© Conteúdo protegido por direitos autorais

Estados Unidos

Justiça bloqueia decreto de Trump cortando verbas da mídia pública: ‘violação da liberdade de expressão’

No mesmo dia da decisão favorável às redes NPR e PBS, um Tribunal de Apelações suspendeu ordem de recontratação dos funcionários da Voice of America

Donald Trump com bandeiras dos EUA ao fundo



Em novos rounds da guerra judicial do governo Trump envolvendo jornalistas e organizações de mídia, um juiz distrital dos Estados Unidos suspendeu uma ordem executiva determinando corte do financiamento federal das emissoras públicas NPR e PBS.

No mesmo dia, no entanto, uma decisão da semana passada determinado à administração federal a recontratação de funcionários da Voice of America (VoA) demitidos em 2025 e o retorno das transmissões foi suspensa.

Os processos que tiveram desdobramentos em direções opostas nesta terça-feira (31) fazem parte de um conjunto de ações judiciais movidas pelo governo Trump ou em que ele é réu envolvendo jornalistas e empresas de mídia, parte de um movimento que a Repórteres Sem Fronteiras classificou como  “guerra total contra a liberdade de imprensa”. 

Mas a guerra tem sido marcada pela incerteza, com uma sucessão de decisões revertendo sentenças anteriores após recursos das partes envolvendo organizações de imprensa privadas e empresas de mídia que operam sob a USAGM, a agência de mídia global dos EUA.

Há duas semanas, a indicação de Kari Lake, aliada de Trump, para um cargo similar ao de CEO na USAGM foi considerada ilegal pela Justiça. Seus atos – incluindo o corte de verbas  e demissão de funcionários – não teriam validade.

Perseguição contra emissoras estatais

Segundo a decisão do juiz Randolph Moss, anunciada na terça-feira, o corte de financiamento da NPR e da PBS viola a Primeira Emenda da Constituição do país, por restringir a liberdade de expressão.

As alegações feitas pelo governo Trump ao emitir a ordem executiva determinando o desmonte das emissoras públicas de rádio e TV foram claramente políticas.

Segundo o governo, a NPR e a PBS eram “contraproducentes para as prioridades americanas”.

O corte dos financiamentos gerou problemas imediatos. A PBS demitiu um terço do seu setor de programação infantil após perder milhões de dólares do Departamento da Educação.

O juiz que decidiu a favor das emissoras reconheceu que o governo Trump quis punir as companhias por uma “cobertura jornalística liberal”, com críticas e coberturas específicas, como as que mostram interferência russa nas eleições de 2016.

“A mensagem é clara: a NPR e a PBS não precisam se candidatar a nenhum benefício federal porque o presidente desaprova sua cobertura jornalística ‘de esquerda.”

Voice of America: outra batalha judicial em curso

No outro front, Na quarta-feira (31), um tribunal federal de apelações suspendeu a decisão que ordenava o retorno de funcionários do Voice of America (VoA) ao trabalho.

O processo contra a demissão de funcionários e fechamento da VoA foi aberto em março de 2025, Moveram a ação contra o governo funcionários da rede e organizações como Repórteres Sem Fronteiras (RSF), American Federation of Government Employees (AFGE), American Foreign Service Association (AFSA) e o sindicato de jornalismo The Newsguild-CWA.

A primeira decisão da Justiça determinou a reintegração da equipe ao VoA. No mês seguinte, a sentença foi revogada, marcando a primeira vitória de Trump. Desde então, a VoA demitiu seus prestadores de serviço e deu licença administrativa mais de 500 funcionários estatutários.

Após as demissões, os canais e mídias sociais pararam de publicar conteúdo atualizado.

O governo retomou esporadicamente algumas transmissões limitadas para atender às suas necessidades políticas, de acordo com a RSF. Entre as retomadas está a programação em língua farsi que apoiou explicitamente os ataques aéreos EUA-Israel no Irã.

Em março, a Justiça ordenou a recontratação de todos os demitidos e afastados. Naquela época, o juiz afirmou que a decisão de demitir os jornalistas foi “arbitrária e fruto de capricho”.

A reintegração acontecia de forma gradual, com 70 retornos por semana desde a decisão judicial.

A Justiça, porém, revogou a decisão. Não está claro até o momento se a empresa vai demitir aqueles que foram reintegrados aos quadros.

O caso do Pentágono

Além das emissoras públicas, outro caso recente envolvendo o governo Trump e a imprensa é o processo movido pelo The New York Times.

O jornal processou o Departamento de Defesa em reação a um conjunto de regras que os jornalistas credenciados para cobertura regular do órgão ficaram obrigados a assinar em 2025, sob pena de perderem seus crachás e o acesso livre.

Por se recusarem a assinar a nova politica, jornalistas credenciados renunciaram aos seus crachás em outubro de 2025 e deixaram seus postos no prédio. Eles foram redistribuídos a veículos e influenciadores simpáticos ao governo Trump.

Derrota na Justiça

No fim de março, o juiz federal Paul Friedman concluiu que a política era excessivamente ampla e violava garantias constitucionais básicas, mandando devolver os crachás de oito profissionais do jornal.

O entendimento foi parecido com o do juíz que derrubou a ordem executiva contra as emissoras públicas. Para ele, as regras infringiam a Primeira Emenda e também a Quinta Emenda, por permitirem punições sem o devido processo legal.

Organizações de defesa da liberdade de imprensa comemoraram o resultado, mas, o governo não só recorreu, como também dobrou a aposta, expulsando todos os jornalistas do seu prédio principal.

Segundo Sean Parnell, porta-voz do Pentágono, o fechamento do corredor dos correspondentes aconteceu para a criação de um “novo e melhorado espaço” para os jornalistas. Eles trabalharão em um prédio anexo, fora das dependências de onde estiveram por mais de 80 anos.

 Mais um revés

A derrota no caso da NPR e PBS  aconteceu no mesmo dia em que Trump sofreu outra baixa judicial, dessa vez, contra a reforma do salão de baile da Casa Branca.

O projeto grandioso, citado em grande parte dos eventos oficiais do presidente, foi temporariamente suspenso após uma ação judicial do Fundo Nacional para a Preservação Histórica. O juíz Richard Leon decidiu pela interrupção da reforma, a menos que haja aprovação do Congresso.

Furioso, Donald Trump reagiu à decisão em uma publicação na rede social Truth.

“Ele está ERRADO! A aprovação do Congresso nunca foi concedida para nada, nessas circunstâncias, seja grande ou pequeno, relacionado à construção na Casa Branca.”, disse.


error: O conteúdo é protegido.