Janeiro: início explosivo do segundo mandato de Trump
7 de janeiro – A Meta desmantela o programa de checagem de fatos, em um exemplo inicial de cumprimento antecipado de ameaças de Trump. O CEO Mark Zuckerberg e outros executivos de Big Tech comparecem à posse de Trump pouco depois.
20 de janeiro – Trump assina ordem executiva para “encerrar a censura federal”, eliminando o monitoramento governamental de desinformação e informação enganosa.
22 de janeiro – O presidente da FCC (Comissão Federal de Comunicações), Brendan Carr, restabelece queixas de licenciamento contra as redes ABC, CBS e NBC pela cobertura das eleições de 2024, mas não restabelece uma queixa semelhante contra a Fox News, aliada histórica de Trump.
24 de janeiro – Trump congela quase toda a ajuda externa, desmantela a USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional) e corta mais de US$ 268 milhões destinados à liberdade de imprensa; veículos independentes em vários países entram em caos.
29 de janeiro – Carr abre uma investigação sobre as redes públicas PBS e NPR, em paralelo a esforços políticos para cortar seu financiamento federal.
Fevereiro: sanções e censura
3 de fevereiro – O governo derruba milhares de páginas oficiais dos EUA com informações que vão de vacinas a mudança climática.
6 de fevereiro – Trump impõe sanções a autoridades do TPI (Tribunal Penal Internacional) em retaliação à investigação de crimes de guerra em Gaza, incluindo ataques contra centenas de jornalistas.
8 de fevereiro – Trump fecha acordo para receber indenização US$ 20 bilhões da CBS por ter editado uma entrevista com sua adversária eleitoral, a ex-vice-presidente Kamala Harris.
11 de fevereiro – A Casa Branca barra repórteres da Associated Press por se recusarem a adotar o nome preferido por Trump para o Golfo do México.
21 de fevereiro – O governo demite trabalhadores responsáveis por pedidos via FOIA (Lei de Liberdade de Informação), criando barreiras ao acesso de repórteres a dados.
25 de fevereiro – A Casa Branca anuncia mudanças no “press pool” e diz que passará a escolher quem pode participar das coletivas.
Março: radiodifusão pública sob ataque
14 de março – Trump decreta o desmonte da USAGM (U.S. Agency for Global Media, agência que supervisiona a alocação de recursos a emissoras públicas dos EUA), responsável por financiar a VOA (Voice of America, emissora pública internacional), além de RFE/RL, MBN, Radio/TV Marti e RFA. A RSF entra com ação judicial para salvar a VOA.
14 de março – Em discurso, Trump acusa a imprensa, sem evidências, de “comportamento ilegal”, fala vista como incentivo para o Departamento de Justiça mirar inimigos percebidos por ele na mídia.
15 de março – O governo coloca toda a equipe da VOA em licença administrativa, interrompendo praticamente toda a produção jornalística.
Abril: novos cortes e pressão jurídica
13 de abril – Trump começa a punir escritórios de advocacia que fazem trabalho pro bono com o qual ele não concorda, incluindo atuação na proteção de jornalistas.
15 de abril – O governo anuncia que planeja cortar o financiamento da NPR e da PBS.
25 de abril – O Departamento de Justiça revoga uma política que impedia a busca por registros telefônicos de repórteres.
Maio: restrições de acesso
13 de maio – Repórteres de agências de notícias são barrados no Air Force One durante a viagem de Trump ao Oriente Médio.
15 de maio – Mais de 500 funcionários da VOA recebem avisos de demissão, apesar de uma liminar obtida pela RSF e coautores, incluindo jornalistas da VOA e sindicatos.
24 de maio – O secretário de Defesa Pete Hegseth limita o acesso de jornalistas credenciados dentro do Pentágono, dificultando reportagens sobre a sede de defesa do país.
Junho: repressão e violência contra repórteres
3 de junho – A conselheira sênior da USAGM, Kari Lake, apresenta planos de cortar mais de 900 funcionários.
8 de junho – Trump envia a Guarda Nacional a Los Angeles após protestos contra operações de imigração.
14 de junho – O jornalista Mario Guevara é detido ao cobrir operações de imigração em Atlanta, na Geórgia. As acusações são retiradas e ele é liberado por ordem, mas a polícia local o transfere ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), que inicia procedimentos de deportação para El Salvador, apesar de seu status legal de trabalho.
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Julho: pressão sobre entretenimento e imprensa
11 de julho – Um juiz emite uma liminar temporária contra o LAPD (Departamento de Polícia de Los Angeles) por uso de força excessiva; desde 6 de junho, ao menos 70 ataques contra jornalistas são relatados.
18 de julho – Contrato do “The Late Show with Stephen Colbert” não é renovado após o apresentador criticar o acordo entre a Paramount (controladora da CBS) e Trump, levantando dúvidas sobre a independência política da emissora.
19 de julho – Trump processa o Wall Street Journal por reportagem sobre seus vínculos com Jeffrey Epstein.
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Agosto: jornalistas estrangeiros na mira
8 de agosto – O Departamento de Segurança Interna propõe restrições severas a vistos para jornalistas estrangeiros nos EUA.
26 de agosto – O embaixador indicado por Trump na Turquia, Tom Barrack, diz a repórteres libaneses para “agirem de forma civilizada” e os acusa de serem “animalísticos” ao serem questionados.
Setembro: endurecimento após morte de Charlie Kirk
17 de setembro – A ABC tira do ar o apresentador Jimmy Kimmel após pressão de Brendan Carr (FCC) por comentários sobre a reação de políticos republicanos à morte de Charlie Kirk.
19 de setembro – O Departamento de Defesa exige que repórteres assinem um juramento comprometendo-se a publicar apenas informações “autorizadas para divulgação pública”; a maior parte do “press pool” do Pentágono abandona o trabalho em massa.
28 de setembro – A repórter Asal Rezaei é atingida por uma “pepper ball” que atravessa a janela do carro perto de uma instalação do ICE em Broadview, Illinois. Agentes também apontam armas para jornalistas; outros repórteres são atingidos nos dias seguintes.
29 de setembro – O YouTube concorda em pagar US$ 24,5 milhões para encerrar um processo com Trump após suspensões de contas ligadas ao 6 de janeiro de 2021.
30 de setembro – Um agente do ICE agride dois jornalistas em frente a um tribunal de imigração em Nova York; um deles, L. Vural Elibo (do veículo turco Anadolu), é hospitalizado.
Outubro: deportação e novas barreiras
3 de outubro – Mario Guevara é deportado para El Salvador após mais de 100 dias sob custódia do ICE.
17 de outubro – Trump reapresenta processo por difamação contra o New York Times por sua cobertura das eleições de 2024.
18 de outubro – Policiais do LAPD atacam jornalistas no protesto No Kings, em violação direta da liminar de julho.
28 de outubro – Repórteres são barrados de cobrir uma audiência de imigração em Maryland; o acesso a procedimentos de imigração é prejudicado por uma paralisação do governo.
31 de outubro – O governo restringe o acesso da imprensa na Ala Oeste e barra repórteres da área do segundo andar conhecida como “Upper Press”.
Novembro: “Hall of Shame” e ataques à imprensa
10 de novembro – Trump ameaça processar a BBC pela edição de imagens da insurreição de 6 de janeiro de 2021.
17 de novembro – O Departamento de Estado anuncia novas restrições e regras de credenciais para jornalistas no prédio Harry S. Truman.
18 de novembro – Trump minimiza o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi (2018) e defende o príncipe herdeiro saudita Muhammed bin Salman.
18 de novembro – Trump grita “Quieta, porquinha!” para a jornalista Catherine Lucey (Bloomberg) e faz outros ataques pessoais a repórteres mulheres ao longo de novembro e no início de dezembro.
28 de novembro – O governo lança o site “Hall of Shame” mirando veículos e incentiva cidadãos a enviarem reclamações a uma “tip line” administrada pela Casa Branca, voltada a jornalistas.
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Dezembro: ordem judicial ignorada e pressão sobre mídia
2 de dezembro – Trump anuncia que fechará escritórios da VOA no exterior, contrariando uma ordem judicial de retorno ao trabalho emitida em abril.
10 de dezembro – Trump se envolve na possível fusão entre Warner Bros. Discovery, Paramount e Netflix e pressiona pela venda do canal CNN.
20 de dezembro – A editora-chefe da CBS, Bari Weiss, retira uma reportagem sobre deportação do “60 Minutes”, gerando críticas sobre politização da emissora. O episódio foi ao ar neste fim de semana, sem comentários do governo sobre o caso, o que tinha sido apontado como motivo para o adiamento.
As violações continuaram nos primeiros dias de 2026. Na semana passada, o FBI foi à casa de uma jornalista do Washington Post que publicou reportagens sobre demissões no governo Trump a partir de documentos internos vazados por uma fonte – prática consagrada no jornalismo e protegida por lei nos EUA.
Os agentes fizeram buscas e apreenderam computadores e outros equipamentos, embora ela não estivesse sob investigação e sim o funcionário público que supostamente entregou os documentos confidenciais.
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