As 25 melhores cenas do céu noturno iluminado pelas cores e formas da Via Láctea foram selecionadas pelo concurso internacional Milky Way Photographer of the Year.
A 9ª edição do Concurso Fotógrafo do Ano da Via Láctea recebeu mais de 6,5 mil inscrições de competidores de 15 nacionalidades, um número recorde de participantes que se dedicaram a capturar o brilho da Via Láctea em desertos, montanhas, ilhas e litorais ao redor do mundo.
O astrofotógrafo Dan Zafra, que criou e dirige o site de fotografia astronômica Capture The Atlas, lembra que “os céus verdadeiramente escuros estão se tornando raros devido à poluição luminosa e é importante preservá-los para podermos admirar esse espetáculo”.
Veja as 25 imagens selecionadas da Via Láctea
Minha noite perfeita, por Daniel Viñé Garcia
A imagem foi registrada na região remota da Puna argentina, longe de qualquer fonte de poluição luminosa. O local fica entre 3,5 e 4 mil metros acima do nível do mar, proporcionando um ambiente excepcional para a fotografia do céu noturno.

A Via Láctea no hemisfério sul difere do norte. Na foto, o centro galáctico está à esquerda do arco, enquanto a Nebulosa da Goma aparece à direita, criando um equilíbrio visual natural do céu.
Sinfonia geminídea sobre o guardião do céu de La Palma, por Uroš Fink
Esta fotografia de inverno da Via Láctea registra um céu repleto de meteoros Geminídeos acima do Gran Telescopio Canarias, o maior telescópio óptico do mundo, que fica no Observatório Roque Los Muchachos, em La Palma.

Na imagem aparece um campo de estrelas no céu, enquanto uma camada de nuvens permanece abaixo, criando um contrate com a estrutura do telescópio que não pode ser aberto devido à umidade no local, além da Nebulosa da Goma.
A Via Láctea sobre um campo de tremoços, por Alvin Wu
A foto mostra a Via Láctea surgindo acima de um campo florido de tremoços em Twizel, na Nova Zelândia em novembro, quando as flores silvestres da primavera transformam a paisagem sob o céu noturno.

Aoraki Mt Cook, por Owain Scullion
A fotografia do céu noturno mostra o arco da Via Láctea acima do Aoraki, Monte Cook, o pico central do parque nacional da Nova Zelândia.

O fotógrafo conta que apesar das dificuldades de acesso ao local, ao cair da noite a Via Láctea e a luz zodiacal apareceram com excepcional clareza, realçadas pelo ar frio e estável em altitude.
Gandalf galáctico, por Evan McKay
Uma foca parada exatamente onde o fotógrafo havia planejado posicionar o tripé atrapalhou o início do registro da Via Láctea. Depois de um tempo a foca se moveu para o lado, mas permaneceu na cena durante toda a sessão de fotos que foi feita na Costa de Wairarapa, Nova Zelândia.

Via Láctea de sódio, por Julien Looten
A cena foi capturada no Very Large Telescope (VLT, na sigla em inglês) no Cerro Paranal, no Deserto do Atacama, Chile, sob condições de observação excepcionalmente favoráveis, onde a fronteira entre a Terra e o céu parece quase imperceptível.

A Via Láctea se estende pelo céu noturno. À esquerda, as Nuvens de Magalhães, duas galáxias satélites vizinhas, são visíveis a olho nu no Hemisfério Sul. Um sutil brilho atmosférico adiciona outra camada à cena, uma emissão natural produzida por reações químicas na alta atmosfera em altitudes de 80 a 100 quilômetros. A imagem revela uma gama de cores, com tons verdes à esquerda e tons avermelhados mais quentes à direita.
Luz celestial sobre os penhascos marinhos, por Anthony Lopez
Nesta imagem o céu noturno assume um caráter distintamente diferente nesta época do ano, especialmente com a chegada das constelações de inverno. Os tons parecem mais frios, o ar mais nítido, e Órion se destaca no horizonte, tornando-se a peça central da cena.

A foto da Via Láctea foi capturada ao longo das falésias no sul da França, em Saint Raphael, Riviera Francesa., um lugar onde o litoral, as estrelas e o silêncio circundante se unem em perfeito equilíbrio.
Uma noite no Remarkables, por Tom Rae
O arco da Via Láctea no inverno se ergue sobre a imponente Cordilheira Remarkables, nos Alpes do Sul, enquanto as luzes de Queenstown, na Nova Zelândia, brilham lá embaixo. É um raro alinhamento de galáxia, terreno alpino e presença humana, tudo capturado em um único instante.

Água ardente, por Baillie Farley
Emoldurada pelas cores vibrantes e pelo vapor flutuante da Grand Prismatic Spring, a Via Láctea se ergue sobre uma das paisagens geotérmicas mais singulares da Terra. O registro foi feito no Parque Nacional de Yellowstone, EUA.

É um raro momento em que a energia bruta do planeta encontra a imensidão silenciosa do céu noturno. O vapor em constante movimento transformava a cena a cada instante, revelando brevemente as estrelas antes de escondê-las novamente.
Perdido nas ondulações do espaço e do tempo, por Leonel Padrón
Na cena capturada no Deserto dos Pináculos, em Namburg, Austrália Ocidental, o pilar principal de calcário se alinha quase perfeitamente com o Polo Sul Celeste, ancorando a imagem sob o céu em rotação.

À direita, o brilho vermelho tênue, mas inconfundível da Nebulosa Gum, um vasto remanescente de supernova, adiciona profundidade e escala à cena.
Meteoros Perseidas sobre a Porta Durdle, por Josh Dury
“Fogos de artifício” ancestrais do Cometa Swift-Tuttle atravessaram a atmosfera. A imagem, composta de ângulo ultra-amplo acima do arco natural de calcário de Durdle Door, Costa Jurássica, Dorsete, Inglaterra, mostra em primeiro plano, um único vagalume registrado entre os juncos à beira do penhasco.

Galáxia em ascensão, por Anastasia Gulova
A foto mostra a Via Láctea baixa no horizonte, emoldurada pela entrada de uma caverna localizada em Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha.

Divindade, por Kavan Chay
O fotógrafo capturou o núcleo da Via Láctea se pondo em uma praia na Costa Oeste da Nova Zelândia, com o recife coberto de estrelas-do-mar. Fazer esse tipo de fotografia só é possível na maré baixa.

Via Láctea sobre as montanhas Tatra, por Łukasz Remkowicz
A primeira imagem da Via Láctea capturada pelo fotógrafo foi feita no sul da Polônia, nas montanhas Tatra, em Jorgów, no início da primavera.

Na imagem vemos o núcleo galáctico emergindo logo acima do horizonte da montanha, acompanhado pelas cores sutis da poeira e das nebulosas na região de Rho Ophiuchi, com o rio em primeiro plano.
Via Láctea dupla sobre o Parque Nacional de Monfragüe, por Luis Cajete
A fotografia capturada no Parque Nacional de Monfragüe, na Espanha, mostra a imagem da Via Láctea de inverno e a de verão no mesmo céu.

A cena não aparece assim a olho nu. É uma composição que captura a transição da Via Láctea ao longo de várias horas, combinando a visão de inverno após o pôr do sol com a visão de verão surgindo antes do amanhecer.
Salto del Agrio, por Alejandra Heis
A imagem foi feita durante uma noite em Salto del Agrio, Caviahue, província de Neuquén, na Argentina e mostra uma cachoeira de 45 metros em um cânion esculpido por antigos fluxos de lava do vulcão Copahue, com a Via Láctea alinhada acima da cachoeira, formando um arco suspenso.

Espinha galáctica, por Andrew Imhoff
A beleza da Via Láctea na reserva indígena Hopi, no Norte do Arizona, nos EUA.

Valle de la Luna, Universo Triásico Ischigualasto, por Gonzalo Javier Santile
A foto feita no Parque Provincial Ischigualasto, no Valle de la Luna, San Juan, na Argentina, mostra o primeiro arco completo da Via Láctea já registrado no local.

O Valle de la Luna é reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, e sua importância geológica reside no fato de ser o único lugar da Terra onde a sequência completa do período Triássico pode ser observada, preservando fósseis importantes dos primeiros dinossauros.
Bola de fogo no paraíso, por Jason Rice
A imagem mostra um meteoro riscando o céu e passando pela Via Láctea, deixando um rastro brilhante pela bola de fogo que permaneceu visível por quase quinze minutos. A foto foi feita em Cabo San Blas, Flórida, EUA.

Panorama da galáxia da Caldeira, por Max Terwindt
A imagem do céu noturno foi capturada no ponto mais alto da ilha vulcânica de La Palma, nas Ilhas Canárias. As flores cor-de-rosa de Tajinaste, uma espécie endêmica da ilha, foram usadas para emoldurar o arco do núcleo da Via Láctea.

Subindo nos ombros de gigantes, por Ignacio Peláez
A imagem foi capturada no coração da Sierra La Giganta, em Baja California Sur, México, após uma expedição de dois dias partindo da pequena vila de San Juan Londo.
À direita da imagem, o brilho tênue pertence à distante cidade de Loreto, a primeira capital das Califórnias, localizada a aproximadamente 30 quilômetros ao sul.

A fotografia faz parte de um projeto em andamento focado em documentar e promover os céus noturnos excepcionais de Baja California Sur para o astroturismo.
Baobás do Botswana à noite, por Stefano Pellegrini
A foto do céu noturno feita em Botsuana mostra uma pequena ilha que emerge do meio de uma vasta planície de sal coberta por baobás posicionados sob o núcleo da Via Láctea.

Onde a terra encontra o cosmos, por Andrea Curzi
O fotógrafo viajava ao longo da costa da Normandia e da Bretanha, na França, quando, na península de Pen Hir viu um brilho vermelho inesperado no céu. Era a aurora boreal.

A foto revela uma combinação de fenômenos: luminescência atmosférica, o arco de inverno da Via Láctea, Órion com o Laço de Barnard, as Plêiades, as nebulosas da Roseta e da Califórnia, Andrómeda, Júpiter, luz zodiacal e aurora boreal.
Via Láctea sobre o Refúgio Syme e o Monte Taranaki, por Brendan Larsen
Capturada no Refúgio Syme, o mais frio da Ilha Norte, na Nova Zelândia, depois do fotógrafo caminhar por mais de cinco horas em neve profunda, a cena retrata a beleza da Via Láctea no Monte Taranaki.

O jardim das estrelas, por Luca Fornaciari
Entre fileiras de lavanda em flor, vagalumes voam como pequenas lanternas sob um céu dominado pela Via Láctea de verão dos Apeninos Bolonheses, na Itália.

A astrofotografia e a fotografia noturna são definidas por momentos, breves instantes em que tudo se alinha e cada elemento se encaixa perfeitamente.
O processo muitas vezes envolve lidar com mudanças climáticas, desafios técnicos e a busca constante pelo momento certo, seguida de um cuidadoso pós-processamento.
Preservar o céu escuro é importante para poder ver esse fenômeno que, por causa da poluição luminosa, cada vez mais limita a apreciação da Via Láctea.
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