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Fotojornalismo

Foto icônica de Andrew arrasado após prisão estampa capas de jornais britânicos e do mundo; veja como foi feita

Phil Noble, da agência Reuters, conseguiu registrar o ex-príncipe deixando a delegacia onde ele passou o dia sob custódia

Capas de jornais britânicos estampando foto do príncipe Andrew depois de ter sido preso

Todos os jornais escolheram a mesma foto para as suas primeiras páginas no dia seguinte à prisão do ex-príncipe Andrew.



Com olhar perdido e recostado no banco do carro, o ex-príncipe Andrew foi registrado por Phil Noble, da Reuters, a caminho de casa depois de ter passado o dia sob custódia policial. A foto foi escolhida por jornais de todo o mundo para ilustrar as capas do dia seguinte à prisão.


Embora toda a imprensa britânica (e internacional baseada no país) tenha despachado suas equipes para cobrir a prisão do ex-príncipe Andrew nesta quinta-feira (19) e estivesse a postos para registrar imagens, uma única foto dominou as redes sociais e as capas dos jornais de hoje: o ex-Duque de Sussex recostado no banco do carro que o levou de volta para casa após passar o dia sob custódia, com aparência arrasada e olhar perdido.

A imagem foi feita pelo fotógrafo Phil Noble, da Reuters, e viralizou assim que foi postada, na noite de quinta-feira, como resultado de esforço e o que ele chamou “momento em que tudo se alinhou”.

Jornais britânicos e do mundo inteiro escolheram essa foto para ilustrar suas matérias e capas sobre a prisão de Andrew. O registro de uma das figuras mais conhecidas do mundo com olhar distante, recostado no banco e com dedos cruzados foi comentado por jornalistas e fotógrafos nas redes sociais como “icônico”.

Como a foto de Andrew foi feita

A agência Reuters contou em uma matéria sobre a imagem que Noble deixou sua base, em Manchester, e fez uma viagem de seis horas até Norfolk.

Andrew agora reside em uma casa dentro da propriedade de Sandringham, depois que foi despejado de sua mansão nos domínios do Castelo de Windsor após novas revelações de seu envolvimento com o pedófilo Jeffrey Epstein.

A Polícia não divulgou a delegacia da região para a qual Andrew tinha sido levado, e a imprensa espalhou profissionais em vários possíveis locais.

Uma outra profissional da Reuters estava de plantão diante da unidade policial de Aylsham, e avisou ao fotógrafo no momento em que um carro do ex-príncipe chegou ao local, no fim da tarde. Naquele momento, ele seguia para o hotel onde passaria a noite.

Noble se deslocou a tempo de registrar Andrew no caminho de volta para casa, em seu automóvel Range Rover. O fotógrafo contou ter visto um carro da polícia seguindo na frente, apostou que o ex-príncipe estaria no segundo carro, e acertou.

Mas o fotógrafo revelou que não observou na hora do clique a expressão desolada do ex-príncipe, o que só foi visto depois que viu as imagens registradas em sua câmera.

Ele comentou que quando se fotografa pessoas dentro de carros em movimento, “é mais sorte do que julgamento”.

Fotógrafo ‘de olhos sempre abertos’

Noble passou a se interessar seriamente por fotografia quando estava no ensino médio e ganhou uma câmera.  Fez estágio em um jornal local de sua cidade, Liverpool, acompanhou o trabalho de fotógrafos revelando filmes na câmera escura e estudou fotografia na faculdade.

Em seu perfil no site da Reuters, ele diz que sua maior lição é nunca desligar, esperar o inesperado, fazer as coisas de forma simples, e sempre manter os olhos bem abertos.

“Acho que um fotógrafo nunca deixa de ver oportunidades de fotos, mesmo em um dia de folga.”

A prisão de Andrew: um drama britânico

A expressão desolada do príncipe Andrew e sua postura corporal registradas por Phil Noble retratam o drama da família real britânica, que em mais de três séculos não via um de seus integrantes presos.

É um drama que se estende por todo o país, acostumado a idolatrar reis, rainhas, princesas e príncipes.

Embora não seja o primeiro escândalo envolvendo a realeza, é o mais grave, pois não se trata de brigas conjugais ou familiares que tomam conta dos tabloides.

A prisão de ontem não está diretamente relacionada a denúncias de crimes sexuais, e sim ao suposto compartilhamento de documentos confidenciais do governo com Epstein durante o tempo em que serviu oficialmente como enviado do país para missões internacionais. Isso configura crime de má conduta em função pública. 

Após a prisão de Andrew, o rei Charles III divulgou uma nota oficial declarando apoio às investigações, demonstrando que não está encobrindo o irmão, que ainda é o 8º na linha de sucessão ao trono britânico.

E compareceu a um desfile da London Fashion Week, tentando transmitir a imagem de que a vida segue normal, a despeito das manchetes, reportagens e análises apontando riscos reais para a reputação e o próprio futuro da monarquia.

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