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'AI Slop'

LinkedIn é a rede social com mais conteúdo feito ou editado com IA; plataforma reage criando botão para denunciar ‘lixo’

Análise feita pela Pangram Labs listou quais redes sociais têm mais presença de inteligência artificial nos seus posts e descobriu que, em fóruns anônimos, há muito mais conteúdo “real” sendo produzido

Tela de início do LinkedIn

Foto: Shutter Speed via Unsplash




Quem já se sentiu afetado por uma grande reflexão postada no LinkedIn ou se interessou em contactar um candidato a uma vaga a partir do que ele publicou, ou em concorrer a uma vaga oferecida por uma empresa pode ter sido enganado por um texto feito totalmente por IA, apontam dados de uma pesquisa do Pangram Labs.

A ferramenta de extensão, que verifica a presença da inteligência artificial em conteúdos online, usou dados levantados por meses para monitorar a recorrência de textos artificiais na nossa rotina.

E descobriu que o LinkedIn aparece em primeiro lugar entre as plataformas mais populares, respondendo por mais de 60% das postagens identificadas como “IA Slop”(lixo de IA), seguido (de longe) pelo X de Elon Musk, com 24%.

Nesta sexta-feira, o LinkedIn anunciou a criação de um botão para seus membros sinalizarem postagens que parecem ter sido feitas com IA, chamada “Seems Like AI slop”, ainda não disponível globalmente. O conteúdo será apontado para o próprio LinkedIn para verificação, sem que a sinalização se torne pública.

Como foi a pesquisa

Além de mostrar a grande presença da IA na rede social profissional, o levantamento também trouxe dados curiosos, como a baixa incidência desse tipo de texto em fóruns anônimos na internet, sugerindo que, para ser sincero, o internauta precisa ficar por trás de uma máscara.

O Pangram Labs monitora postagens visualizadas em tempo real dos usuários. Essa extensão, embutida ao Google Chrome, usa um modelo que analisa padrões de escrita para diferenciar textos humanos de sintéticos.

Ao todo, a pesquisa analisou pouco mais de um milhão de postagens daqueles que optaram por participar desse teste no momento da instalação da extensão. As publicações foram feitas entre abril e junho de 2026.

Os pesquisadores escolheram cinco redes sociais: LinkedIn, Medium, Substack, X/Twitter e Reddit. Eles só analisaram posts com mais de 50 palavras e dividiram o conteúdo em “shortform”, para aqueles com entre 50 e 250 palavras, e “longform”, para os que tinham mais de 250.

De acordo com a empresa, a ferramenta tem uma taxa de 0,01% de falsos positivos. A análise também diferenciou aqueles conteúdos que são totalmente escritos por IA dos que são parcialmente escritos, ou só “auxiliados” pelas plataformas de inteligência artificial.

Linkedin: líder em conteúdo sintético

A taxa média de conteúdo com IA em todos os itens verificados foi de 13,8%, de acordo com o Pangram. O LinkedIn, porém, foi o grande líder dessa pesquisa, com 62% de toda a IA detectada no estudo. Isso aconteceu mesmo com a plataforma representando somente um terço de todas as postagens verificadas pela extensão.

Dentro do LinkedIn, 41% das postagens no formato longform aparecem como totalmente geradas por IA. Ao mesmo tempo, somente 4,3% delas aparecem como “mistas”, ou seja, a rede social que as pessoas usam para buscar empregos é repleta de textos que sequer foram editados por elas.

Outra peculiaridade dessa plataforma é que, até mesmo nos comentários, os conteúdos são fortemente afetados pela IA. Segundo o levantamento, 23,7% dos comentários escaneados constam como gerados por máquinas.

Para os pesquisadores, isso acontece por uma série de fatores. O primeiro deles é a quantidade de ferramentas de IA integrada ao LinkedIn, que tem o recurso de “melhorar postagem” diretamente na sua página de criação.

Outro fator que pode contribuir é a pressão que o usuário sente em assumir uma persona profissional, mesmo que não saiba escrever bem. Para suprir essa necessidade e manter sua presença ativa nas redes, ele recorre à IA.

Mesmo com apenas 35% da fatia de posts analisados, LinkedIn tem a maioria do conteúdo marcado com IA
Foto: Pangram

O que a empresa diz sobre isso

Ao portal de tecnologia 404 Media, um porta-voz do LinkedIn atribuiu a quantidade de IA presente na plataforma ao “problema da página em branco”, termo usado para nomear a dificuldade que alguns usuários têm de escrever um texto longo do zero.

O site reforçou que os profissionais acessam o LinkedIn para “ouvir de pessoas reais as suas visões e perspectivas únicas” e disse que trabalha ativamente para reduzir o conteúdo de baixa qualidade.

Recentemente, um dos executivos do LinkedIn anunciou que há planos para combater a frequência da IA no site, como a aplicação de um algoritmo para detectar e rebaixar as postagens geradas com inteligência artificial no feed, mantendo o foco em “manter as conversas reais”.

Uma grande ironia é que o próprio anúncio consta como gerado parcialmente por IA, segundo a análise do próprio Pangram.

Onde ficam as outras redes?

O X, antigo Twitter, fica em segundo lugar na pesquisa, com 24,1% dos posts analisados totalmente gerados por inteligência artificial e outros 23,2% parcialmente.

Depois dele, vem o Medium, uma plataforma voltada para a escrita de artigos na internet. Ela tem 30,6% do seu conteúdo longo gerado totalmente por IA e 9,7% dele parcialmente. O Substack, que tem uma proposta semelhante a do Medium, tem 10% do seu conteúdo marcado como “totalmente” feito por IA e 11,9% marcado como misto.

O Reddit, uma rede social de fóruns divididos em diferentes temáticas, concentra, de longe, os menores números da pesquisa. Lá, enquanto 13% do conteúdo longo aparece como totalmente de IA, outros 3% constam como parcialmente.

Quando comparamos a porcentagem de conteúdo “real” em posts no LinkedIn com os que estão em fóruns como o Reddit, percebemos que, ao contrário do esperado, o uso da IA está muito mais presente em ambientes profissionais do que em espaços anônimos.

IA está dentro do consumo dos usuários

A extensão do Pangram não funciona apenas para medir a quantidade de IA na internet. Ela opera de forma segmentada, analisando apenas as publicações que seus usuários realmente param para ler. Ou seja: os dados levantados não levam em consideração os spams comumente ignorados, que poluem a navegação.

Quando levamos isso em consideração, a situação se torna ainda mais preocupante. Afinal, em algumas das plataformas, mais de um terço do conteúdo longo é simplesmente artificial.

Os pesquisadores afirmaram, ainda, que esse número pode ser a ponta do iceberg, já que ele só analisa o conteúdo visto por pessoas que instalam detectores de IA no seu computador. Essas pessoas são comumente mais propensas a evitar ou bloquear contas que têm conteúdos do tipo.


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