesa, que deveria ter acontecido em janeiro mas foi postergada inicialmente em 75 dias por meio de um decreto do novo presidente.
A agência Reuters revelou nesta quarta-feira (2), citando uma fonte da Casa Branca, que uma reunião crucial foi realizada na Casa Branca, envolvendo altos funcionários e potenciais investidores. O vice-presidente J.D.Vance estaria coordenando as conversas.
Governo Trump e a venda do TikTok
Em seu primeiro mandato, Donald Trump chegou a propor o banimento do TikTok devido ao suposto risco de acesso a informações de usuários americanos pelo governo chinês, que a ByteDance, empresa proprietária da rede social, sempre negou.
Mas Trump embarcou na onda de vídeos curtos durante sua campanha, e atribuiu a ela parte da responsabilidade por sua vitória nas eleições de novembro de 2024. Assim, passou a defender sua permanência no país, mas não sob o controle de uma empresa chinesa por razões de segurança nacional.
Segundo analistas citados nas reportagens recentes sobre a venda, Oracle é uma das principais favoritas na disputa pela aquisição das operações americanas do TikTok, graças à sua relação estabelecida com a plataforma por meio do “Project Texas”, no qual já atua como guardiã dos dados dos usuários americanos.
A empresa teria se comprometido a continuar assegurando que os dados permaneçam armazenados nos Estados Unidos, atendendo às preocupações de segurança nacional.
Além disso, a conexão de Larry Ellison, cofundador da Oracle, com Donald Trump fortalece sua posição, dado o apoio político demonstrado ao ex-presidente, o que pode influenciar positivamente o processo de decisão.
De acordo com o Financial Times, a empresa norte-americana de capital de risco Andreessen Horowitz faria parte do consórcio.
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Amazon entrou na disputa pelo TikTok
Entre os potenciais compradores citados pela imprensa americana estão também a Amazon, de Jeff Bezos, que teria feito uma oferta de última hora para adquirir o TikTok.
Bezos, que anteriormente tinha uma relação tensa com Trump, tornou-se um de seus apoiadores mais visíveis, participando da posse presidencial e promovendo mudanças editoriais no Washington Post, jornal de sua propriedade, vistas como alinhamento ao novo presidente.
Outra candidata é a empresa de investimentos Blackstone, que buscaria expandir sua atuação no setor de tecnologia por meio da aquisição da rede social.
Além disso, a startup Zoop, liderada por Tim Stokely, fundador do OnlyFans, apresentou uma proposta em colaboração com a Fundação Hbar, destacando uma abordagem voltada para a transparência e segurança dos dados dos usuários.
Por fim, a Perplexity AI, uma startup de inteligência artificial, propôs reformular o algoritmo do TikTok para torná-lo mais transparente e centrado no público norte-americano, trazendo uma perspectiva tecnológica à disputa.
Outro que revelou interesse formal na rede social foi o Youtuber MrBeast, mas ele não tem sido citado entre os potenciais vencedores da disputa na reta final.
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Decisão sobre venda pode ser adiada, disse Trump
Com o relógio correndo, o destino do TikTok permanece incerto.
No início da semana Donald Trump mencionou que poderia estender o prazo para a venda do TikTok caso um acordo não seja finalizado até o prazo de 5 de abril, o que acabou acontecendo nesta sexta-feira.
Em uma conversa com jornalistas na semana passada, ele afirmou:
“Se não estiver concluído, não é um grande problema. Nós simplesmente estenderemos”.
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