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Cinema e IA

Em Cannes, Demi Moore diz que não há como lutar contra a IA no cinema: “batalha que perderemos”

Ao comentar sobre o assunto no dia da abertura do Festival de Cinema de Cannes, ela afirmou que é necessário “achar maneiras de trabalhar” com a IA

Atriz Demi Moore afirmou que a indústria cinematográfica deve buscar uma forma de lidar com a Inteligência Artificial Foto: Jay Dixit/WikiPortraits/Creative Commons




A atriz americana Demi Moore afirmou que é impossível resistir à crescente presença de IA nas produções cinematográficas mundiais, abordando um tema que vem dividindo a indústria e todo o setor cultural em uma plataforma de alta visibilidade, o Festival de Cannes.

Questionada sobre o assunto ao lado de outros colegas produtores e diretores em um encontro antes da abertura do evento, ela afirmou que vê a necessidade de “encontrar maneiras de trabalhar” com a tecnologia, já que, aos olhos dela, lutar contra isso é travar uma batalha perdida.

A reflexão sobre o assunto acontece enquanto o mundo vê uma inteligência artificial cada vez mais refinada, reproduzindo cenas antes custosas com somente um prompt e conseguindo, até mesmo, trazer um ator “de volta à vida”.

O que ainda não ficou claro é quando e como empregos estabilizados na indústria cinematográfica estão sob risco de desaparecer por causa disso.

“Oposição gera mais oposição”

Demi Moore falou sobre a presença da IA no cinema durante um painel em Cannes. Ela estava acompanhada de outras personalidades do cinema, como o cineasta coreano Park Chan-wook e a cineasta chinesa Chloé Zhao, que venceu o Oscar deste ano.

Um jornalista perguntou à atriz como a Inteligência Artificial afetava a indústria e se ela via a necessidade de mais regulamentação na área.

“Sempre sinto que a oposição gera mais oposição. A inteligência artificial está aqui. Lutar contra isso é lutar uma batalha que perderemos. Por isso, encontrar maneiras de trabalhar com isso, em vez de contra isso, me parece um caminho mais valioso.”

Moore ainda questionou se a indústria faz o suficiente para se proteger dos avanços inevitáveis da IA, e disse “não saber” a resposta, mas arriscou um palpite.

“Estou inclinada a dizer que provavelmente não”, pontuou.

“Não há nada a temer”, diz Moore

Apesar de classificar a luta contra a IA como uma “batalha perdida”, Demi Moore afirmou que não vê razões para temer. De acordo com ela, não há substituição “para a verdadeira arte”.

“[A arte] vem do espírito de cada um de nós aqui presentes, de cada pessoa que cria todos os dias. E isso eles jamais conseguirão recriar por meio de algo técnico.”

A atriz, que estreiou em Cannes em 2024, participa do júri que vai escolher o vencedor da Palma de Ouro do evento neste ano. O regulamento de Cannes neste ano proibe o uso de IA generativa nas produções.

Inteligência Artificial avança no audiovisual

O debate sobre Inteligência artificial alimentado por Demi Moore não é novidade no cinema americano. No mês passado, o trailer do filme “As deep as the grave” mostrou a participação de Val Kilmer, ator que morreu em 2026, totalmente recriado por IA.

Kilmer representaria um padre no filme, mas, por causa do seu estado de saúde, não conseguiu gravar nenhuma cena. A família do ator forneceu o material necessário para a criação da IA.

A filha dele, Mercedes, afirmou que o pai sempre foi entusiasta de novas tecnologias e disse, ainda, que a produção “honrou a memória dele”.


Antes disso, em março, a Netflix comprou a InterPositive, empresa fundada por Ben Affleck para desenvolver ferramentas de IA para a indústria audiovisual.

Em comunicado, Affleck falou da necessidade de preservar o aspecto humano da narrativa precisava, especialmente o julgamento criativo de quem tem décadas de experiência. De acordo com ele, a empresa criou “limites internos” para proteger a intenção criativa.

A própria Netflix também reforçou a importância do “papel humano” nas produções. Um comunicado feito pela diretora de Produto e Tecnologia da Netflix, Elizabeth Stone, afirmou que a compra serviu para “compartilhar a visão de que a inovação deve fortalecer contadores de histórias, e não substituí-los”.

IA chinesa causou revolta em Hollywood

Em fevereiro, o lançamento Seedance 2.0, ferramenta criada pela IA chinesa Bytedance, também causou frisson. A maior polêmica em torno da plataforma, vendida como capaz de “gerar narrativas complexas com um simples prompt”, aconteceu por causa de um vídeo de 15 segundos.

O vídeo, feito após um prompt de um diretor de Hollywood, mostrava Tom Cruise e Brad Pitt lutando em um cenário destruído. Apesar de dar sinais de que era feita com IA, a produção assustou produtores e gerou debate.

“Estou apavorado. Tantas pessoas que eu amo estão correndo o risco de perder suas carreiras”, afirmou Rhett Reese, produtor de Zombieland.

A situação da plataforma, porém, mudou rapidamente: uma semana após o lançamento, a Disney enviou uma notificação extrajudicial à companhia, a acusando de pirataria. A ByteDance respondeu afirmando que respeita a propriedade intelectual, e que “toma medidas para reforçar as salvaguardas atuais”.


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