A Via Láctea sobre paisagens remotas, nebulosas registradas em detalhes e fenômenos celestes quase invisíveis a olho nu estão entre as imagens premiadas no concurso de astrofotografia da Central West Astronomical Society, da Austrália.
Realizado desde 2004, o prêmio David Malin Awards homenageia o astrônomo e astrofotógrafo britânico-australiano conhecido por desenvolver técnicas capazes de revelar cores e detalhes muito tênues em fotografias do espaço e por ter ajudado a popularizar algumas das imagens astronômicas mais reconhecidas das últimas décadas.
Malin também participou, em 1986, da descoberta de uma gigantesca galáxia espiral que recebeu o nome de Malin 1.
Os Apeninos lunares
A vencedora geral do concurso em 2026 foi uma fotografia de Stefan Buda que mostra os Montes Apeninos, cadeia montanhosa localizada na parte norte da face visível da Lua.

A imagem, que também venceu a categoria Sistema Solar, foi produzida com um telescópio construído pelo próprio fotógrafo.
A Mão de Deus
Entre as menções honrosas, o destaque é o registro de uma região de formação estelar situada na constelação de Puppis, a cerca de 1.300 anos-luz da Terra, feito por Frank Alvaro.

Conhecida como Mão de Deus, a estrutura pertence ao grupo dos chamados glóbulos cometários, nuvens densas e escuras cuja forma lembra a cabeça e a cauda de um cometa. Na fotografia, ela é iluminada pelo brilho de uma estrela próxima.
Veja as outras fotos do céu premiadas no concurso da Austrália
Chamas ondulantes — Chamaeleon III
Andy Campbell venceu a categoria Céu Profundo com um mosaico de dois painéis do complexo de nuvens moleculares de Chamaeleon, região de formação estelar situada entre 450 e 600 anos-luz da Terra.

A imagem revela faixas densas de poeira, nebulosas de reflexão pouco luminosas e estrelas jovens dispersas pela região.
A linha divisória
A imagem vencedora da categoria Campo Amplo, de autoria de Jarrod Koh, reúne duas formações contrastantes do complexo de nuvens moleculares de Órion: a luminosa M78 e a nebulosa escura LDN 1622. Na M78, a luz azulada de estrelas jovens é refletida pela poeira ao redor.

Zênite
Brighton Seeley venceu a categoria Paisagens Noturnas com o registro de uma intensa aurora austral sobre uma praia.

O fotógrafo atravessou uma área de mata para acompanhar o fenômeno e fez mais de 6 mil imagens naquela noite. A fotografia premiada mostra a dimensão e a atividade das cortinas luminosas que ocuparam o céu.
A nebulosa do Bicho-Papão
Charlie Marzolla venceu a categoria juvenil com uma imagem da LDN 1622, nuvem escura de poeira conhecida como nebulosa do Bicho-Papão.

Localizada na região de Órion, a formação se destaca contra o brilho avermelhado do hidrogênio ao fundo. O fotógrafo reuniu cerca de 28 horas de exposição para revelar seus contornos e a poeira interestelar ao redor.
Um ovo de dragão em um casulo de teias
A fotografia de Frank Alvaro foi escolhida como vencedora geral pelo editor de fotografia do concurso. A imagem mostra a NGC 6164, nebulosa de emissão conhecida como Ovo de Dragão, envolvida por uma extensa e delicada nuvem de gás.

Localizada na constelação de Norma, a estrutura foi formada pelos ventos intensos de uma estrela massiva em seu centro.
Confira outras preferidas dos jurados
A árvore dos desejos
Luke Rasmussen fotografou uma árvore recortada pelas cores de uma aurora austral na ilha de Bruny, na Tasmânia. A imagem recebeu menção honrosa na categoria Paisagens Noturnas.

Coroa de Pantoney
A fotografia de Ed Hurst mostra a formação rochosa Pantoneys Crown, em Nova Gales do Sul, sob um céu atravessado por rastros de estrelas.

A névoa cobre o vale de Capertee enquanto a luz que antecede o amanhecer começa a aparecer no horizonte.
Golfinho celestial
Elizabeth Armarego registrou uma nebulosa de emissão criada pelos ventos da estrela Wolf-Rayet EZ Canis Majoris, que se aproxima das etapas finais de sua evolução. O nome é inspirado na formação à esquerda, lembrando o bico de um golfinho.

O oxigênio duplamente ionizado presente na região produz a tonalidade azul que domina a imagem.
Gum 12b
A fotografia de Rodney Watters tem como centro a nebulosa Gum 12b, localizada entre as constelações austrais de Antlia e Vela.

As nuvens brilhantes e escuras formam uma estrutura que lembra uma árvore em chamas cercada por estrelas.
Arco da Tasmânia
Luke Tscharke fez esta imagem do alto dos maiores penhascos marítimos da Austrália. O arco esverdeado da aurora austral atravessa o céu e parece descer em direção à ilha da Tasmânia.

BRAN 56
Jarrod Rueff fotografou a região nebulosa BRAN 56, inspirado pela imagem vencedora da categoria Céu Profundo na edição de 2025 do concurso.

O fotógrafo combinou dados de hidrogênio-alfa, usados para definir a luminosidade, com informações de cor obtidas por meio de um filtro de banda estreita.
Cometa C/2025 R3 PanSTARRS
Murray Parkinson reuniu 45 exposições de um minuto para produzir esta imagem telescópica. As fotografias foram alinhadas separadamente pelo movimento das estrelas e do cometa e depois recombinadas, mantendo as cores do objeto e do campo estelar.

As sandálias aladas de Mercúrio
Andy Campbell fotografou uma tênue rede de filamentos no remanescente da supernova de Vela. A composição foi inspirada pela descoberta recente da nebulosa OED-1 na mesma constelação.

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