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Litígio por listras

Adidas processa marca australiana por usar quatro listras; defesa diz que é apenas ‘decoração

Na primeira audiência do litígio, gigante esportiva alemã acusou White Fox de explorar sua reputação

Mulher com agasalho esportivo White Fox, com quatro listras

Foto: Federal Court of Australia




Na primeira audiência do processo movido pela gigante alemã Adidas por suposta imitação de suas famosas três listras, realizada nesta sexta-feira (9), a marca australiana White Fox negou que as quatro listras usadas em suas roupas representem uma violação de marca registrada.

Diante da Justiça Federal da Austrália a empresa argumentou que o desenho é apenas um detalhe decorativo, comum na indústria da moda.

O processo, apresentado à Justiça Federal da Austrália em setembro, envolve também campanhas publicitárias com influenciadoras digitais. A Adidas afirma que imagens promocionais da White Fox podem levar consumidores a acreditar que existe alguma relação entre as duas empresas.

Na audiência, o juiz Ian Jackman marcou o julgamento para o início de 2027. A Adidas quer impedir a fabricação e a venda dos produtos questionados e receber os lucros obtidos com sua comercialização. A White Fox contesta as acusações.

Adidas acusa concorrente de explorar sua reputação

O advogado Patrick Flynn, que representa a Adidas, afirmou durante a audiência que a White Fox vem utilizando as quatro listras como elemento de identificação comercial de seus produtos há meses.

A empresa alemã, que possui registros de sua marca de três listras na Austrália há mais de 50 anos, argumenta que os desenhos utilizados pela White Fox são suficientemente semelhantes para confundir consumidores.

Um dos exemplos apresentados pela acusação foi uma fotografia promocional de uma influenciadora vestindo shorts da White Fox, com quatro listras, e tênis originais da Adidas.

Influenciadora com short de quatro listas e tênis adidas de 3 listras
Foto: Federal Court of Australia

Segundo a Adidas, essa combinação pode transmitir a impressão de que os produtos pertencem à mesma marca ou são resultado de alguma parceria comercial.

A acusação também questiona imagens publicitárias nas quais, segundo a empresa alemã, as listras de tênis Adidas usados por modelos teriam sido alteradas digitalmente ou removidas.

Com isso, o processo vai além da semelhança entre os desenhos: envolve também a maneira como as roupas são apresentadas em campanhas de marketing e nas redes sociais.

White Fox diz que listras são apenas decoração

A White Fox rejeita a acusação de que estaria utilizando as quatro listras como marca comercial. Seu advogado, Ed Heerey, argumentou que o padrão é um elemento decorativo comum na indústria da moda.

Para sustentar a posição, citou roupas comercializadas por outras empresas, como Princess Polly, Glassons e Shein, que também utilizam desenhos de quatro listras.

A defesa afirmou ainda que a identidade da Adidas está associada especificamente a três listras, e não a qualquer conjunto de linhas paralelas.

Outro argumento apresentado foi a diferença entre roupas e calçados.

Segundo Heerey, a presença de marcas na lateral de tênis é uma prática conhecida, mas não necessariamente se aplica da mesma maneira às peças de vestuário.

 White Fox cresceu com publicidade nas redes sociais

Fundada em Sydney em 2013 por Georgia e Daniel Contos, a White Fox Boutique tornou-se uma das marcas australianas de moda de maior crescimento, impulsionada principalmente pelas redes sociais e por parcerias com influenciadoras.

A empresa expandiu suas operações para os Estados Unidos e o Reino Unido e registrou faturamento de 542 milhões de dólares australianos no ano fiscal encerrado em junho de 2025.

Adidas já enfrentou outras disputas pelas três listras

A proteção das três listras é uma questão recorrente para a Adidas, que já foi à Justiça contra diferentes fabricantes de roupas e calçados.

Na própria Austrália, a empresa venceu parcialmente, em 2013, um processo contra a Pacific Brands envolvendo modelos de tênis com quatro listras. A Justiça considerou que alguns dos produtos violavam os direitos da Adidas, mas outros não.

Em disputas mais recentes, porém, a empresa alemã enfrentou derrotas.

Nos Estados Unidos, perdeu em 2023 uma ação contra a grife Thom Browne, conhecida por utilizar quatro barras paralelas em suas roupas. Um júri concluiu que a marca americana não havia infringido os direitos da Adidas.

No Reino Unido, a Adidas também perdeu uma ação contra a grife em 2024. Em outubro de 2025, o Tribunal de Apelações confirmou a invalidação de seis registros britânicos da marca de três listras.

Os tribunais consideram aspectos como a forma de utilização, os direitos registrados e o risco de confusão entre consumidores.


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