O serviço de monitoramento digital NetBlocks confirmou na manhã desta quarta-feira (14) que o Irã continua completamente desconectado da internet, e o que o bloqueio total, imposto desde a noite de 8 de janeiro, já ultrapassa 130 horas.
O país entra em mais um dia de apagão digital, enquanto cresce a preocupação internacional com a repressão aos protestos e o silêncio forçado imposto à imprensa.

Com a rede fora do ar, torna-se impossível confirmar de forma independente os relatos sobre milhares de vítimas em confrontos ligados às manifestações populares.
Aplicativos e plataformas usados para comunicação, inclusive os que ajudam a contornar a censura, também foram bloqueados. A rede Starlink oferece conectividade limitada, instável e restrita a poucas regiões do país.
Bloqueio da internet no Irã impede acesso à informação
Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) a única fonte de informação ainda ativa dentro do Irã é o canal Tasnim, afiliado à Guarda Revolucionária, que continua operando desde o meio-dia de 9 de janeiro. Desde então, tem publicado apenas conteúdo alinhado à propaganda oficial do regime sobre os protestos.
Aplicativos como o Yolla, que permitem ligações internacionais, deixaram de funcionar, e até as comunicações telefônicas convencionais enfrentam bloqueios. Em muitos casos, ao tentar realizar uma chamada, ouve-se apenas uma mensagem gravada.
“Desde as 20h de 8 de janeiro, quase nenhuma ligação de ou para o Irã tem sido possível por aplicativos ou linhas telefônicas”, afirmou a Repórteres Sem Fronteiras, relatando que enfrentou as mesmas dificuldades ao tentar contatar fontes no país.
O especialista em telecomunicações iraniano Amir Rashidi também denunciou a situação em sua conta na plataforma X.
RSF denuncia repressão e prisão de jornalistas no Irã
A organização Repórteres Sem Fronteiras manifestou “profunda preocupação” com o destino dos jornalistas iranianos, especialmente os que estão cobrindo os protestos.
Em comunicado, a ONG alertou que “o apagão nacional das comunicações em vigor desde 8 de janeiro, as ameaças contra jornalistas e as recentes prisões” demonstram “uma escalada altamente alarmante das medidas repressivas”.
Segundo a entidade, “esse clima de intimidação crescente não pode ser tolerado”.
Jonathan Dagher, chefe do escritório da RSF para o Oriente Médio, afirmou que “o direito do povo iraniano e da comunidade internacional à informação deve ser respeitado”.
A organização pede a restauração imediata das telecomunicações e a libertação dos 24 jornalistas atualmente presos no país, entre eles nomes reconhecidos como Narges Mohammadi, Alieh Motalabzadeh e Sepideh Gholian.
Nos dias que antecederam o bloqueio da internet no Irã, pelo menos seis jornalistas receberam ameaças do serviço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica, de acordo com a RSF.
Eles foram advertidos a não divulgar informações sobre os protestos iniciados em 28 de dezembro, sob risco de prisão.
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