© Conteúdo protegido por direitos autorais

Censura

Apagão digital no Irã ultrapassa 130 horas e impõe silêncio forçado a jornalistas, diz RSF

Repórteres Sem Fronteiras denuncia escalada repressiva e alerta para o destino de 24 profissionais de imprensa presos no país

Protestos no Irã, onde a internet sofre bloqueio desde 8 de janeiro

Protesto em Qazvin, no Irã (foto: agência Tasnim via Wikimedia Commons)



O bloqueio da internet no Irã desde 8 de janeiro, confirmado pelo serviço de monitoramento NetBlocks, isola o país do resto do mundo, dificulta a cobertura dos protestos e agrava os riscos para jornalistas locais, alerta a Repórteres Sem Fronteiras.


O serviço de monitoramento digital NetBlocks confirmou na manhã desta quarta-feira (14)  que o Irã continua completamente desconectado da internet, e o que o bloqueio total, imposto desde a noite de 8 de janeiro, já ultrapassa 130 horas.

O país entra em mais um dia de apagão digital, enquanto cresce a preocupação internacional com a repressão aos protestos e o silêncio forçado imposto à imprensa.

Gráfico da NetBlocks mostrando bloqueio da internet no Irã

Com a rede fora do ar, torna-se impossível confirmar de forma independente os relatos sobre milhares de vítimas em confrontos ligados às manifestações populares.

Aplicativos e plataformas usados para comunicação, inclusive os que ajudam a contornar a censura, também foram bloqueados. A rede Starlink oferece conectividade limitada, instável e restrita a poucas regiões do país.

Bloqueio da internet no Irã impede acesso à informação

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) a única fonte de informação ainda ativa dentro do Irã é o canal Tasnim, afiliado à Guarda Revolucionária, que continua operando desde o meio-dia de 9 de janeiro. Desde então, tem publicado apenas conteúdo alinhado à propaganda oficial do regime sobre os protestos.

Aplicativos como o Yolla, que permitem ligações internacionais, deixaram de funcionar, e até as comunicações telefônicas convencionais enfrentam bloqueios. Em muitos casos, ao tentar realizar uma chamada, ouve-se apenas uma mensagem gravada.

“Desde as 20h de 8 de janeiro, quase nenhuma ligação de ou para o Irã tem sido possível por aplicativos ou linhas telefônicas”, afirmou a Repórteres Sem Fronteiras, relatando que enfrentou as mesmas dificuldades ao tentar contatar fontes no país.

O especialista em telecomunicações iraniano Amir Rashidi também denunciou a situação em sua conta na plataforma X.

RSF denuncia repressão e prisão de jornalistas no Irã

A organização Repórteres Sem Fronteiras manifestou “profunda preocupação” com o destino dos jornalistas iranianos, especialmente os que estão cobrindo os protestos.

Em comunicado, a ONG alertou que “o apagão nacional das comunicações em vigor desde 8 de janeiro, as ameaças contra jornalistas e as recentes prisões” demonstram “uma escalada altamente alarmante das medidas repressivas”.

Segundo a entidade, “esse clima de intimidação crescente não pode ser tolerado”.

Jonathan Dagher, chefe do escritório da RSF para o Oriente Médio, afirmou que “o direito do povo iraniano e da comunidade internacional à informação deve ser respeitado”.

A organização pede a restauração imediata das telecomunicações e a libertação dos 24 jornalistas atualmente presos no país, entre eles nomes reconhecidos como Narges Mohammadi, Alieh Motalabzadeh e Sepideh Gholian.

Nos dias que antecederam o bloqueio da internet no Irã, pelo menos seis jornalistas receberam ameaças do serviço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica, de acordo com a RSF.

Eles foram advertidos a não divulgar informações sobre os protestos iniciados em 28 de dezembro, sob risco de prisão.

error: O conteúdo é protegido.