O Centro de Jornalistas do Afeganistão (AFJC, na sigla em inglês) pediu ajuda internacional urgente para veículos independentes e jornalistas em risco, diante do que descreve como uma intensificação das restrições impostas pelo Talibã à imprensa e ao acesso à informação.
O apelo foi divulgado nesta segunda-feira (28), Dia Internacional do Acesso Universal à Informação.
Segundo a entidade, desde que voltou ao poder, em agosto de 2021, o Talibã emitiu pelo menos 24 diretrizes que restringem a liberdade de expressão e o trabalho dos meios de comunicação.
Em agosto de 2025, um levantamento do Comitê para a Proteção dos Jornalistas mostrou como a mídia independente foi praticamente eliminada após quatro anos de domínio do Talibã. Mas a situação continua piorando.
Restrições aumentaram no último ano
O AFJC afirma que as restrições se intensificaram depois da entrada em vigor da Lei para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício.
Entre as medidas citadas estão a proibição da cobertura de protestos, manifestações e vozes de oposição; controle de conteúdos antes da publicação; exigência de autorização prévia; proibição de retransmitir programas de redes internacionais.
Há ainda prisões, ameaças e processos contra jornalistas por reportagens independentes ou contatos com veículos afegãos que operam no exterior.
Mulheres e imagens estão entre os principais alvos
Segundo o Afghanistan Journalists Center, jornalistas mulheres foram proibidas de trabalhar nos meios de comunicação estatais e passaram a enfrentar restrições crescentes também em veículos privados e independentes.
O Talibã também ampliou para 25 das 34 províncias do país a proibição de publicar imagens de seres vivos, pessoas ou animais.
De acordo com o AFJC, a medida já levou dezenas de emissoras de televisão a interromper suas atividades.
A entidade aponta ainda novas restrições às comunicações.
Funcionários públicos foram proibidos de usar smartphones, medida estendida em algumas províncias a trabalhadores de veículos estatais, como a RTA e a agência de notícias Bakhtar. O AFJC também denuncia limitações ao acesso à internet por fibra óptica.
Prisões e fechamento de veículos em setembro
Os alertas são acompanhados por uma série de episódios recentes.
Em 8 de setembro, o AFJC informou que 12 jornalistas que cobriam uma feira de livros na província de Khost foram detidos pelo Departamento para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício e tiveram suas câmeras confiscadas.
Segundo a entidade, eles filmavam e faziam entrevistas quando foram abordados por integrantes da chamada polícia da moralidade. A ação estaria relacionada justamente à proibição de registrar imagens de seres vivos.
Nos dias anteriores, dois veículos haviam sido atingidos por medidas das autoridades. A televisão privada Rah-e-Farda foi fechada em 6 de setembro e seu proprietário, Salman Akhlaqi, detido.
No dia seguinte, o AFJC denunciou a suspensão das atividades da rádio Seday-e-Eslah.
Pedido de ajuda internacional
O Afghanistan Journalists Center pede que o Talibã revogue as determinações que considera contrárias às leis afegãs de imprensa e de acesso à informação, encerre a censura e a vigilância de redações, interrompa prisões e intimidações de jornalistas e elimine as restrições ao acesso à internet.
A entidade também fez um apelo à comunidade internacional, às Nações Unidas e às organizações de defesa da liberdade de imprensa para que ofereçam apoio urgente e prático aos veículos independentes e aos jornalistas que permanecem em risco dentro do Afeganistão.






