© Conteúdo protegido por direitos autorais

Assange de volta

 Assange faz queixa-crime contra Fundação Nobel por prêmio da paz a María Corina Machado:  ‘Arma de guerra’

Fundador do Wikileaks argumenta que Machado usa seu status como ganhadora do Nobel para incentivar tensões entre EUA e Venezuela

Julian Assange e María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025

Fotos: Wikimedia Commons



Julian Assange denunciou criminalmente 30 membros da Fundação Nobel e pediu o congelamento da transferência do prêmio para María Corina Machado, em protesto contra suas ligações com o governo dos EUA e de Israel.


O fundador do Wikileaks, Julian Assange, fez uma denúncia criminal na Suécia contra a Fundação Nobel, voltando à cena mundial depois de um período de isolamento na Austrália.  O motivo foi a escolha da venezuelana María Corina Machado para o prêmio da Paz deste ano.

Para Assange, a premiação a Machado incorre em “apropriação indébita de fundos, facilitação de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, e financiamento do crime de agressão”, segundo as leis da Suécia.

O Prêmio Nobel da Paz é concedido pelo Comitê Norueguês, que fica em Oslo. No entanto, Assange defende que a Fundação Nobel, com sede em Estocolmo, deveria ser responsabilizada neste caso, uma vez que é a entidade que foi criada para gerir e administrar o Prêmio Nobel, instituído a partir da herança de Alfred Nobel, inventor da dinamite.

O processo foi anunciado pelos perfis do Wikileaks nas redes sociais. A queixa-crime apresentada pelo fundador do site acusa 30 pessoas ligadas à Fundação Nobel, incluindo sua direção.

Por meio da denúncia, Assange pede que as pessoas responsáveis pela escolha de María Corina sejam investigadas e que o pagamento do prêmio (11 milhões de coroas suecas, o equivalente a US$ 1,18 milhão ou R$ 6,5 milhões) seja congelado imediatamente.

“Instrumento de paz virou arma de guerra”

Julian Assange usa o próprio testamento de Alfred Nobel para questionar a escolha de María Corina Machado, argumentando que a opositora do regime de Nicolás Maduro não trabalhou pela realização e promoção da paz e que por meio da premiação “um instrumento de paz virou uma arma de guerra”.

No centro da denúncia está o argumento de que Machado colabora com o governo dos Estados Unidos na escalada de tensões entre o país e a Venezuela, que inclui ataques a embarcações venezuelanas no Caribe, ameças de Trump a Maduro, posicionamento ameaçador de navios militares e, mais recentemente, o confisco de uma carga de petróleo.

“Machado incitou continuamente o governo Trump a seguir esse caminho, inclusive por meio de uma conspiração para dar ao governo dos EUA acesso a US$ 1,7 trilhão em reservas de petróleo e outros recursos naturais através da privatização, assim que Maduro fosse deposto.”

Assange argumenta ainda que se efetivamente entregue à María Corina, o valor do prêmio pode servir a propósitos contrários ao que seria o objetivo de promover a paz.

“Existe um risco real de que os fundos provenientes da doação de Nobel tenham sido ou venham a ser desviados, intencionalmente ou por negligência, de sua finalidade beneficente para facilitar agressões, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.”

Tensões entre EUA e Venezuela são crescentes

Os ataques no Caribe vem acontecendo desde o meio do ano, ou seja, antes do anúncio dos vencedores do Nobel. Desde então, as medidas do governo americano em relação à Venezuela vem se intensificando.

Assange argumenta que María Corina pode ter se valido do título recebido para contribuir com as tensões.

“Usando-se de sua posição privilegiada como ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Machado pode muito bem ter inclinado a balança a favor da guerra, facilitada pelos suspeitos nomeados.”

Escolha de María Corina foi controversa

A escolha de María Corina Machado para o Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi controversa. Opositora à direita do governo de Nicolás Maduro, Machado se alia a outros líderes mundiais envolvidos em conflitos.

Além de Donald Trump, María Corina Machado também já expressou apoio ao governo de Benjamin Netanyahu em Israel, que promove um massacre da população palestina na Faixa de Gaza.

María Corina já chegou a falar com Netanyahu por telefone após vencer o Nobel. Ela também disse que se assumir o poder na Venezuela mudará a embaixada do país em Israel para Jerusalém, movimento que desrespeita o direito dos palestinos sobre a cidade, que é considerada sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos.

À época do anúncio do prêmio, a escolha de María Corina foi alvo de críticas de diversas lideranças ao redor do mundo, incluindo a presidente do México, Claudia Sheinbaun, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, e o ex-presidente da Bolívia Evo Morales.

O Caso Assange: Marco no debate de liberdade de expressão

Assange foi processado pelos EUA por ter divulgado no Wikileaks documentos confidenciais das guerras do Afeganistão e do Iraque, tendo se tornado uma figura central no debate sobre a liberdade de informação e o direito de jornalistas e denunciantes divulgarem informações de interesse público.

O caso colocou em questão a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão.

Em junho de 2024, depois de passar 7 anos asilado na Embaixada do Equador em Londres e mais 5 anos preso na Inglaterra, Julian Assange fechou um acordo em que admitiu os crimes de conspiração e divulgação de documentos de segurança nacional e recebeu uma pena de 62 meses, exatamente o tempo em que já estava detido.

Assim, foi autorizado a ir para a Austrália, seu país natal, com a mulher, Stella, e os dois filhos que nasceram quando ele estava vivendo na Embaixada.

No mesmo ano, em uma audiência no Conselho da Europa, em Estrasburgo, na França, ele questionou o fato de que para ganhar a liberdade precisou se declarar “culpado por fazer jornalismo“.

error: O conteúdo é protegido.