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Guinada na carreira

Da bancada do telejornal ao trono: como um jornalista de TV virou rei em Uganda? 

Uganda é uma república, mas mantém vários reinos tradicionais; Edward Rukidi Nyabongo I assume o trono de Tooro

Edward Rukidi Nyabongo coroado rei de Tooro, em Uganda

Edward Rukidi Nyabongo é coroado em Uganda (foto: reprodução CTV Uganda via YouTube)




Um jornalista de 56 anos que durante anos apresentou notícias na televisão estatal de Uganda trocou a bancada pelo trono de rei.

Edward Rukidi Kijanangoma, ex-apresentador e editor da Uganda Broadcasting Corporation (UBC), foi coroado nesta terça-feira (29) rei do tradicional Reino de Tooro, no oeste do país, adotando o nome Edward Rukidi Nyabongo I.

A mudança pode surpreender a quem não conhece a história do país. Kijanangoma pertence à família real de um dos quatro principais reinos de Uganda que foram mantidos com funções culturais e cerimoniais dentro do regime republicano.

Ele é neto de um antigo rei de Tooro e primo de Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, que morreu em 27 de agosto, aos 34 anos, enquanto fazia tratamento contra um câncer nos Estados Unidos.

Oyo havia subido ao trono em 1995, quando tinha apenas três anos.

De apresentador de TV ao trono

Antes de virar rei, Kijanangoma construiu carreira no jornalismo. Na emissora pública UBC, trabalhou como apresentador de notícias e editor.

Ex-colegas ouvidos pelo Daily Monitor lembraram que, apesar da origem real, no dia a dia da redação era tratado sobretudo como jornalista.

Depois de ser escolhido para o trono, ele também começou a deixar para trás parte da vida anterior.

Em 15 de setembro, anunciou o encerramento de suas contas pessoais oficiais nas redes sociais e nomeou um porta-voz para concentrar suas comunicações públicas, segundo o jornal ugandense.

Morte do rei aos 34 anos abriu disputa pela sucessão

A morte precoce de Oyo abriu uma disputa dentro da família real. Ele não era casado e não tinha filhos publicamente reconhecidos.

Após sua morte, porém, sua mãe, Best Kemigisa, e sua irmã, Ruth Komuntale, afirmaram que o rei havia deixado um filho e um testamento indicando a criança como herdeira.

O clã real Babiito seguiu outro caminho. Um comitê de 21 integrantes escolheu Kijanangoma, primo do rei morto, para assumir o trono.

A decisão foi posteriormente apoiada pelo conselho do reino e pelo governo de Uganda, embora tenha continuado sendo contestada. A coroação ocorreu nesta terça-feira no Palácio Karuziika, na cidade de Fort Portal.

Por que Uganda tem mais de um rei?

Apesar dos reis, Uganda não é uma monarquia: é uma república. O país mantém, porém, instituições tradicionais ligadas aos diferentes povos e regiões que existiam antes da formação do Estado atual.

Tooro é um desses reinos; Buganda, Bunyoro e Busoga estão entre os outros mais conhecidos.

A Constituição de Uganda permite a existência desses líderes tradicionais ou culturais, mas estabelece limites claros: eles não podem exercer poderes administrativos, legislativos ou executivos do governo nem participar da política partidária.

Na prática, os reis mantêm principalmente funções culturais e tradicionais.

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