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Liberdade de imprensa

Venezuela liberta último jornalista preso mas o indicia por ‘traição’ e ‘financiamento ao terrorismo’

Rory Branker, do site de notícias La Patilla, havia sido capturado há quase um ano sem mandato de prisão

Rory Branker, jornalista da Venezuela

Rory Branker trabalha para o site La Pastilla, alvo de perseguições do governo venezuelano há uma década (foto: Facebook)



Logo após a queda de Nicolás Maduro a Venezuela libertou cinco integrantes da mídia junto com outros presos políticos. O jornalista Rory Branker seguiu detido e ao ser solto, teve que aceitar medidas restritivas e foi indiciado por crimes em represália ao seu trabalho, afirma a Repórteres Sem Fronteiras.


O jornalista Rory Branker, da Venezuela, foi libertado após 11 meses e 15 dias de detenção considerada arbitrária por organizações de liberdade de imprensa, mas a pressão do Estado sobre ele continua mesmo após a queda Nicolás Maduro.

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), no dia seguinte à sua libertação, na quarta-feira (4) o jornalista foi formalmente acusado de pelo menos cinco crimes, incluindo traição e financiamento ao terrorismo. E foi colocado sob medidas restritivas, sem poder viajar ou falar com a imprensa.

Branker havia sido capturado em casa no dia 20 de fevereiro de 2025 em sua em Caracas pelo Serviço Nacional de Inteligência Bolivariana (Sebin), sem apresentação de um mandado ou qualquer explicação oficial para os motivos de sua prisão.

Ele seguiu preso mesmo após outros cinco profissionais de imprensa terem saído da cadeia junto com prisioneiros políticos no dia 14 de janeiro, na sequência da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.

O jornalista libertado na Venezuela

Rory Branker trabalha para o site de notícias on-line La Patilla, que há uma década enfrenta perseguições do governo venezuelano.

Alberto Ravell, um dos fundadores, fugiu para o exílio em 2016 devido ao risco de ser preso, de acordo com a RSF.

Em 2019, a Suprema Corte da Venezuela confirmou uma decisão ordenando que o La Patilla pagasse milhões em indenização a Diosdado Cabello, primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), devido a uma reportagem  de La Patilla que o ligava ao tráfico de drogas.

Em 2024, a jornalista de La Patilla, Ana Carolina Guaita, foi detida e depois libertada após mais de quatro meses de detenção.

“Comemoramos a libertação de Rory Branker, mas agora a RSF soube que ele foi acusado, forçado a se reportar regularmente à polícia e proibido de viajar e falar com a imprensa. Isso não é liberdade”, disse Artur Romeu, diretor da RSF para a América Latina.

A organização instou o governo da Venezuela a retirar todas as acusações contra o jornalista libertado e garantir de que sua liberdade seja “completa e duradoura”.

“Esperávamos que sua libertação fosse um primeiro passo em direção a um progresso mais amplo e de longo prazo para melhorar a liberdade de imprensa da Venezuela e instamos as autoridades a reverter esse passo para trás”, completou.

‘Terrível estado de liberdade de imprensa’ na Venezuela

A RSF reforçou as preocupações com o “terrível estado de liberdade de imprensa” na Venezuela, onde jornalistas são rotineiramente assediados e detidos, e permanecem severamente ameaçados após a operação militar dos EUA e a transição política em andamento.

No mesmo dia em que Rory Branker foi libertado, o jornalista Álvaro Algarra, correspondente de língua espanhola da Deutsche Welle, foi detido por várias horas em Caracas por oficiais da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), que o levaram de sua casa sem um mandado ou explicação oficial, de acordo com relatos de organizações profissionais.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) e o Colégio Nacional de Jornalistas (CNP) relataram que ele foi liberado no mesmo dia e estava bem de saúde.

A Venezuela ocupa a 160ª posição entre 180 países e territórios listados no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF de 2025.

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