O que deveria ser um canal inovador para celebrar mulheres que gostam ou praticam esportes acabou virando um exemplo de representação equivocada de gênero na mídia esportiva: o Halo, lançado pela Sky Sports britânica no TikTok na última sexta-feira (14), morreu apenas três dias depois, sob uma enxurrada de críticas de sexismo admitidas pela própria rede.
Apresentado como a “irmãzinha” da conta oficial da Sky Sports, o Halo fez o oposto do que prometeu: em vez de valorizar o público feminino, o canal foi acusado de infantilizar as mulheres e de não tratá-las como torcedoras sérias, reforçando clichês e estereótipos.
O canal apostou em uma estética cor-de-rosa, cheia de corações e fontes fofinhas, misturando esportes com referências a tendências do TikTok como “hot girl walks”, matcha latte, Barbies e Labubus.

Sexismo e infantilização de mulheres que gostam de esportes
As postagens foram vistas como infantilizadoras e carregadas de sexismo.
Em vez de falar de esportes com seriedade, na mesma linguagem usada nos canais voltados ao público geral (ou masculino), o Halo parecia sugerir que mulheres só se interessariam pelo tema se a informação estivesse embalada em rosa e associando-a a brinquedos e a uma bebida da moda para quem segue tendências de bem-estar, como muitas mulheres fazem.
A reação foi imediata e feroz, com críticas à representação de gênero equivocada.
Usuários acusaram o canal de ser feito por pessoas que nunca conversaram com mulheres, comparando-o a campanhas publicitárias antiquadas dos anos 90, quando rosa era sinônimo de feminino.
Em vez de empoderar, o Halo acabou reforçando os estereótipos que dizia combater, tornando-se alvo de memes e comentários sarcásticos que transformaram o projeto em piada.
Sky admite que ‘não acertou’
Apenas três dias depois, em 17 de novembro, a Sky Sports anunciou que iria parar todas as atividades do canal, sem dar desculpas esfarrapadas para justificar a decisão.
“Nós ouvimos. Não acertamos. Como resultado, estamos encerrando todas as atividades desta conta. Nossa intenção com o Halo era criar um espaço, ao lado do nosso canal principal, para novas e jovens torcedoras femininas. Estamos aprendendo e continuamos tão comprometidos quanto antes em criar espaços onde os torcedores se sintam incluídos e inspirados.”
Assim, o Halo entra para a história como um dos lançamentos mais breves da mídia esportiva: um canal que prometia empoderamento, mas sucumbiu ao peso dos próprios estereótipos das mulheres no esporte — e ao sarcasmo da internet.
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