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Estados Unidos

CBS News dispensa 6% da equipe e fecha rádio com mais de 100 anos e 700 estações afiliadas nos EUA

Decisão foi anunciada por Bari Weiss, jornalista conservadora que assumiu o jornalismo da rede em outubro de 2025

Bari Weiss tornou-se editora-chefe da CBS News em outubro de 2025 e coordenou o layoff atual da empresa Foto: Reprodução/Youtube The Free Press

Bari Weiss tornou-se editora-chefe da CBS News em outubro de 2025 e coordenou o layoff atual da empresa Foto: Reprodução/Youtube The Free Press




A CBS News anunciou a demissão de 6% dos funcionários da empresa e o fechamento da CBS News Radio, que tinha quase 100 anos de história e alcance em todo o território nacional.

De acordo com a emissora, as demissões fazem parte de uma “reestruturação estratégica” da marca.

Este é o segunda demissão em massa da companhia desde que a jornalista conservadora Bari Weiss assumiu o cargo de editora-chefe, em outubro.

A presença dela é polêmica na empresa, que viveu um turbilhão de mudanças durante o primeiro ano do segundo governo Trump, tendo que fazer um acordo milionário para encerrar um processo judicial e ficar de bem com o governo.

A CBS faz parte do grupo Paramount Skydance, da família Elisson, integrante do círculo de apoiadores do presidente dos EUA. O bilionário Larry Elisson é cofundador da Oracle, e seu filho David dirige o grupo de mídia, que acabou saindo vencedor na disputa com a Netflix pela aquisição da Warner.Bros.

A nomeação de Weiss, que passou pelo New York Times e deixou o jornal para fundar o site Free Press, sem ter experiência em televisão e na esteira de pressões da administração Trump sobre a mídia que o desagrada, dividiu opiniões, e seus passos são acompanhados com interesse pela indústria de mídia.

Direção alegou “mudanças radicais” no jornalismo

Áudios obtidos pelo jornal britânico The Guardian revelaram parte do discurso dado pela editora-chefe da CBS News ao anunciar a decisão. Segundo a reportagem, ela alegou que “tudo a ver com o tempo em que vivemos” e com a transformação do setor.

“Isso não tem nada a ver com a qualidade do seu trabalho e com a dedicação e empenho que vocês têm investido nesta organização.”

Em uma carta assinada junto com presidente da CBS News, Tom Cibrowski, Weiss afirmou que “o jornalismo passa por mudanças radicais e precisamos mudar junto com ele”. Eles disseram, ainda, que a CBS News tem “planos ambiciosos de crescimento” e que, por isso, partes da redação seriam reduzidas “para dar espaço às coisas que precisamos construir”.

Decisão de fechar serviço de rádio “não foi fácil”

No comunicado conjunto, editora-chefe e presidente informaram que o encerramento da CBS News Radio foi uma “decisão necessária” e que “não foi fácil”.

De acordo com eles, a realidade econômica atual tornou a continuidade do serviço impossível.

A estimativa é de que o serviço de rádio seja oficialmente encerrado em 22 de maio de 2026, uma mudança que vai afetar 700 estações afiliadas.

A CBS News Radio começou a fazer transmissões em 1927. Entre as suas coberturas mais importantes está toda a Segunda Guerra Mundial. O corte estimado por emissoras dos EUA é de 60 pessoas, na empresa que tem pouco mais de 1.100 funcionários.

Segundo layoff sob comando de Beri Weiss

O layoff anunciado na CBS News é a segunda demissão em massa sofrida na empresa em menos de seis meses. Em outubro, semanas após a editora-chefe Beri Weiss, assumir o cargo, cerca de 100 pessoas foram demitidas.

Na época das demissões, a CBS News também anunciou o fechamento de uma sucursal na África do Sul e o cancelamento de dois programas de streaming.

Mas as demissões em massa como a que a CBS acaba de fazer não são exclusivas da rede. Vários órgãos de imprensa americanos têm cortado pessoal. No mais radical deles, o Washington Post, de propriedade do empresário de tecnologia Jeff Bezos, dono da Amazon, eliminou um terço da redação.

Mudança de comando da CBS na sequência de crise interna

Bari Weiss assumiu o cargo em um momento conturbado para a CBS, uma das principais redes de televisão americana. Ela é conhecida por ter em sua grade programas jornalísticos como o clássico de entrevistas “60 Minutes”, que virou centro de uma disputa judicial com o presidente Donald Trump.

Em 2024, o republicano acusou o 60 Minutes de editar de forma tendenciosa uma entrevista com a ex vice -presidente Kamala Harris. Na ocasião, ela era candidata à presidência pelo Partido Democrata.

Depois que Trump voltou à Casa Branca e começou a pressionar a mídia de forma mais agressiva, sinalizando retaliações como obstáculos a negócios que dependem de aprovação do órgão regulador, a CBS iniciou começou a negociar um acordo para colocar fim à causa, o que foi interpretado como uma forma de conseguir concluir uma fusão de US$ 8 bilhões com a Skydance Media.

O movimento causou uma crise interna. Antes de o acordo com Trump ser fechado, o  produtor executivo do “60 Minutes” Bill Owen pediu demissão alegando que perdeu a independência editorial. Em seguida, em maio de 2025, a então presidente da CBS News, Wendy McMahon, renunciou ao cargo por discordar dos rumos da rede.

O acordo foi fechado em julho, com a CBS aceitando pagar indenização de US$ 16 milhões.

Em seguida, a rede decidiu não renovar o contrato do lendário apresentador Stephen Colbert. Ele havia criticado o acordo publicamente em seu talk-show noturno.


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