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Rastro digital

Miss perde coroa nos EUA após descoberta de posts antigos com termos racistas nas redes sociais

Brittany Boltinhouse, que tem origem latina, foi punida por posts usando a N-word contra pessoas negras feitos entre 2017 e 2019 na rede social X

miss carolina do norte perde coroa

Brittany Boltinhouse ganhou concurso de miss Carolina do Norte, mas perdeu coroa após posts racistas nas redes sociais serem descobertos Foto: @espino.sosa/Instagram




Cinco semanas após ganhar o título de miss Carolina do Norte, a americana Brittany Boltinhouse, 27, perdeu a coroa por uma polêmica envolvendo posts antigos com termos racistas nas suas redes sociais.

Publicações feitas em 2017, quando ela ainda tinha 18 anos, foram revividas logo após a sua vitória. Elas mostram a jovem falando, repetidas vezes, uma palavra racista e rotulando a si mesma como uma “pessoa tóxica”.

Mesmo com um pedido de desculpas da miss, a organização manteve a desqualificação da candidata e o título ficou com a segunda classificada no concurso.

O caso não é isolado e é um claro exemplo de como rastros digitais, principalmente conteúdo postado por adolescentes e jovens nas redes, podem ter consequências no futuro.

Ele reflete uma preocupação atual e podem estar moldando a forma como se usa as redes hoje em dia, como demonstrou uma pesquisa recente no Reino Unido.

Perda da coroa

A Blaize Productions, responsável pelo concurso de miss Estados Unidos, confirmou a perda da coroa de Brittany na quarta-feira.

Em um pronunciamento oficial feito nas redes sociais, eles anunciaram que, seguindo as regras do evento, a coroa de miss vai para a candidata Myla Hadley, que ficou em segundo lugar no evento.

Além disso, eles também pediram respeito à concorrente desclassificada e à nova miss durante a transição.

“Momentos como esse nunca são fáceis para os envolvidos. Permanecemos comprometidos a tratar todos com dignidade enquanto continuamos com a nossa missão de empoderar a próxima geração de liderança feminina.”

O organizador do evento, Thom Brodeur, também usou as redes sociais para se manifestar. Ele afirmou que o evento “não tolera racismo, homofobia, transfobia, nem linguagem que tire qualquer pessoa de sua dignidade”.

Ele disse, ainda, que Brittany pediu desculpas, mas que isso “não desfaz o dano e nem muda o resultado”.

A miss restringiu as respostas aos seus posts nas redes sociais e não se manifestou oficialmente sobre a decisão até o momento.

 

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Publicações com termos racistas

A organização do concurso de miss não divulgou o conteúdo dos posts que acabaram com a revogação da coroa da vencedora. O jornal local The NC Beat, porém, reviveu, um dia antes da decisão, posts publicados pela mulher na rede social X.

Os posts, feitos sob o apelido “Sosa the Stallion”, mostram a jovem repetindo o termo “nigga” várias vezes entre 2017 e 2019.

O termo é racista quando usado por pessoas que não são negras nos Estados Unidos, um país profundamente marcado pela segregação racial.

Outros posts que causaram polêmica, mas não são criminosos, mostram um forte apoio da miss à eleição do presidente americano Donald Trump em 2024.

Em um dos posts, feito no Facebook, Brittany diz que, caso Kamala Harris ganhe, os EUA poderiam virar “um país de terceiro mundo”.

Casos semelhantes

Apesar do grande impacto, o caso de Bittany não é o primeiro de um personagem público cujo passado “volta” a assombrar em forma de publicação nas redes sociais.

Em 2021, a recém-nomeada editora-chefe da revista Teen Vogue, Alexi McCammond, desistiu do cargo após uma série de tweets racistas virem à tona.

A mulher de 27 anos tinha feito publicações racistas contra asiáticos e contra a população LGBTQIAP+ em 2011, quando ainda era menor de idade.

Uma década depois, quando seu nome foi anunciado para chefiar a publicação, o público reviveu os posts e McCammond desistiu da vaga.

“Meus tweets antigos ofuscaram o trabalho que realizei para dar visibilidade às pessoas e aos assuntos que me importam — assuntos que a Teen Vogue se esforçou incansavelmente para compartilhar com o mundo — e, portanto, a Condé Nast e eu decidimos seguir caminhos separados.”, afirmou.

Mais recentemente, durante a corrida do Oscar de 2025, a atriz Karla Sofía Gascón veio a público pedir desculpas por publicações ofensivas feitas em 2020 e 2021. Os posts ofendiam mulheres muçulmanas e chamavam George Floyd de “vigarista viciado em drogas”.

Apesar do pedido de desculpas, Karla não sofreu qualquer punição pública pelas falas racistas. Isso pode, porém, ter afetado a campanha de Emília Perez ao Oscar daquele ano. O filme, com 13 indicações, levou apenas duas estatuetas para casa.

Menos publicações, menos risco

As consequências sérias para o que é postado nas redes sociais pode ser um dos fatores que afastou os usuários da publicação excessiva nas redes sociais nos últimos anos.

Uma pesquisa do Ofcom, órgão regulador das comunicações do Reino Unido, mostra que o número de pessoas que postam, comentam ou compartilham dados ativamente nas redes caiu de 61% para 49% em dois anos.

Ao mesmo tempo, o “medo de problemas futuros” causados por publicações antigas passou de 43% para 49% em dois anos.


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